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Significado Bíblico
Líderavançada

Quem foi Ló na Bíblia?

Ficha do personagem

Patriarcas, contemporâneo de Abraão

Aparece em

Relações

  • sobrinho de Abraão
  • filho de Harã
  • resgatado por Abraão
  • pai de Moabe
  • pai de Ben-Ami (Amom)

Resposta curta

Ló era sobrinho de Abraão, filho de seu irmão Harã, e viajou com ele de Ur até Canaã (). Quando os rebanhos das duas famílias cresceram e os pastores passaram a brigar por pasto, Abraão deu a Ló a primeira escolha da terra. Ló escolheu a planície fértil do vale do Jordão e foi armando tendas cada vez mais perto de Sodoma, cidade já descrita como habitada por homens maus e pecadores contra o Senhor ().

Anos depois, quando Deus decidiu destruir Sodoma, dois anjos foram tirar Ló da cidade, mas ele hesitou tanto que precisaram arrastá-lo pela mão (). A esposa dele morreu ao olhar para trás no caminho, e a história termina com Ló embriagado nas montanhas, enganado pelas próprias filhas () — desfecho que o texto relata sem celebrar e sem esconder.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Em , o próprio Jesus recorre à história de Ló para advertir sobre a vinda do Reino: assim como nos dias de Ló as pessoas continuaram absorvidas em suas rotinas até a destruição cair sobre Sodoma, também será a atitude de muitos diante do juízo final — e o Senhor conclui com a ordem seca: "Lembrai-vos da mulher de Ló". A hesitação de Ló em deixar a cidade, e o olhar de sua esposa voltado para trás, contrastam diretamente com o chamado de Jesus à prontidão radical e ao desapego imediato de tudo que prende ao mundo (; 17:33). Onde Ló precisou ser arrastado pela mão para escapar do juízo, o evangelho apresenta em Cristo um resgate que não depende da prontidão humana, mas que ainda assim convoca a uma resposta sem hesitação.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Ló era sobrinho de Abraão e viajou com ele até Canaã. Quando os dois precisaram se separar por causa dos rebanhos, Ló escolheu a terra mais fértil, perto da cidade de Sodoma, mesmo sabendo da má fama do lugar. Anos depois, Deus decidiu destruir Sodoma, e dois anjos quase tiveram que arrastar Ló para fora, porque ele demorou a sair. A esposa dele morreu no caminho, e a história termina com um episódio triste envolvendo Ló e as próprias filhas nas montanhas.

O mundo dele

Ló entra na narrativa bíblica como filho de Harã, irmão mais novo de Abraão, que morreu ainda em Ur dos caldeus (). Órfão de pai, Ló segue com o avô Terá e com o tio Abraão na migração da Mesopotâmia para Canaã, e depois da morte de Terá em Harã, continua a viagem ao lado de Abraão e Sara (:5). Essa proximidade familiar molda toda a trajetória de Ló: ele cresce como parte do clã de Abraão, participa da mesma vida seminômade de pastoreio de ovelhas, cabras e bois, e herda parte da riqueza acumulada durante a passagem pelo Egito.

O ponto de virada acontece quando essa riqueza se torna grande demais para a terra sustentar as duas famílias juntas, gerando conflito entre os pastores de Abraão e os de Ló (). Para evitar briga entre parentes, Abraão propõe a separação e cede a Ló o direito de escolher primeiro — um gesto notável em uma cultura onde a precedência normalmente cabia ao mais velho. Ló escolhe a planície do rio Jordão, uma região historicamente fértil e bem irrigada, comparada no texto ao jardim do Senhor e à terra do Egito (). Essa planície abrigava as chamadas "cidades da planície", entre elas Sodoma e Gomorra, cuja localização exata os arqueólogos ainda debatem, com propostas que vão da margem sul do mar Morto a sítios próximos ao vale do Jordão.

A partir daí, a vida de Ló passa a girar em torno de Sodoma: primeiro como vizinho, depois como morador da cidade e, no capítulo 19, como alguém sentado "à porta de Sodoma" (), posição que na sociedade da época indicava um lugar de destaque entre os líderes locais. já havia mostrado o custo dessa proximidade: quando uma coalizão de reis invade a região e saqueia Sodoma, Ló é levado prisioneiro junto com seus bens, e só é libertado porque Abraão organiza um resgate armado ().

