Terá, pai de Abraão
Quem foi Terá, o pai de Abraão?
Ficha do personagem
Cerca do início do segundo milênio a.C.; Ur dos caldeus e Harã
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Resposta curta
Terá foi o pai de Abraão, Naor e Harã e o chefe da família que saiu de Ur dos caldeus em direção a Canaã, segundo . A viagem foi interrompida em Harã, no norte da Mesopotâmia, onde ele se estabeleceu e morreu aos 205 anos. Antes disso, enterrou o filho Harã, pai de Ló, que morreu em Ur. acrescenta que Terá e seus antepassados serviam a outros deuses além do Senhor. O texto, porém, não explica por que a família partiu, nem por que parou no caminho, e a ordem de Deus a Abraão aparece apenas depois, em . O que se pode dizer com segurança é limitado, e o restante é inferência ou tradição posterior.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoTerá aparece em , na genealogia que liga Jesus a Abraão e, mais adiante, a Adão. A presença de um nome que associa ao serviço de outros deuses mostra uma linha de ascendência humana sem pedigree religioso perfeito, e o texto não esconde essa origem. Isso não faz de Terá uma figura de Cristo. Indica apenas que a genealogia de Jesus passa por uma família com passado religioso complexo, o que combina com a ênfase do Novo Testamento na graça, como em , onde Abraão é apresentado como alguém a quem a fé foi atribuída como justiça.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Terá foi o pai de Abraão, de Naor e de Harã. Ele morava em Ur, na Mesopotâmia, e partiu com Abraão, sua nora Sarai e o neto Ló em direção a Canaã. A família parou na cidade de Harã, e ali Terá morreu, com 205 anos. A Bíblia diz que ele e seus antepassados serviam outros deuses, mas não explica por que a família saiu de Ur. Quem conta mais sobre isso são tradições judaicas e outras posteriores, não a própria Bíblia.
O mundo dele
Terá aparece na genealogia de como descendente de Sem, na linha que liga Noé a Abraão. diz que, aos 70 anos, ele gerou Abrão, Naor e Harã. Harã, o filho que morreu antes do pai em Ur dos caldeus, foi pai de Ló, de Milca e de Iscá (). Naor casou-se com Milca, sua sobrinha, e Abrão com Sarai, que apresenta como meia-irmã dele, filha do mesmo pai. A mãe de Abrão não é nomeada.
O ambiente é a Mesopotâmia, a região entre os rios Tigre e Eufrates. “Ur dos caldeus” é a cidade de partida, e sua localização é debatida: a proposta mais difundida a identifica com Tell el-Muqayyar, no sul do atual Iraque, mas há estudiosos que sugerem uma Ur do norte. O termo “caldeus”, em geral ligado a um povo que se destacou na Babilônia no primeiro milênio a.C., pode ser uma atualização do texto e não uma designação do tempo de Terá. Harã, destino da primeira etapa, ficava no norte da Mesopotâmia, na região do rio Balique, hoje no sudeste da Turquia. Ur e Harã eram centros do culto ao deus-lua, Sin, o que se atesta com clareza em períodos posteriores; a ligação com a época de Terá é provável, mas não demonstrada.
A data geralmente proposta para a vida de Terá é o início do segundo milênio a.C., mas o texto não a fornece e as cronologias bíblicas são discutidas. usa uma formulação que atribui a iniciativa a Terá: ele “tomou” Abrão, Ló e Sarai, e “saíram juntos de Ur dos caldeus, para irem à terra de Canaã”. Mais adiante, e dizem que foi o Senhor quem tirou Abrão de Ur, e afirma que o Deus da glória apareceu a Abraão ainda na Mesopotâmia, antes de ele habitar em Harã. Esses textos sugerem que o chamado de Abraão começou em Ur e que a migração da família se relaciona com ele, embora atribua a liderança a Terá.
A história
é a única passagem do Antigo Testamento que fala da religião de Terá: “Além do Rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses”. O discurso de Josué em Siquém retoma essa origem para lembrar ao povo que o Senhor chamou Israel a partir de uma família que não o servia. A ênfase do texto não é biográfica: ele lembra que a escolha divina precede o mérito dos antepassados. não menciona idolatria, e nenhuma passagem bíblica descreve Terá como fabricante de ídolos.
A migração aparece em . Terá leva Abrão, Ló e Sarai de Ur e chega a Harã, onde fica. Ele morre ali, aos 205 anos. Isso gera uma dificuldade de números: se Abrão nasceu quando Terá tinha 70 anos, Terá teria 145 anos quando Abrão deixou Harã, aos 75 (), e ainda viveria 60 anos. Mas diz que Abraão partiu de Harã “depois que seu pai morreu”. A explicação tradicional, já discutida por Agostinho, é que Abrão, citado primeiro em por sua importância, pode ter nascido depois dos irmãos, quando Terá tinha cerca de 130 anos; assim, Terá morreria aos 205, quando Abrão tinha 75. O Pentateuco Samaritano resolve a questão de outro modo, dando a Terá 145 anos de vida, o que faria a morte coincidir com a saída de Abrão.
