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Significado Bíblico
Costumes da épocaintermediária
Ilustração da categoria Costumes da época

Por que os marinheiros lançaram sortes para descobrir o culpado da tempestade em Jonas 1:7-10?

Por que os marinheiros do navio de Jonas lançaram sortes para descobrir quem causava a tempestade, e por que a sorte caiu justamente sobre ele?

E disseram cada um a seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para sabermos por causa de quem este mal veio sobre nós. Então lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas. Então eles lhe disseram: Conta-nos, por favor, por que nos este mal nos veio. Qual é a tua profissão, e de onde vens? Qual é a tua terra, e de que povo és? E ele lhes respondeu: Sou hebreu, e temo ao SENHOR, o Deus dos céu, que fez o mar e a terra. Então aqueles homens tiveram um grande medo, e lhe disseram: Por que fizeste isto? Pois aqueles homens sabiam que ele estava fugindo do SENHOR, porque ele já havia lhes dito.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

Em , diante de uma tempestade que ameaça despedaçar o navio, os marinheiros decidem lançar sortes para descobrir por culpa de quem lhes sobreveio aquele mal, e a sorte cai sobre Jonas. Ele responde às perguntas deles com uma confissão: é hebreu, teme o Senhor, o Deus do céu que fez o mar e a terra seca, e está fugindo da sua presença. O costume do sorteio fazia parte do mundo antigo, em que desgraças naturais costumavam ser lidas como sinal de que alguém havia ofendido a divindade. A reação dos marinheiros, que se enchem de grande temor e perguntam o que ele fez, mostra pagãos mais sensíveis a Deus do que o profeta que dorme no porão. O texto não aprova a prática de sortes; mostra Deus conduzindo o resultado.

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Jonas dorme durante a tempestade e precisa ser acordado, e só se acalma o mar quando ele é lançado fora. Em , Jesus também dorme no barco durante a tempestade, mas ele mesmo fala ao vento e ao mar e os acalma, e os discípulos temem. O próprio Jesus chama Jonas de sinal (), embora o foco desse sinal seja o tempo no ventre do peixe, e não o sorteio.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Quando veio a tempestade, os marinheiros acharam que alguém no navio tinha provocado a ira de algum deus. Por isso lançaram sortes, um costume muito usado na época, e a sorte caiu sobre Jonas. Ele contou que era hebreu, adorava o Deus que fez o mar e a terra, e estava fugindo dele. Os marinheiros ficaram assustados e perguntaram por que ele tinha feito aquilo.

Contexto histórico

Jonas recebeu do Senhor a ordem de ir a Nínive, a grande cidade da Assíria, e clamar contra ela (1:1-2). Em vez de obedecer, desceu a Jope, achou um navio que ia a Társis e embarcou para fugir 'da presença do Senhor' (1:3). Társis ficava, segundo a maioria dos estudiosos, no extremo ocidente do Mediterrâneo, na direção oposta de Nínive, a nordeste. O Senhor então 'lançou' um vento forte sobre o mar, e a tempestade foi tão grande que o navio parecia prestes a se despedaçar (1:4). Os marinheiros, profissionais acostumados ao mar, tiveram medo e cada um clamou ao seu deus, enquanto lançavam a carga ao mar para aliviar o peso. Jonas, entretanto, havia descido ao porão do navio e dormia profundamente (1:5). O mestre do navio o encontrou e o repreendeu, ordenando que clamasse também ao seu deus, na esperança de que 'esse deus' se lembrasse deles (1:6). É nesse cenário que os versículos 7 a 10 se situam, e a pergunta que os move é prática: se a tempestade tem um culpado, é preciso achá-lo antes que todos morram. A resposta do mestre do navio, que pede a Jonas que clame ao seu deus, mostra que ele aceitava a ideia de que cada povo tinha o seu deus e de que algum deles poderia intervir. Os marinheiros dizem uns aos outros: 'Vinde, lancemos sortes, para sabermos por causa de quem nos sobreveio este mal'. Lançam, e a sorte cai sobre Jonas. Então o interrogam em cinco perguntas rápidas sobre a causa do mal, a ocupação, o lugar de onde vinha, a terra e o povo. Jonas responde com a profissão de fé que contrasta com a sua conduta: 'Sou hebreu e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca'. A confissão é irônica, porque ele diz temer a quem tenta evitar. O versículo 10 diz que os homens se encheram de grande temor e perguntaram 'Por que fizeste isso?', pois sabiam que ele fugia da presença do Senhor, porque ele lhes havia contado.

