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Significado Bíblico
Profeciaintermediária
Ilustração da categoria Profecia

Por que o oficial duvidou da profecia de Eliseu sobre a fartura em Samaria, em 2 Reis 7:1-2?

O que aconteceu com o oficial que não acreditou que Deus traria comida a Samaria durante o cerco?

Disse então Eliseu: Ouvi a palavra do SENHOR: Assim disse o SENHOR: Amanhã a estas horas a medida de boa farinha valerá um siclo, e duas medidas de cevada um siclo, à porta de Samaria. E um príncipe sobre cuja mão o rei se apoiava, respondeu ao homem de Deus, e disse: Se o SENHOR fizesse agora janelas no céu, seria isto assim? E ele disse: Eis que tu o verás com teus olhos, mas não comerás disso.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

Em , Samaria está cercada pelos sírios e sofre uma fome terrível. Eliseu anuncia que no dia seguinte, àquela hora, uma medida de flor de farinha custará um siclo, e duas de cevada outro, à porta da cidade. O oficial em cujo braço o rei se apoia reage com ironia: ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia acontecer tal coisa? Eliseu responde que ele verá com os próprios olhos, mas não comerá. O gancho é a resposta do profeta, que prevê o desfecho do oficial. O restante do capítulo mostra o cumprimento: os sírios fogem, o povo saqueia o acampamento, e o oficial morre pisoteado à porta, como foi dito.

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

A abundância dada onde havia fome lembra o tema do pão que Deus provê, retomado por Jesus ao dizer que é o pão da vida. O texto de não faz essa ligação, e o respaldo é de tema, não de tipologia direta.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Samaria estava cercada e passava fome. Eliseu disse que, no dia seguinte, a farinha e a cevada custariam muito pouco na porta da cidade. Um oficial do rei zombou, dizendo que nem se Deus abrisse janelas no céu isso aconteceria. Eliseu respondeu que ele veria, mas não comeria. No dia seguinte, os sírios fugiram, a comida abundou, e o oficial morreu pisoteado.

Contexto histórico

O cenário de é o cerco de Samaria por Ben-Hadade, rei da Síria, descrito em . A fome é tão extrema que uma cabeça de jumento é vendida por oitenta siclos de prata e uma pequena porção de esterco de pombas por cinco. Em 6:28-29, duas mulheres combinam comer os próprios filhos, e uma delas reclama ao rei porque a outra escondeu o seu. O rei de Israel rasga as vestes e vê que, por baixo, usa pano de saco, mas, em vez de se voltar a Deus, jura matar Eliseu, culpando o profeta pela situação. Eliseu está em casa, com os anciãos, e manda trancar a porta ao mensageiro do rei. É nesse impasse que o capítulo 7 se abre. Eliseu diz: ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor: amanhã, a estas horas, uma medida de flor de farinha custará um siclo, e duas medidas de cevada outro, à porta de Samaria. A medida é o seá, que era cerca de sete litros, e o siclo era uma peça de prata. O anúncio é de preços baixos, que seriam normais em tempo de paz, em contraste com os preços absurdos de 6:25. O oficial, em hebraico shalish, é o auxiliar de confiança do rei, em cujo braço o rei se apoia, e sua resposta mostra o ceticismo da corte. Ele diz que, mesmo que o Senhor abrisse janelas no céu, aquilo não aconteceria. A expressão janelas do céu é carregada: em e 8:2, as janelas do céu se abrem para o dilúvio e se fecham para o fim dele, e em se abrem para derramar bênção. Ao usá-la, o oficial invoca um milagre cósmico como o único meio que consideraria suficiente, e conclui que nem isso bastaria. É uma fala sarcástica, dirigida ao profeta e, por tabela, ao Deus que ele diz representar. A resposta de Eliseu, em 7:2, completa a cena e dá o tom do capítulo: o que o oficial julga impossível acontecerá, e ele não participará.

