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Significado Bíblico
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Pleonexia (Cobiça, Ganância)

O que significa pleonexia (cobiça) na Bíblia?

A palavra no original

πλεονεξία

pleonexia

Desejo de ter mais: a disposição de acumular e de levar vantagem além do que é devido.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • desejo de ter mais
  • ganância e avareza
  • exploração do próximo
  • excesso e falta de limite
  • idolatria dos bens

Resposta curta

Pleonexia (πλεονεξία) é a palavra grega do Novo Testamento para a cobiça ou ganância: literalmente, o desejo de ter mais, de levar vantagem sobre os outros. Aparece em advertências de Jesus e de Paulo, como em ("guardai-vos de toda cobiça"), , e , onde a cobiça é chamada de idolatria. A palavra não se restringe a dinheiro: descreve uma disposição do coração que nunca encontra suficiente e que passa por cima do outro para acumular. Por isso aparece em listas de vícios ao lado da imoralidade sexual e da impureza. Ler pleonexia em seu sentido amplo, e não apenas como "amor ao dinheiro", ajuda a entender por que Jesus manda guardar-se de toda cobiça, mesmo quando a pessoa não é rica.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

A pleonexia é o desejo de ter mais e de tomar o que é do outro; a vida de Jesus, tal como o Novo Testamento a descreve, vai na direção oposta. Paulo escreve que Cristo, sendo rico, se fez pobre por amor dos coríntios (), e que ele não considerou o ser igual a Deus algo a que devesse se apegar, mas esvaziou-se (). Não se trata de promessa do Antigo Testamento cumprida em Cristo, e sim de um contraste de caráter: o que a cobiça agarra, ele entrega.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Pleonexia é a palavra grega que o Novo Testamento usa para cobiça ou ganância. Ela quer dizer, literalmente, "desejo de ter mais", e descreve quem nunca se dá por satisfeito. Jesus alerta contra ela em , dizendo que a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos seus bens. Paulo a chama de idolatria em , porque quem confia na acumulação coloca os bens no lugar de Deus. A palavra não fala só de dinheiro, mas de qualquer desejo que passa dos limites e atropela o outro.

De onde vem a palavra

A palavra pleonexia tem raízes na vida pública grega muito antes do Novo Testamento. Em autores clássicos, como Platão e Aristóteles, ela descreve a atitude de quem quer mais do que lhe cabe: o excesso na divisão de bens, honras ou poder, que viola a justiça. Aristóteles, na Ética a Nicômaco, chega a tratá-la como o traço central da injustiça, a disposição de tomar para si uma parte maior do que a devida. Quando os autores do Novo Testamento a usam, herdam esse sentido de ultrapassar o limite justo, e não apenas o de gostar de dinheiro.

O uso mais conhecido está em . Alguém na multidão pede a Jesus que mande o irmão repartir a herança. Jesus se recusa a ser árbitro e diz: "Guardai-vos de toda cobiça (pleonexia), porque a vida de um homem não consiste na abundância dos seus bens" (). Segue-se a parábola do rico insensato, cujos celeiros não bastavam e que morre sem usufruir o que guardou. O foco da lição é a pretensão de que a vida seja medida pelo que se possui.

Nas cartas de Paulo, a palavra figura em catálogos de pecados. Em , ela vem junto de maldade e inveja, como sintoma de uma humanidade que se afastou de Deus. Em , aparece ao lado da imoralidade, com a recomendação de que nem se mencione entre os santos. Em , Paulo manda "mortificar" os membros terrenos, entre eles "a avareza, que é idolatria". Em , o pleonektes, a pessoa dominada por essa disposição, é chamado idólatra.

Outras ocorrências mostram o alcance da palavra. a lista entre o que sai do coração. Em , Paulo contrasta a oferta generosa com a oferta dada por pleonexia, isto é, a contribuição arrancada. Em , ele nega ter usado um "pretexto de ganância". E descreve falsos mestres com o coração "exercitado na cobiça", mostrando que a pleonexia também pode se disfarçar de religião.

Aprofundamento

O substantivo πλεονεξία (pleonexia) se forma a partir do comparativo pleon, "mais", e do verbo echo, "ter". A etimologia é transparente e amplamente aceita nos léxicos de referência, como o BDAG: é o "ter mais" ou o "querer ter mais". O sentido varia conforme o contexto, entre uma disposição de ganância voltada para bens materiais e uma atitude de exploração do próximo, e cabe ao intérprete avaliar qual das duas ênfases domina em cada passagem. O adjetivo ou substantivo agente, pleonektes, designa a pessoa que age assim (; 6:10; ).

