Vento e fogo no Pentecostes: por que Lucas escolheu esses dois sinais?
No dia de Pentecostes, os discípulos reunidos ouvem "um ruído, como de um vento veemente e impetuoso" e veem "línguas repartidas, como que de fogo" pousarem sobre cada um deles (Atos 2:2-3). A escolha desses dois sinais não é arbitrária. Em hebraico, ruach, e em grego, pneuma, a mesma palavra significa tanto "vento" quanto "espírito" ou "sopro", um jogo linguístico que o Antigo Testamento já explorava deliberadamente, como em Ezequiel 37, onde o sopro reanima ossos secos. O fogo, por sua vez, remete a teofanias marcantes do Antigo Testamento, a sarça ardente que não se consumia (Êxodo 3:2) e a presença de Deus descendo sobre o Sinai "em fogo" (Êxodo 19:18). Lucas escolhe imagens que a audiência judaica reconheceria como vocabulário tradicional de manifestação divina.