Aprofundamento

O sorteio era um recurso comum no mundo antigo para tomar decisões e descobrir culpados. Em Israel, as sortes servem para repartir a terra (), para identificar o culpado do pecado de Acã (), para apontar Jônatas no impasse com Saul () e para eleger Matias em lugar de Judas (). O livro de Provérbios resume a ideia ao dizer que a sorte se lança no regaço, mas toda a decisão vem do Senhor (). Entre os povos vizinhos, a prática também era conhecida: o livro de Ester relata que Hamã lançou o 'pur' para escolher o dia do extermínio dos judeus (). Entre os marinheiros de Jonas, que vinham de vários povos e invocavam vários deuses, o sorteio seria o método natural de lidar com uma crise que ninguém entendia. A lógica que o sustenta é a de que tempestades inexplicáveis são sinais de ira divina contra algum culpado a bordo. Essa ideia aparece também em , quando os habitantes de Malta, vendo a víbora presa à mão de Paulo, concluem que ele é um criminoso a quem a Justiça não deixa viver. O texto de Jonas não aprova o método. Ele apenas registra que o Deus de Israel, e não o acaso, controla o resultado, de modo que a sorte aponta exatamente para quem fugia. O quadro é carregado de ironia: o profeta que deveria levar a palavra de Deus a uma cidade pagã é identificado por pagãos e interrogado por eles. As perguntas dos marinheiros também têm um peso próprio. Eles não o atiram logo ao mar. Antes perguntam, ouvem a resposta e se assustam. Mais adiante, remam com força para tentar voltar à terra antes de lançá-lo (1:13), clamam ao Senhor para não serem culpados de sangue inocente (1:14) e, por fim, oferecem sacrifício e fazem votos (1:16). Os estudiosos chamam atenção para esse contraste: os pagãos obedecem ao Deus que o profeta desobedece. Leituras tradicionais veem no episódio também um prenúncio da missão aos gentios que o livro desenvolverá em Nínive. Há ainda quem note que a sorte só funciona porque Deus decide agir. Outros veem o livro como uma narrativa de ironia calculada. O ponto que permanece é que o texto, sem usar a linguagem de aprovação ou condenação, coloca o sorteio dentro de um quadro maior: a mão do Senhor sobre o mar, os marinheiros e o profeta.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Jonas foi lançado ao mar por pura superstição dos marinheiros, sem que Deus tivesse relação com isso.

    O texto afirma que foi o Senhor quem lançou o vento sobre o mar (1:4) e que a sorte caiu sobre Jonas. A superstição dos marinheiros é o meio, mas a narrativa apresenta Deus como quem conduz o resultado.

  • Dizem que:A passagem ensina que cristãos devem decidir questões importantes lançando sortes.

    O texto descreve o que os marinheiros fizeram, e não manda que se repita. A única outra ocasião no Novo Testamento é a escolha de Matias (), antes do Pentecostes, e depois dela o método não reaparece.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura providencial

    Deus guia o resultado da sorte, e o episódio mostra a soberania divina sobre o mar, o vento e até sobre práticas pagãs. A tradição reformada costuma enfatizar essa leitura com apoio em .

  • Leitura literária e irônica

    Comentaristas como Jack Sasson destacam a ironia: pagãos oram, perguntam e se arrependem, enquanto o profeta dorme e foge. O sorteio é um recurso da narrativa para expor a desobediência de Jonas.

No original2 termos
  • גּוֹרָלgoralH1486

    'Sorte', pedra ou marca usada em sorteio. No plural, 'sortes' (goralot), é o termo que os marinheiros usam em .

  • יִרְאָהyareH3372

    Verbo 'temer'. Jonas diz 'temo ao Senhor', e os marinheiros 'se enchem de grande temor' (1:9-10), usando a mesma raiz com sentidos bem diferentes.

O que fazer com isso

A cena mostra que fugir de Deus raramente deixa as pessoas ao redor ilesas. Também mostra que pessoas de fora podem demonstrar mais temor e sensibilidade do que os que se dizem de dentro. Quando alguém reconhece o erro com honestidade, como Jonas ao confessar, abre o caminho para que o problema seja enfrentado, ainda que as consequências sejam difíceis. A honestidade, nesse caso, é o primeiro passo para a solução.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • Jack M. Sasson. Jonah (Anchor Bible), 1990.
  • Douglas Stuart. Hosea-Jonah (Word Biblical Commentary), 1987.
  • T. Desmond Alexander. Jonah (Tyndale Old Testament Commentaries), 1988.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que os marinheiros não jogaram Jonas ao mar na hora?

O texto mostra que eles primeiro o interrogam e ouvem a confissão. Depois tentam remar de volta à terra (1:13) e só então, orando ao Senhor, o lançam. Mostram cuidado com uma vida que consideravam inocente.

Lançar sortes era aceito na Bíblia?

Sim, em alguns casos, como na divisão da terra e na escolha de Matias. Mas a Bíblia não faz disso uma regra para todas as decisões, e mostra que a decisão pertence a Deus.

Temas

  • #jonas
  • #sortes
  • #tempestade
  • #marinheiros
  • #costume-antigo
  • #tarsis
  • #fuga-de-deus

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Continue por aqui

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