A história

O texto bíblico não trata a escolha de Ló como um detalhe neutro. diz que ele "levantou os olhos" e viu a fartura da planície do Jordão — a mesma expressão de percepção visual usada em para descrever Eva diante do fruto proibido, uma ressonância que comentaristas como Gordon Wenham observam ao ligar as duas cenas: uma decisão guiada pelo que os olhos consideram bom, sem avaliar o custo moral do lugar. O versículo seguinte já adianta o problema: "os homens de Sodoma eram maus, e grandes pecadores contra o Senhor" (). Ló sabia disso e foi mesmo assim.

A narrativa acompanha o aprofundamento dessa escolha em etapas. Em , ele apenas arma a tenda "até Sodoma". Em , já é encontrado morando ali, a ponto de ser capturado como despojo de guerra. Em , já está sentado à porta da cidade, sinal de que se tornou parte da estrutura social local. Quando os dois visitantes celestiais chegam, Ló os recebe com hospitalidade — o mesmo padrão de Abraão em —, mas a cena vira pesadelo quando os homens da cidade cercam a casa exigindo acesso aos forasteiros. A oferta de Ló, entregar as próprias filhas à multidão para proteger os hóspedes (), é um dos detalhes mais duros do relato, e o texto não o disfarça nem o elogia: registra o fato e segue adiante.

A hesitação de Ló diante do resgate é outro ponto que a Escritura não suaviza. Avisado para fugir, ele demora; o versículo 16 diz literalmente que os anjos tiveram de agarrar sua mão, a de sua esposa e a de suas filhas, porque o Senhor "tinha compaixão dele" — a salvação de Ló depende da misericórdia divina, não da sua prontidão. Comentaristas mais antigos, como Keil e Delitzsch, já notavam essa tensão entre a fraqueza de Ló e a designação que o Novo Testamento lhe dá: em , ele é chamado de "justo", atormentado em sua alma justa ao ver e ouvir a maldade ao redor. O texto sugere alguém que não participava ativamente da corrupção de Sodoma, mas que também não teve forças para se afastar dela a tempo.

O desfecho em fecha o arco sem redenção fácil: a esposa de Ló morre por olhar para trás, e nas montanhas as duas filhas, temendo não haver mais homens na terra, embriagam o pai e engravidam dele, dando origem a Moabe e a Ben-Ami, ancestrais dos moabitas e amonitas. A Bíblia narra o episódio sem qualquer palavra de aprovação divina, e as nações resultantes se tornarão, séculos depois, adversárias recorrentes de Israel — embora seja de uma moabita, Rute, que descenderá o rei Davi.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Ló era tão corrupto quanto os habitantes de Sodoma, por isso quase foi destruído junto com a cidade.

    O Novo Testamento chama Ló explicitamente de "justo", angustiado em sua alma ao ver e ouvir diariamente a maldade ao seu redor (). O texto de Gênesis também não o retrata cometendo os pecados atribuídos à população da cidade; seu problema foi a proximidade e a lentidão em se afastar, não a participação ativa na corrupção local.

  • Dizem que:A Bíblia revela o nome da esposa de Ló.

    Em nenhum momento o texto de Gênesis nomeia a esposa de Ló; ela é sempre referida apenas como "a mulher de Ló". O nome "Ado" (ou variações) aparece em tradições extrabíblicas posteriores, como nos escritos do historiador judeu Flávio Josefo, mas não consta nas Escrituras.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Tradição Reformada

    Enfatiza que a salvação de Ló não depende de seu mérito ou preparo espiritual, mas exclusivamente da compaixão divina e da intercessão de Abraão (); sua hesitação serve como ilustração da doutrina de que a graça resgata mesmo o crente fraco.

  • Tradição Católica

    Lê a hesitação de Ló como advertência moral sobre o apego aos bens e à segurança material da "cidade dos homens", associando o episódio ao chamado de vigilância escatológica que Jesus retoma em .

  • Tradição Ortodoxa

    Tende a valorizar o movimento físico de Ló — sair da cidade corrompida para as montanhas — como imagem espiritual da fuga do mundo (ascese), ainda que reconheça na hesitação humana a necessidade constante da graça para completar essa fuga.

