Pular para o conteúdo
Significado Bíblico
Dicionário bíblicoaramaicointermediária

Elah Elahin (Deus dos Deuses)

o que significa elah elahin na bíblia

A palavra no original

אֱלָהּ אֱלָהִין

elah elahin · Strong H426

'Deus' ou 'deus' — substantivo aramaico comum para divindade, sem carga própria de verdadeiro ou falso.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • divindade suprema
  • poder sobrenatural que se manifesta
  • objeto de culto verdadeiro ou falso
  • título de soberania absoluta

Resposta curta

Elah (אֱלָהּ) é a palavra aramaica para 'deus' ou 'Deus', equivalente ao hebraico eloah, raiz de elohim. Aparece nas seções aramaicas de Daniel e Esdras, além de uma ocorrência em . Em , depois de Daniel interpretar o sonho da estátua, o rei Nabucodonosor chama o Deus de Daniel de 'elah elahin' — 'Deus de deuses' — e 'mare malkin' — 'Senhor de reis'.

A repetição do plural logo após o singular forma um superlativo semítico — o mesmo recurso de 'cântico dos cânticos' e 'santo dos santos', usado para dizer 'o maior de todos'. No uso bíblico, elah nomeia tanto o Deus de Israel quanto deuses pagãos: em e 6 a mesma palavra designa os deuses da Babilônia e o Deus verdadeiro. O termo é neutro; o contexto decide a quem ele se refere.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

A fórmula superlativa 'Deus de deuses e Senhor de reis', usada por um rei pagão para descrever o Deus de Daniel, ecoa mais adiante na Escritura em um título quase idêntico aplicado a Jesus Cristo: 'Rei dos reis e Senhor dos senhores' (; 19:16; cf. ). O padrão retórico — repetir o mesmo tipo de palavra no singular e no plural para dizer 'o maior de todos' — é o elo estrutural entre os dois textos, não uma identificação direta de vocabulário: em aramaico fala-se de elah (deus) e mare (senhor), enquanto o Apocalipse, em grego, fala de basileus (rei) e kyrios (senhor). Ainda assim, a trajetória é clara: o reconhecimento involuntário de um império pagão de que existe um poder soberano acima de todos os poderes terrenos aponta, ao longo da revelação bíblica, para o momento em que esse reconhecimento se tornará universal e voluntário diante de Cristo.

Respaldo no Novo Testamento: ; 19:16

Em palavras simples

Elah é a palavra usada em aramaico, dentro da Bíblia, para dizer 'Deus' ou 'deus'. Ela aparece nos trechos de Daniel e Esdras escritos nessa língua. No capítulo 2 de Daniel, depois que Daniel explica o sonho do rei, Nabucodonosor reconhece que o Deus de Daniel é 'Deus dos deuses e Senhor dos reis' — uma forma de dizer que ele está acima de qualquer outro poder, humano ou espiritual. A mesma palavra também é usada, em outros versículos, para se referir aos ídolos da Babilônia.

De onde vem a palavra

O aramaico era a língua franca do Oriente Próximo antigo, usada em diplomacia e administração desde o período assírio até o persa. Por isso, partes da Bíblia hebraica foram escritas ou preservadas em aramaico: –6:18 e 7:12–26, e b–7:28. Justamente no meio dessas seções aramaicas, o termo elah (אֱלָהּ) aparece dezenas de vezes como a palavra padrão para 'deus' ou 'Deus', cognata do hebraico eloah, a forma singular por trás de elohim.

narra o sonho de Nabucodonosor com a estátua de metais diversos, que nenhum dos sábios da Babilônia conseguiu revelar nem interpretar. Daniel, com a ajuda de Deus, faz as duas coisas. A cena termina com o rei prostrado diante de Daniel e proferindo, no versículo 47, a fórmula 'elah elahin u-mare malkin' — 'Deus de deuses e Senhor de reis'. É a confissão de um monarca pagão, no auge do seu poder, reconhecendo que existe uma autoridade acima da sua e acima de todos os deuses que ele e seu império cultuavam.

Esse não é um caso isolado do uso da palavra. Ao longo de e 6, elah reaparece repetidamente — tanto para os 'deuses' de ouro e prata que Nabucodonosor manda o povo adorar () quanto para o Deus de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que os livra da fornalha e do fosso dos leões (; 6:20,22). Em Esdras, o mesmo termo designa o Deus de Israel nos decretos oficiais de reis persas (; 6:3,10; 7:12). Fora de Daniel e Esdras, a única outra ocorrência aramaica no Antigo Testamento é , versículo isolado em aramaico dentro de um livro hebraico, que usa a forma plural elahayya para condenar os deuses que 'não fizeram os céus e a terra'.

Esse pano de fundo ajuda a entender por que elah, em si, não é um nome exclusivo do Deus de Israel: é o substantivo comum aramaico para divindade, e cabe ao contexto — como em — determinar que ali ele se refere ao único Deus verdadeiro.

