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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Leis que não valem mais

O juramento com a mão sob a coxa

Por que Abraão pede que o servo jure colocando a mão sob sua coxa?

E disse Abraão a um criado seu, o mais velho de sua casa, que era o que governava em tudo o que tinha: Põe agora tua mão debaixo de minha coxa, E te juramentarei pelo SENHOR, Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais eu habito; Em vez disso irás à minha terra e à minha parentela, e tomarás mulher para meu filho Isaque. E o criado lhe respondeu: Talvez a mulher não queira vir atrás de mim a esta terra; farei voltar, pois, teu filho à terra de onde saíste? E Abraão lhe disse: Guarda-te que não faças voltar a meu filho ali. O SENHOR, Deus dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra de minha parentela, e me falou e me jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra; ele enviará seu anjo diante de ti, e tu tomarás dali mulher para meu filho. E se a mulher não quiser vir atrás de ti, serás livre deste meu juramento; somente que não faças voltar ali a meu filho. Então o criado pôs sua mão debaixo da coxa de Abraão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negócio.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

Em , Abraão faz seu servo mais confiável jurar, colocando a mão sob sua coxa, que não buscará esposa para Isaque entre as filhas dos cananeus, mas irá até a parentela de Abraão na Mesopotâmia. "Coxa" aqui é provável eufemismo hebraico para a região genital, e o gesto liga o juramento diretamente à descendência de Abraão e ao sinal da aliança gravado em sua própria carne pela circuncisão ().

O gesto soa estranho fora do contexto antigo, mas seguia uma lógica clara: jurar tocando a fonte física da linhagem prometida por Deus tornava o juramento diretamente amarrado à promessa que estava em jogo — o futuro daquela mesma descendência.

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

A busca cuidadosa de uma esposa apropriada para o filho da promessa, garantida por juramento solene, prefigura a preocupação bíblica maior com a pureza e a continuidade da linhagem messiânica, que o Novo Testamento traça, geração após geração, até chegar em Cristo.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Antes de morrer, Abraão pede que seu servo mais confiável jure, de um jeito bem específico para a época, que vai buscar uma esposa para Isaque na família de Abraão, e não entre os cananeus. O gesto de jurar com a mão sob a coxa provavelmente se referia à região genital, ligando a promessa diretamente ao futuro dos descendentes de Abraão e ao sinal da circuncisão que ele carregava no próprio corpo.

Contexto histórico

O capítulo 24 de Gênesis, um dos mais longos e detalhados do livro, narra a missão do servo mais velho de Abraão para encontrar esposa para Isaque, já depois da morte de Sara (capítulo 23). Abraão está velho, sente a proximidade da própria morte e trata da questão com urgência teológica: a promessa divina de descendência e terra depende diretamente de quem Isaque desposar, e Abraão recusa terminantemente qualquer união com as filhas dos cananeus, povo cuja idolatria e práticas religiosas seriam incompatíveis com a vocação especial da linhagem prometida.

O gesto de colocar a mão "sob a coxa" (tachat yereki) aparece também em , quando Jacó faz Joseph jurar da mesma forma antes de morrer, sugerindo que era um costume reconhecido de juramentos especialmente solenes dentro da própria família patriarcal, não uma invenção pontual de Abraão. A maioria dos comentaristas entende "coxa" como eufemismo hebraico comum para os órgãos genitais — o mesmo tipo de eufemismo aparece em outras partes do Antigo Testamento quando o texto evita nomear diretamente essa região do corpo.

A ligação simbólica entre o gesto e a descendência ganha ainda mais peso porque Abraão havia recebido a circuncisão, décadas antes, precisamente como "sinal da aliança" (ot berit) gravado nessa mesma parte do corpo (). Fazer o servo jurar tocando essa região específica reforça, de forma física e visceral, que o juramento não é sobre um detalhe administrativo qualquer, mas sobre o próprio futuro da promessa de Deus a Abraão, cujo sinal visível o patriarca carregava no próprio corpo desde o pacto firmado no capítulo 17.

Abraão também exige explicitamente que o servo não leve Isaque de volta à Mesopotâmia caso a mulher escolhida se recuse a vir (24:6,8), reforçando que a promessa da terra de Canaã, e não apenas a da descendência, está em jogo em todo o arranjo — Isaque precisava permanecer na terra prometida, mesmo que isso significasse liberar o servo do juramento nesse ponto específico.

