
As línguas de Pentecostes eram idiomas reais?
Qual a diferença entre as línguas de Atos 2 e as de 1 Coríntios 14?
E eles foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes dava a discursarem.
Resposta curta
Em , eram idiomas reais, e o texto prova isso de duas maneiras: os ouvintes "ouviam falar cada um na sua própria língua", e Lucas lista quinze regiões de origem, uma a uma.
A diferença com é o que gera discussão. Ali, Paulo diz que "quem fala em língua não fala aos homens, senão a Deus, porque ninguém o entende", e exige intérprete na reunião.
As duas descrições não coincidem, e as leituras cristãs se dividem sobre se descrevem o mesmo fenômeno.
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoPedro explica o evento citando e o encerra em Cristo: "a este Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo". E dá o mecanismo — "exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis". As línguas de Pentecostes são apresentadas como consequência da ascensão.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
Nesse episódio específico, eram idiomas reais e identificáveis — o texto lista mais de uma dezena de regiões diferentes, uma a uma, e diz que cada ouvinte escutava na própria língua materna. Isso é diferente do que aparece em outra carta do Novo Testamento, onde a mesma expressão descreve algo que ninguém entende sem um intérprete presente. Cristãos discutem se são o mesmo fenômeno ou coisas diferentes, e a discussão continua até hoje.
O que ninguém contesta é a direção do milagre: ninguém precisou aprender a língua de quem estava pregando — foram os que falavam que se ajustaram à língua de quem ouvia. É o oposto do que normalmente acontece em grupos religiosos, onde quem chega precisa aprender o vocabulário de dentro para participar. Aqui, a mensagem foi ao encontro das pessoas, na língua da casa de cada uma.
Contexto histórico
Pentecostes era a festa das semanas, cinquenta dias depois da Páscoa, e uma das três em que judeus de todo o mundo subiam a Jerusalém.
Lucas registra a presença de "judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu" — e depois lista: partos, medos, elamitas, e os moradores da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto, Ásia, Frígia, Panfília, Egito, partes da Líbia, Roma, Creta e Arábia.
A lista é longa demais para ser decorativa. Ela existe para estabelecer que as línguas eram muitas e identificáveis.
A reação dividida também é registrada: uns se admiram, outros zombam e dizem "estão cheios de mosto".
E Pedro começa o sermão respondendo à zombaria, e citando Joel.
Aprofundamento
As posições cristãs sobre a relação entre os dois textos são três.
A primeira sustenta que são o mesmo fenômeno. Em , o milagre estaria na audição — cada um ouvia na própria língua — e o dom em si seria a fala inspirada que 1 Coríntios descreve. Argumento a favor: o texto diz duas vezes "ouviam", enfatizando a percepção. Argumento contra: diz que eles "começaram a falar em outras línguas".
A segunda sustenta que são fenômenos distintos. registra idiomas reais para um propósito específico e inaugural; 1 Coríntios descreve outra coisa, dirigida a Deus e necessitando de intérprete. Argumento a favor: as descrições realmente não coincidem. Argumento contra: Lucas usa a mesma expressão, *glossais lalein*, em e 19, sem lista de idiomas.
A terceira observa que o Novo Testamento não define o dom com precisão suficiente para fechar a questão, e que o próprio Paulo trata do assunto sob a ótica da ordem na reunião, não da natureza do fenômeno.
O ensino prático de é claro em qualquer das leituras. Paulo estabelece que na assembleia a edificação é o critério — "prefiro falar cinco palavras com o meu entendimento… do que dez mil palavras em língua". Manda que haja intérprete, que falem no máximo dois ou três, por vez, e que tudo seja feito "decentemente e com ordem".
E registra que ele mesmo falava em línguas "mais do que todos vós", o que impede tratar o capítulo como rejeição do dom.
Sobre a continuidade dos dons hoje, cristãos divergem — cessacionistas e continuístas discutem o tema há séculos, com base principalmente em , e essa é uma discussão distinta da natureza do fenômeno em .
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:Em Pentecostes o milagre foi só na audição.
diz que eles "começaram a falar em outras línguas". A ênfase na audição existe, e o texto afirma as duas coisas — falar e ouvir.
Dizem que:Atos 2 e 1 Coríntios 14 descrevem exatamente o mesmo fenômeno.
As descrições não coincidem: em Atos há idiomas identificados por ouvintes; em 1 Coríntios, Paulo diz que ninguém entende e exige intérprete. Cristãos divergem sobre se é o mesmo dom.
Dizem que:Paulo era contra falar em línguas.
Ele escreve "dou graças a Deus, que falo mais línguas do que vós todos" e "não proibais falar línguas". O que ele regula é o uso na assembleia, com o critério da edificação.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Mesmo fenômeno
O dom é único, e registra uma manifestação em que houve compreensão. Sustentada pela repetição do verbo "ouvir"; enfrenta a afirmação direta de que falaram outras línguas.
Fenômenos distintos
traz idiomas reais para um evento inaugural; 1 Coríntios descreve outra coisa. Explica bem a divergência de descrição; enfrenta o uso do mesmo vocabulário por Lucas em e 19.
Definição em aberto
O Novo Testamento não define o fenômeno com precisão suficiente, e Paulo trata do tema pela ótica da ordem. Posição cautelosa, adotada por vários comentaristas.
No original3 termos
γλῶσσαglossa
"Língua" — o órgão e o idioma. A ambiguidade em grego é a mesma do português, e está no centro da discussão.
διάλεκτοςdialektos
"Língua, dialeto". A palavra usada em e 2:8 — "na sua própria língua" —, que designa idioma específico.
ἑρμηνευτήςhermeneutes
"Intérprete". Paulo exige a presença de um em , sem o qual manda que a pessoa se cale na assembleia.
O que fazer com isso
O que estabelece, e que nenhuma leitura contesta, é a direção do milagre.
Ninguém precisou aprender a língua dos apóstolos. Foram os apóstolos que falaram na língua de quem ouvia.
É o inverso do que acontece na maioria das instituições religiosas, onde quem chega precisa aprender o vocabulário de dentro para participar.
A lista de quinze regiões existe para marcar isso. E o efeito descrito é preciso: "ouvimos cada um em nossa própria língua em que somos nascidos" — não apenas compreensível, mas a língua de casa.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas3 obras
- Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
- Henry Alford. The Greek Testament, 1863.
- Albert Barnes. Notes on the Bible, 1834.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que Lucas lista quinze regiões?
Para estabelecer que as línguas eram muitas e identificáveis. A lista cobre de leste a oeste o mundo conhecido, e alguns comentaristas veem nela um eco invertido da tabela das nações de .
Os dons continuam hoje?
Cristãos divergem, e a discussão gira principalmente em torno de . É uma questão distinta da natureza do fenômeno em , e vale não misturar as duas.
Qual é a regra de Paulo para a reunião?
No máximo dois ou três, por vez, e sempre com intérprete; sem intérprete, que a pessoa se cale e fale consigo mesma e com Deus. O critério declarado é a edificação de quem ouve.
Temas
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