Aprofundamento

Elah (אֱלָהּ), segundo o léxico de Brown, Driver e Briggs e o dicionário de Koehler e Baumgartner (HALOT), é o substantivo aramaico comum para 'deus' ou 'Deus'. Filologicamente, pertence à mesma família semítica das palavras hebraicas el, eloah e elohim, e das cognatas ugarítica ('il) e árabe (ilah, raiz de Allah, 'o deus'). A forma aramaica elah corresponde de modo mais direto ao hebraico eloah — ambas formas singulares alargadas da raiz semítica bilítera 'l, presente também em El, título divino antigo do Oriente Próximo.

No hebraico bíblico, elohim, plural morfológico, é usado predominantemente com concordância verbal no singular para o Deus de Israel — fenômeno que gramáticos chamam de 'plural de majestade' ou 'plural intensivo'. O aramaico bíblico produz um efeito parecido de outro modo: em vez de flexionar o próprio nome de Deus no plural, justapõe o singular elah ao plural elahin numa construção genitiva — 'elah [de] elahin' — um superlativo semítico, o mesmo padrão de shir ha-shirim ('cântico dos cânticos', o mais excelente cântico) e qodesh haqqodashim ('santo dos santos', o lugar mais santo). Keil e Delitzsch, em seu comentário clássico sobre Daniel, observam que a dobradinha 'Deus de deuses' e 'Senhor de reis' (mare malkin) reflete a linguagem cortesã da época, em que títulos reais eram empilhados para expressar supremacia absoluta — e Nabucodonosor aplica ao Deus de Daniel o mesmo padrão retórico que a corte usava para exaltar o próprio rei.

Quanto ao número de Strong, elah recebe o código H426, que cobre a forma singular e suas flexões — estado absoluto, determinado e plural — dentro de um único verbete, prática comum nos léxicos tradicionais para palavras aramaicas do Antigo Testamento, de ocorrência limitada. Vine's Expository Dictionary observa que, embora elah seja etimologicamente neutro, podendo nomear qualquer divindade, o uso bíblico o emprega, quando o contexto é claro, para sustentar um contraste central: o poder aparente dos deuses do império contra o poder real do único Deus vivo — contraste que atravessa a 6 como fio condutor teológico do livro.

As traduções gregas antigas de Daniel — a versão de Teodocião, a mais citada na tradição cristã, e a Septuaginta mais antiga — vertem a expressão como 'theos ton theon' ('Deus dos deuses'), preservando em grego a mesma estrutura superlativa do aramaico, sinal de que os tradutores reconheceram bem o idiomatismo original. A Vulgata latina de Jerônimo segue o mesmo caminho com 'Deus deorum'. Essa convergência entre línguas tão distintas mostra que a fórmula não era um enigma restrito ao aramaico, mas um recurso retórico amplamente compreendido no mundo antigo para expressar supremacia absoluta, o que reforça a leitura de como confissão deliberada, não figura de linguagem obscura.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:'Elah Elahin' prova que a Bíblia aramaica reconhece a existência real de múltiplos deuses.

    A construção é um superlativo idiomático semítico — repetir a palavra no singular e depois no plural — não uma afirmação de politeísmo. O mesmo recurso aparece em 'santo dos santos' e 'cântico dos cânticos', que não implicam vários lugares santos ou vários cânticos supremos coexistindo; o texto usa uma linguagem que os próprios pagãos entendiam para expressar a supremacia absoluta de um único Deus.

  • Dizem que:Elah é uma palavra exclusivamente pagã, diferente do 'verdadeiro' nome hebraico de Deus.

    Elah é simplesmente a forma aramaica cognata do hebraico eloah, usada com naturalidade tanto para o Deus de Israel quanto para outras divindades, exatamente como elohim em hebraico. Não existe uma palavra 'sagrada' e outra 'pagã' — o mesmo termo serve aos dois usos, e é o contexto que define o referente em cada versículo.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Protestantismo reformado

    Reconhece a majestade de Deus revelada no episódio, mas entende a confissão de Nabucodonosor como um reconhecimento intelectual e político da soberania divina, não uma conversão salvífica plena — leitura reforçada pela idolatria do rei logo no capítulo seguinte, com a estátua de ouro.

  • Catolicismo

    Vê no título 'Deus de deuses' a afirmação da unicidade e universalidade de Deus sobre todos os poderes das nações, um degrau na revelação progressiva que prepara o reconhecimento futuro e universal da realeza de Cristo sobre todos os povos.

  • Ortodoxia oriental

    Entende a expressão como sinal de que a glória de Deus não se limita a Israel, mas se manifesta diante dos próprios impérios pagãos, antecipando a confissão universal que a tradição associa ao juízo final e à manifestação plena de Cristo.

  • Evangelicalismo

    Parte dos leitores toma a confissão como um momento real, ainda que incompleto, de fé pessoal de Nabucodonosor, lendo-a em continuidade com o amadurecimento espiritual do rei narrado mais tarde em .

O que fazer com isso

A confissão de Nabucodonosor em lembra que reconhecer a soberania de Deus não depende de origem, cultura ou religião anterior — mesmo um rei pagão, no centro do maior império de sua época, foi levado a declarar publicamente que havia uma autoridade acima da sua. O título 'Deus de deuses e Senhor de reis' convida o leitor a medir qualquer poder humano, político ou espiritual pela mesma régua: nenhum se compara ao Deus que revela mistérios e governa a história.