A palavra deve ser distinguida de outras. Philargyria, "amor ao dinheiro", é a palavra de , e se refere a uma afeição específica por riqueza. Epithymia, "desejo", é genérica e pode ser boa ou má. Pleonexia combina o desejo com a postura de ultrapassar o limite, e por isso também se aplica a situações sem dinheiro, como o desejo desordenado de poder, de prazer ou de prestígio. Em , ela surge como parte da vida de quem "se entregou à lascívia para cometer com avidez toda sorte de impureza". Os comentaristas debatem se, em listas como a de , a pleonexia tem sentido sexual ou geral. A ligação com a imoralidade na sequência sugere que o desejo desmedido seja o ponto comum, mas o texto não esclarece o ponto.

A identificação com idolatria em é a afirmação mais forte do Novo Testamento sobre o tema. Paulo não diz que a cobiça "leva à" idolatria, mas que "é" idolatria. A lógica é que quem confia na acumulação para sua segurança ou identidade coloca algo no lugar que pertence a Deus. Essa ligação é coerente com o ensino de Jesus sobre servir a dois senhores, Deus e Mamom (). Vale lembrar que o último dos Dez Mandamentos () já proíbe o desejo, e não somente o ato.

Quanto à tradição de leitura, Basílio de Cesareia, em sua homilia sobre , critica o rico que guarda enquanto pobres passam necessidade, tomando a pleonexia como injustiça social. A tradição católica mais tarde sistematizou a avareza como um dos sete pecados capitais, ligando-a à busca desordenada de bens. Em todos esses casos, o ponto de partida é o termo bíblico, mas as categorias morais são posteriores e não devem ser projetadas sobre cada ocorrência do Novo Testamento sem exame.

O contraponto positivo não é a pobreza como virtude em si, mas o contentamento, autarkeia, que Paulo diz ter aprendido () e que ele recomenda em .

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Pleonexia é o mesmo que "amor ao dinheiro".

    A palavra para amor ao dinheiro é philargyria, em . Pleonexia significa "desejo de ter mais" e se aplica a qualquer ambição desmedida, inclusive de poder, prazer ou vantagem sobre o outro, não apenas a dinheiro.

  • Dizem que:Colossenses 3:5 diz apenas que a cobiça é parecida com idolatria.

    O grego afirma que a pleonexia "é" idolatria (hetis estin eidololatria). Paulo faz uma identificação, não uma comparação, ainda que o sentido exato da identificação seja discutido entre os intérpretes.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Patrística (Basílio de Cesareia)

    Entende a pleonexia como acumulação que ignora os pobres, e a lê como injustiça social: o que se guarda em excesso pertence, em alguma medida, a quem passa necessidade.

  • Católica

    Enquadra a avareza entre os pecados capitais, como desejo desordenado de bens, e a distingue do uso justo das riquezas, que a tradição moral não condena em si.

  • Reformada / evangélica

    Ênfase na identificação com idolatria em : a cobiça é pecado do coração, que desloca a confiança de Deus para os bens, e se combate com contentamento e generosidade.

  • Anabatista / pacifista

    Enfatiza a dimensão comunitária de e e 4, lendo a pleonexia como ameaça à partilha de bens e defendendo estilo de vida simples.

O que fazer com isso

Pleonexia ajuda a reconhecer que a cobiça nem sempre se parece com avidez por dinheiro: pode ser vontade de ter razão, de ter mais espaço, mais reconhecimento, mais vantagem. A advertência de Jesus em vale tanto para quem tem pouco quanto para quem tem muito. A pergunta que o texto propõe é pela medida da vida: o que, de fato, se está tomando como prova de que ela vale a pena?

Passagens relacionadas7

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Danker, F. W. (ed.). A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 3.ª ed., 2000.
  • Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Vine, W.E.; Unger, M.; White, W.. Vine's Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words, 1985.
  • Aristóteles. Ética a Nicômaco (livro V).
  • Basílio de Cesareia. Homilia sobre Lucas 12 ("Destruirei meus celeiros").

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre pleonexia e philargyria?

Philargyria é o amor ao dinheiro (). Pleonexia é o desejo de ter mais, mais amplo, que pode envolver bens, poder, prazer ou vantagem sobre o outro.

Por que Paulo chama a cobiça de idolatria?

Em ele identifica a pleonexia com a idolatria. A lógica comumente entendida é que quem confia na acumulação para segurança ou valor coloca os bens no lugar que pertence a Deus. Paulo não desenvolve o argumento nesse versículo.

O que Jesus quis dizer em Lucas 12:15?

Que a vida de uma pessoa não se mede pela quantidade de bens. O aviso vem em resposta a um pedido de arbitrar uma herança e abre a parábola do rico insensato, que guardou muito e perdeu a própria vida.

Pleonexia aparece fora de listas de pecados?

Sim. Em descreve a oferta dada com má vontade, e em e aparece em referência a mestres que exploram os outros, mostrando que a palavra também se aplica à conduta religiosa.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 03/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • πλεονεξία (pleonexia) em grego
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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