  • Tradição Evangélica contemporânea

    Costuma ler a vida de Ló como estudo de caso sobre compromisso progressivo, destacando a sequência "armou a tenda até Sodoma / morava em Sodoma / sentado à porta de Sodoma" como alerta pastoral sobre decisões que parecem pequenas no início.

O que fazer com isso

A trajetória de Ló costuma ser lida como retrato do compromisso gradual: uma escolha aparentemente razoável — buscar terra fértil — vai se aprofundando até prender a pessoa a um ambiente que ela mesma reconhecia como corrosivo. A hesitação no resgate, quando precisou ser puxado pela mão, ilustra como o apego ao que se construiu pode pesar mais do que o alerta recebido. É um relato que convida à reflexão sobre proximidade gradual com aquilo que se sabe prejudicial, sem apresentar Ló como vilão nem como exemplo a seguir.

Passagens relacionadas7
Fontes consultadas4
  • Gordon J. Wenham. Word Biblical Commentary: Genesis 1-15, 1987.
  • C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament: The Pentateuch, 1866.
  • Matthew Henry. Commentário Bíblico Matthew Henry, 1706.
  • Flávio Josefo. Antiguidades Judaicas, 93.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Ló era irmão ou sobrinho de Abraão?

Ló era sobrinho de Abraão, filho do seu irmão Harã, que morreu ainda em Ur dos caldeus antes da grande migração da família para Canaã ().

Por que a esposa de Ló virou uma estátua de sal?

Porque desobedeceu à ordem explícita dos anjos de não olhar para trás ao fugir de Sodoma; ao virar-se, ela foi transformada em uma coluna de sal ().

Ló era um homem bom ou mau na Bíblia?

O relato é ambíguo: Gênesis mostra suas falhas e hesitações, mas o chama de "justo", torturado internamente pela maldade que via em Sodoma. A tradição cristã geralmente o lê como alguém fraco na fé, mas não corrompido pelos pecados da cidade.

O que aconteceu com as filhas de Ló depois da destruição de Sodoma?

Temendo que não houvesse mais homens na terra, elas embriagaram o pai e engravidaram dele, dando à luz Moabe e Ben-Ami, ancestrais dos povos moabita e amonita ().

Ló aparece no Novo Testamento?

Sim. Jesus cita os dias de Ló e manda "lembrar da mulher de Ló" como advertência escatológica em , e o apóstolo Pedro o menciona como exemplo de justo resgatado do meio da corrupção em .

Outros personagens

Publicado em 23/08/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

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As passagens dele, explicadas

Ló era mesmo "justo"? O contraste que 2 Pedro faz

Em poucas linhas, 2 Pedro chama Ló de "justo" três vezes seguidas — um detalhe que surpreende quem lembra de Gênesis 19. Ali, Ló oferece as próprias filhas à multidão de Sodoma, hesita para fugir com a família e, já livre da cidade, é embriagado e enganado por essas mesmas filhas. Não é o retrato de um homem exemplar.

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Ló ofereceu as próprias filhas à multidão?

Ofereceu, e o texto não o elogia por isso em momento nenhum. Esta é a distinção decisiva: a Bíblia narra muita coisa que não aprova, e Gênesis 19 é um caso claro — o episódio termina com Ló hesitando, sendo arrastado pela mão e, poucos versículos depois, embriagado numa caverna enquanto as filhas fazem com ele algo igualmente terrível.

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A serpente do Éden era Satanás?

Gênesis não diz. O texto chama a criatura de "serpente", classifica-a entre "os animais do campo que o SENHOR Deus havia feito" e não menciona Satanás em lugar nenhum — nem aqui nem no resto do livro.

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Números simbólicosGênesis 10:1-5

A tábua das nações e o número que reaparece pelo cânon inteiro

Gênesis 10 lista os descendentes de Sem, Cam e Jafé depois do dilúvio, organizando os povos conhecidos do mundo antigo numa única árvore genealógica comum. A tradição rabínica, seguida por boa parte da leitura patrística cristã, conta setenta nomes nessa lista — e é esse número, não setenta e um nem sessenta e nove, que depois ecoa noutros textos: as setenta pessoas da casa de Jacó que descem ao Egito, os setenta anciãos que dividem o Espírito com Moisés, os setenta discípulos enviados por Jesus em Lucas 10.

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