Passagens relacionadas7

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Francis Brown, S. R. Driver e Charles A. Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
  • James Strong. The Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Ludwig Koehler e Walter Baumgartner. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • C. F. Keil e Franz Delitzsch. Commentary on the Old Testament: Daniel, 1877.
  • W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of Old and New Testament Words, 1940.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que significa a expressão 'Elah Elahin' em Daniel 2:47?

É uma fórmula aramaica que significa literalmente 'Deus de deuses'. Ela repete a mesma palavra no singular e depois no plural para expressar o grau máximo, o mesmo padrão de 'cântico dos cânticos' ou 'santo dos santos'. O rei Nabucodonosor a usa para reconhecer que o Deus de Daniel está acima de todos os outros deuses conhecidos por ele.

Elah é a mesma palavra que Elohim?

Não exatamente, mas são palavras aparentadas. Elohim é hebraico e elah é aramaico; ambas vêm da mesma raiz semítica que também deu origem a el e eloah. Elah é o equivalente aramaico mais próximo de eloah, a forma singular por trás de elohim.

Por que existem trechos em aramaico dentro do livro de Daniel?

O aramaico era a língua internacional de governo e diplomacia no império babilônico e persa. Boa parte de a 7 registra decretos reais e eventos ligados diretamente à administração do império, por isso os capítulos foram escritos ou preservados nessa língua. O mesmo ocorre em partes do livro de Esdras.

Nabucodonosor se converteu de verdade ao dizer isso em Daniel 2:47?

O texto não afirma isso de forma explícita, e o próprio Nabucodonosor volta a exigir que o povo adore uma estátua de ouro logo no capítulo seguinte. Por isso, tradições cristãs leem esse momento de formas diferentes: algumas veem apenas um reconhecimento pontual do poder de Deus, outras uma etapa de um processo de fé que só amadurece em .

A palavra elah também é usada para deuses falsos na Bíblia?

Sim. Em , por exemplo, a mesma palavra elah designa tanto a estátua de ouro que Nabucodonosor manda adorar quanto o Deus verdadeiro que livra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego da fornalha. O termo em si é neutro; quem determina a quem ele se refere é o contexto da frase.

Palavras próximas

Temas

  • #elah
  • #aramaico
  • #daniel
  • #deus-dos-deuses
  • #strong-h426
  • #biblia-aramaica

Publicado em 09/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • אֱלָהּ אֱלָהִין (elah elahin) em aramaico, Strong H426
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

Esta palavra nas passagens explicadas

Expressões hebraicasDaniel 5:25-28

O que significa "mene, mene, tequel, upharsin"?

Durante um banquete do rei Belsazar, em Babilônia, dedos de uma mão surgem sozinhos e escrevem quatro palavras na parede do palácio. Nenhum sábio da corte consegue lê-las nem explicar o que significam. Chamado pela rainha-mãe, Daniel lê o texto em voz alta: "MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM" — palavras que eram nomes de unidades de peso e de moeda usadas no comércio babilônico, mas que também soavam, em aramaico, como os verbos contar, pesar e dividir.

Ler explicação →
ProfeciaDaniel 7:1-8

As quatro bestas de Daniel: o que o texto afirma e o que a tradição infere

Daniel vê, em sonho, quatro animais monstruosos subindo do mar — leão alado, urso com costelas na boca, leopardo de quatro cabeças, e uma quarta besta sem nome de animal conhecido, com dez chifres e um chifre pequeno que fala coisas arrogantes. O próprio capítulo, em sua segunda metade (7:15-27, fora do range ancorado aqui, mas indispensável para qualquer leitura séria), interpreta as bestas como "quatro reis" ou reinos que se levantarão da terra.

Ler explicação →
ProfeciaDaniel 11:31

O que é a abominação desoladora de Daniel 11:31?

Daniel 11:31 descreve um rei estrangeiro que enviaria tropas para profanar o santuário de Jerusalém, suspender o sacrifício contínuo e instalar ali uma "abominação assoladora". Os comentaristas identificam esse rei com Antíoco IV Epifânio, governante selêucida que, por volta de 167 a.C., invadiu o templo, interrompeu o culto judaico e ergueu sobre o altar dos sacrifícios um altar pagão, episódio registrado também fora da Bíblia e que provocou a revolta dos macabeus.

Ler explicação →

Um anjo foi barrado por 21 dias por um "príncipe da Pérsia"?

No terceiro ano do rei Ciro, Daniel passa três semanas em jejum e luto. Um ser de aparência impressionante aparece a ele e explica a demora: "desde o primeiro dia em que deste teu coração a entender, e a te afligir na presença de teu Deus, foram ouvidas tuas palavras". Mas acrescenta algo inesperado: "o príncipe do reino da Pérsia se pôs contra mim por vinte e um dias", até que Miguel, um dos "principais chefes", veio ajudá-lo.

Ler explicação →