Os motivos da saída de Ur não são informados. diz só que se dirigiam a Canaã, o que sugere um destino planejado, mas não explica por quê, nem por que se estabeleceram em Harã. Hipóteses modernas mencionam dificuldades econômicas ou políticas, ou o chamado de Abraão; nenhuma é afirmada no texto. Em resumo, o que o texto permite afirmar é a direção (Canaã), a parada (Harã) e o fim (a morte de Terá ali), e não as razões da viagem.
Em tradições posteriores, Terá ganha traços mais definidos. O Midrash Gênesis Rabá 38 conta que ele fabricava e vendia ídolos e que Abraão os quebrou; essa narrativa não está na Bíblia, mas se tornou muito difundida. A tradição islâmica fala de Azar, pai ou parente próximo de Abraão que adorava ídolos (Alcorão 6:74), e alguns estudiosos o relacionam a Terá, embora a identificação seja debatida.
A família de Terá continua a aparecer depois dele. Naor ficou em Harã, e de sua descendência vem Rebeca, esposa de Isaque (), assim como Labão e as esposas de Jacó. O texto preserva assim a ligação entre os patriarcas e esse grupo da Mesopotâmia.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Terá era fabricante de ídolos, e Abraão destruiu os ídolos da loja do pai.
Essa história vem do Midrash Gênesis Rabá 38, escrito séculos depois, e não de Gênesis. A Bíblia diz apenas que Terá e seus antepassados “serviram a outros deuses” (), sem mencionar ofício, loja ou ídolos quebrados.
Dizem que:Terá morreu em Ur, antes de a família partir para Canaã.
Quem morreu em Ur foi o filho Harã (). Terá saiu de Ur com a família, estabeleceu-se em Harã e morreu ali, aos 205 anos ().
Dizem que:Foi Terá quem recebeu de Deus a ordem de ir para Canaã.
O chamado registrado está em e é dirigido a Abrão. Terá lidera a viagem em , mas o texto não relata nenhuma palavra de Deus a ele. , e colocam a iniciativa divina em Abrão.
Como diferentes tradições cristãs leem4
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
O Midrash Gênesis Rabá 38 desenvolve a figura de Terá como fabricante de ídolos e coloca nas mãos de Abraão a destruição das imagens. Essa tradição busca explicar por que Abraão se separa do ambiente religioso do pai e preenche o silêncio de , em harmonia com .
Patrística latina
Agostinho, em A Cidade de Deus (livro 16), discute os números de e 12:4 e propõe que Abraão tenha nascido quando Terá tinha 130 anos, de modo que a morte de Terá antecederia a saída de Harã, como afirma . Ele vê na família de Terá o início da história da cidade de Deus por meio de Abraão.
Protestante e evangélica
Costuma destacar como prova de que Abraão foi chamado de um meio politeísta, sublinhando a graça de Deus que antecede o mérito. Comentaristas como Gordon Wenham ressaltam que sozinho não revela os motivos da partida e que a migração de Terá, ainda que incompleta, aponta para o destino em Canaã.
Islâmica
O Alcorão menciona Azar (6:74), a quem Abraão (Ibrahim) censura pela adoração de ídolos. Os exegetas islâmicos divergem sobre se Azar era o pai ou um tio, e se corresponde ao Terá bíblico, de modo que a identificação permanece debatida.
O que fazer com isso
Terá lembra que a história de Deus com Abraão não começa em uma família modelo. Seus antepassados serviam outros deuses, e o próprio Terá morreu no meio de uma viagem que não completou. A Bíblia não o julga com mais detalhe do que isso, e quem lê precisa respeitar o silêncio do texto. Há algo de consolador nesse silêncio: o plano de Deus aparece, na narrativa, ligado a pessoas comuns e a percursos interrompidos, sem exigir biografias exemplares.
Passagens relacionadas8
Fontes consultadas5
- Gordon J. Wenham. Genesis 1–15 (Word Biblical Commentary), 1987.
- Nahum M. Sarna. Genesis (JPS Torah Commentary), 1989.
- Robert Alter. The Five Books of Moses, 2004.
- Agostinho de Hipona. A Cidade de Deus (livro 16).
- Tradição rabínica. Midrash Gênesis Rabá (capítulo 38).
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que Terá saiu de Ur?
O texto não responde. diz apenas que ele partiu com a família para Canaã. Propostas modernas falam de razões econômicas ou políticas ou ligam a saída ao chamado de Abraão, mas nenhuma é afirmada pela Bíblia.
Terá adorava ídolos?
diz que Terá e seus antepassados “serviram a outros deuses”. A Bíblia não dá detalhes sobre quais deuses ou como. A história de que ele fabricava ídolos vem de tradição judaica posterior, não do texto bíblico.
Terá morreu antes ou depois de Abraão sair de Harã?
afirma que foi depois. Os números de e 12:4 parecem apontar o contrário se Abrão nasceu quando Terá tinha 70 anos, mas Abrão pode ter nascido mais tarde, como já propunha Agostinho, e o Pentateuco Samaritano traz 145 anos para Terá.
Quem eram os filhos de Terá?
Abrão (Abraão), Naor e Harã (). Harã morreu em Ur e deixou o filho Ló e as filhas Milca e Iscá. mostra que Sara também era filha de Terá, de outra mãe.