Aprofundamento

A resposta de Eliseu é breve: eis que o verás com os teus olhos, mas dele não comerás. É uma sentença dupla, de promessa e de exclusão. O oficial não duvidou de uma opinião humana, mas de uma palavra introduzida como a palavra do Senhor. Isso explica a gravidade do desfecho. O restante do capítulo desenvolve a ironia. Quatro leprosos, que ficavam à porta da cidade e não podiam entrar por causa da doença, decidem, em 7:3-4, ir ao acampamento dos sírios, pensando que, se ficarem, morrerão de fome, e se forem, no máximo serão mortos. Chegando lá, encontram o acampamento vazio. O texto explica em 7:6-7 que o Senhor fizera os sírios ouvirem um estrondo de carros, cavalos e grande exército, e eles fugiram, deixando tendas, animais e provisões. Os leprosos comem, bebem, escondem prata e ouro, e depois, pesados na consciência, decidem avisar a cidade. O rei desconfia, achando que é uma armadilha, e envia cavaleiros para verificar. O caminho para o Jordão está cheio de roupas e utensílios jogados pelos sírios. O povo saqueia o acampamento, e os preços caem conforme o profeta dissera. O oficial, a quem o rei encarregara de guardar a porta, é pisoteado pela multidão e morre (7:17-20), como Eliseu falara. O texto repete que tudo se deu conforme a palavra do homem de Deus. Alguns comentaristas apontam a ironia cuidadosa da narrativa, que faz o desfecho obedecer ponto por ponto à frase do profeta: o homem que ia supervisionar a entrada do alimento é esmagado pela fartura. Outros observam que o oficial representa a corte, a incredulidade que o rei também demonstrara. O texto não atribui a morte a uma intervenção sobrenatural direta, mas ao tumulto do povo faminto. A narrativa não oculta a dureza, e não pede que a leiamos como regra de que toda dúvida será punida. Ela se refere a um homem específico que ridicularizou uma palavra expressa de Deus. Note-se também que o profeta fala em nome do Senhor sem fórmula de milagre, apenas com um preço e um prazo, o que torna a promessa fácil de verificar e difícil de ignorar. Vale lembrar o pano de fundo: o rei havia jurado matar Eliseu, e é o profeta ameaçado quem traz a palavra de vida à cidade que o rei governava. Também chama a atenção que a salvação de Samaria venha por meio de leprosos, marginalizados e desprezados, e não do exército nem do rei, o que reforça a tese de que a libertação não depende dos meios que a corte considera possíveis.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:O oficial foi punido por duvidar de Eliseu como pessoa.

    O texto mostra que a dúvida era dirigida à palavra que Eliseu introduz como a palavra do Senhor, e a resposta do profeta se refere ao que o oficial verá e não comerá, não a um conflito pessoal.

  • Dizem que:A fuga dos sírios foi apenas uma coincidência favorável aos leprosos.

    O narrador diz em 7:6 que foi o Senhor quem fez os sírios ouvirem o estrondo de carros e de exército. A história se apresenta como cumprimento de palavra profética, e não como acaso.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura da ironia literária

    Muitos comentaristas veem na morte do oficial pisoteado à porta uma ironia calculada da narrativa: o homem que zombou da abundância é vítima dela. O desfecho serve de aviso e de sinal de fidelidade da palavra profética.

  • Leitura sobre o contraste com os leprosos

    Outros destacam que a libertação vem por meio dos leprosos, marginais, e não do rei nem do exército. A comparação entre o oficial que tem lugar na corte e os excluídos que carregam a boa notícia é central ao capítulo.

No original3 termos
  • שֶׁקֶלsheqelH8255

    Siclo, unidade de peso de prata usada como medida de valor. Em , um siclo compra uma medida de flor de farinha, preço normal em tempo de paz.

  • דָּבָרdavarH1697

    Palavra, coisa, assunto. Em , Eliseu começa com ouvi a palavra do Senhor, e o capítulo insiste que tudo ocorreu conforme essa palavra (7:16-20).

  • אֲרֻבּוֹתarubbot

    Janelas, aberturas, também comportas. Em vem na expressão janelas do céu, imagem ligada ao dilúvio em e à bênção em .

O que fazer com isso

A cena avisa contra o cinismo que usa a ironia para desqualificar toda esperança, sobretudo quando a situação parece sem saída. Não é um convite a uma fé sem perguntas: o próprio texto mostra o rei com desconfiança legítima. O que ela descreve é a dureza de escolher a zombaria quando uma palavra de Deus é ouvida, e a ironia dos meios que Deus usa.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • Iain W. Provan. 1 and 2 Kings (New International Biblical Commentary), 1995.
  • Richard D. Nelson. First and Second Kings (Interpretation), 1987.
  • Marvin A. Sweeney. I and II Kings: A Commentary (Old Testament Library), 2007.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que Eliseu profetizou sobre Samaria em 2 Reis 7:1?

Que no dia seguinte, àquela hora, uma medida de flor de farinha custaria um siclo, e duas medidas de cevada outro, à porta de Samaria, em contraste com os preços de fome do cerco.

O que aconteceu com o oficial que duvidou?

Eliseu disse que ele veria o acontecido mas não comeria. Em , o oficial é pisoteado pelo povo à porta da cidade e morre, como o profeta havia dito.