Aprofundamento

A expressão hebraica tachat yereki (תַּחַת יְרֵכִי), "sob minha coxa", usa yarek (יָרֵךְ), termo cujo campo semântico no Antigo Testamento inclui tanto o quadril e a coxa literal quanto, por eufemismo, os órgãos reprodutivos — o mesmo termo aparece, por exemplo, em referindo-se aos descendentes de Jacó como "os que saíram de sua coxa", uso claramente relacionado à geração de filhos. Comentaristas como Gordon Wenham, em seu comentário WBC sobre Gênesis, e Victor Hamilton, no NICOT, concordam que o gesto do juramento em explora esse eufemismo de propósito, ligando o ato jurídico diretamente à questão reprodutiva que está no centro do capítulo: garantir descendência apropriada para o herdeiro da promessa.

Uma segunda linha de leitura, defendida por comentaristas judeus clássicos e discutida também por Nahum Sarna, conecta o gesto especificamente ao sinal da circuncisão: jurar tocando a região do corpo que carregava fisicamente o "sinal da aliança" () tornava o juramento uma extensão direta daquele pacto — o servo jurava, em certo sentido, sobre a própria aliança abraâmica encarnada, não apenas sobre uma promessa verbal separada. Essa leitura ajuda a explicar por que o mesmo gesto reaparece décadas depois, em , quando Jacó exige de Joseph o mesmo tipo de juramento antes de morrer, tratando-se novamente de uma questão ligada ao destino da linhagem e da promessa — o sepultamento do próprio Jacó em Canaã, e não no Egito.

Vale notar que esse gesto de juramento é diferente do costume, mais conhecido, de "passar entre as partes" de um animal sacrificado para selar pactos (visto em ), e também diferente do simples erguer da mão ao céu, mencionado em outros contextos de voto no Antigo Testamento, como . A variedade de gestos de juramento na Bíblia hebraica sugere que não havia um único rito fixo, e sim um repertório cultural de ações físicas simbólicas que reforçavam, cada uma à sua maneira, o peso e a seriedade da palavra dada diante de testemunhas e, em última instância, diante de Deus.

O próprio nome do servo não é mencionado no capítulo — a tradição posterior o identifica com Eliézer, citado antes em como o herdeiro presuntivo de Abraão antes do nascimento de Isaque —, o que reforça o quanto sua lealdade pessoal, e não apenas sua função, estava em jogo num juramento que o comprometia a viajar centenas de quilômetros e tomar uma decisão das mais delicadas da história da família sem poder consultar Abraão a cada passo do caminho.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:'Coxa' na Bíblia sempre se refere literalmente à perna, sem qualquer eufemismo.

    Em vários textos, incluindo , o termo hebraico yarek é usado claramente em relação à geração de descendentes, o que sustenta a leitura eufemística também em e 47.

Como diferentes tradições cristãs leem1 leitura

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Comentário judaico clássico (Rashi)

    Rashi lê o gesto como ligado ao mandamento da circuncisão, entendendo que o servo jurava, na prática, sobre o próprio sinal da aliança gravado no corpo de Abraão.

No original1 termo
  • יָרֵךְyarek3409

    'Coxa' ou 'quadril', termo que em e 47:29 funciona como eufemismo para a região genital, ligando o gesto do juramento à questão da descendência.

O que fazer com isso

O gesto estranho lembra que promessas sérias, em qualquer cultura, tendem a se ancorar em algo tangível — um aperto de mão, uma assinatura, um gesto físico — precisamente porque a palavra sozinha, por mais sincera, muitas vezes precisa de um símbolo concreto para carregar todo o peso de um compromisso que envolve o futuro de outras pessoas, não apenas quem o faz.

Passagens relacionadas5

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Fontes consultadas2 obras
  • Gordon J. Wenham. Genesis 16-50 (WBC), 1994.
  • Victor P. Hamilton. The Book of Genesis 18-50 (NICOT), 1995.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que jurar com a mão sob a coxa em Gênesis 24?

'Coxa' é provável eufemismo para a região genital, ligando o juramento à descendência de Abraão e ao sinal da circuncisão, sinal físico da aliança que ele carregava no corpo.

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Faz parte de

Publicado em 16/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 2 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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Leis que não valem maisGênesis 47:29-31

Jacó faz José jurar, de novo com a mão sob a coxa

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