Temas

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  • #cerco
  • #oficial
  • #2-reis-7
  • #fome
  • #janelas-do-ceu
  • #profecia

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Continue por aqui

Profecia2 Reis 7:17-20

O oficial pisoteado exatamente como Eliseu havia previsto

Durante um cerco devastador da Síria contra Samaria, com fome tão extrema que o texto relata canibalismo, Eliseu profetiza que, no dia seguinte, comida abundante seria vendida a preço baixíssimo no portão da cidade. Um oficial próximo do rei duvida abertamente, questionando como isso seria possível mesmo que Yahweh abrisse janelas no céu. Eliseu responde que esse oficial veria a profecia se cumprir, mas não chegaria a comer da comida.

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Profecia2 Reis 8:11-13

Eliseu chora ao ver o mal que Hazael fará a Israel

Eliseu está em Damasco quando Ben-Hadade, rei da Síria, gravemente doente, envia seu oficial Hazael para perguntar ao profeta se vai sobreviver. Eliseu manda responder ao rei que sim, mas revela a Hazael, em particular, que ele certamente morrerá. Em seguida, o homem de Deus fixa o olhar no rosto de Hazael até deixá-lo visivelmente sem jeito, e então chora.

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Profecia2 Reis 9:25-26

Jeú mata Jorão exatamente no campo de Nabote — e lembra a profecia enquanto faz isso

Depois de flechar Jorão, rei de Israel e filho de Acabe, em plena fuga de carro, Jeú dá uma ordem específica ao seu oficial Bidcar: jogar o corpo no campo que fora de Nabote, o jezreelita. Ele não apenas cumpre uma execução política, mas narra, no mesmo instante, por que aquele lugar não é aleatório, recordando a palavra que o Senhor falara contra Acabe através de Elias, décadas antes, depois do assassinato de Nabote e do confisco de sua terra. O verbete explora esse raro momento em que um personagem bíblico age como comentarista da própria ação, citando explicitamente uma profecia antiga enquanto a cumpre, e o que isso revela sobre como a narrativa de Reis entende justiça retributiva ao longo do tempo.

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Profecia2 Reis 20:12-19

Ezequias exibe os tesouros do reino a enviados babilônios e ouve a profecia do exílio

Em 2 Reis 20:12-19, depois de se recuperar de uma doença grave, Ezequias recebe enviados do rei babilônico Merodaque-Baladã e, por orgulho ou ingenuidade diplomática, mostra a eles todo o tesouro do reino — prata, ouro, especiarias, óleo precioso e o arsenal militar. O profeta Isaías então anuncia que tudo o que Ezequias exibiu será levado para a Babilônia, junto com seus próprios descendentes, que servirão como eunucos no palácio babilônico.

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Profecia2 Reis 9:33-37

A morte de Jezabel cumpre a profecia de Elias ao pé da letra

Em 2 Reis 9:33-37, Jeú ordena que Jezabel seja jogada da janela do palácio em Jezreel. Ela morre na queda, cavalos a pisoteiam, e quando alguém finalmente vai enterrá-la, só restam o crânio, os pés e as palmas das mãos — cães já haviam comido o resto. Jeú então lembra, quase como quem confere uma lista, que Elias tinha profetizado exatamente isso em 1 Reis 21:23: os cães comeriam Jezabel no campo de Jezreel.

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Profecia2 Reis 23:15-20

O cumprimento exato da profecia de 1 Reis 13, trezentos anos depois

Em 1 Reis 13, um profeta anônimo de Judá anuncia, ainda no reinado de Jeroboão, que um rei chamado Josias destruirá o altar idólatra de Betel e queimará sobre ele os ossos dos sacerdotes das colinas — citando o nome do futuro rei quase trezentos anos antes de ele nascer. Em 2 Reis 23:15-20, Josias cumpre a profecia ponto por ponto: derruba o altar, queima os ossos ali encontrados e reduz o lugar a pó.

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Profecia2 Reis 15:8-10

O rei que durou seis meses: assassinato e profecia em 2 Reis 15

Zacarias, filho de Jeroboão II, tornou-se rei de Israel e reinou apenas seis meses. Como quase todos os reis do Norte antes dele, fez o que era mau aos olhos do Senhor e não se afastou dos pecados de idolatria instituídos por Jeroboão I. Seu reinado terminou de forma violenta: Salum, filho de Jabes, conspirou contra ele, feriu-o em presença do povo e o matou, tomando o trono em seu lugar.

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Profecia1 Reis 14:1-6

A Esposa de Jeroboão Diante do Profeta Cego

Jeroboão, primeiro rei do reino do Norte, tem um filho gravemente doente. Embora tenha criado bezerros de ouro em Betel e Dã, ele recorre em segredo ao profeta que anos antes lhe anunciou o trono: Aías, de Siló. Manda a esposa se disfarçar de camponesa, levando pão, bolos e mel — presentes modestos — para que ninguém a reconheça pelo caminho.

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Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.