Simeão, chamado Níger
Quem foi Simeão, chamado Níger na Bíblia?
Ficha do personagem
Cerca de 46 d.C.; Antioquia da Síria
Aparece em
Relações
- colega de liderança de Barnabé
- colega de liderança de Saulo (Paulo)
- colega de liderança de Lúcio de Cirene
- colega de liderança de Manaém
- distinto de Simão de Cirene
Resposta curta
Simeão, chamado Níger, é citado uma única vez, em , na lista dos profetas e mestres da igreja de Antioquia da Síria, ao lado de Barnabé, Lúcio de Cirene, Manaém e Saulo. Era, portanto, um dos líderes da comunidade que, enquanto adorava e jejuava, ouviu o Espírito Santo mandar separar Barnabé e Saulo para a obra que daria início à primeira viagem missionária.
"Níger" é uma palavra latina que significa "escuro" ou "negro". O que ela indica sobre Simeão, seja cor de pele, cabelo, origem ou apenas um apelido comum, o texto não diz, e os estudiosos divergem. Também não há base para identificá-lo com Simão de Cirene nem com os outros Simeões da Bíblia.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaSimeão não é figura de Cristo, e o texto não o apresenta assim. A ligação com Cristo está no que acontece na presença dele: a comunidade de Antioquia, onde os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez, envia dois dos seus líderes para anunciar o evangelho, em linha com a ordem final de Jesus de fazer discípulos de todas as nações. A cena mostra a missão de Cristo sendo continuada pela igreja sob a direção do Espírito, sem que Simeão tenha papel individual nela.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Simeão, chamado Níger, foi um dos cinco líderes da igreja de Antioquia, na Síria, citados em . Ele aparece uma só vez, na cena em que a comunidade ora, jejua e envia Barnabé e Saulo para anunciar o evangelho. "Níger" é uma palavra latina que quer dizer "escuro", mas o texto não explica por que ele tinha esse apelido. Nada indica que seja o mesmo Simão de Cirene, que carregou a cruz de Jesus, nem o velho Simeão do templo. O resto da vida dele a Bíblia não conta.
O mundo dele
Antioquia da Síria, às margens do rio Orontes, era na época uma das maiores cidades do Império Romano, depois de Roma e Alexandria, e abrigava uma numerosa comunidade judaica. A igreja ali nasceu da dispersão que se seguiu à morte de Estêvão: alguns cristãos de Chipre e de Cirene, ao chegarem à cidade, anunciaram o evangelho também a gregos (). Jerusalém enviou Barnabé, que foi buscar Saulo em Tarso, e, segundo , foi em Antioquia que os discípulos receberam pela primeira vez o nome de "cristãos". A comunidade também enviou ajuda aos irmãos da Judeia durante uma fome (11:27-30).
É nesse ambiente, por volta de 46 d.C., que apresenta cinco homens como "profetas e mestres": Barnabé, Simeão chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém e Saulo. As duas funções aparecem em listas de dons e ministérios do Novo Testamento (; ). Profetas transmitiam o que entendiam ser uma palavra do Espírito para a comunidade; mestres explicavam e transmitiam o ensino recebido. O texto não separa quem era profeta e quem era mestre.
A lista é diversa. Barnabé era levita de Chipre (); Lúcio vinha de Cirene, no norte da África; Manaém é descrito como alguém criado com Herodes, o tetrarca, isto é, Herodes Antipas, o que sugere origem em ambiente de elite; Saulo era de Tarso, na Cilícia. Para Simeão, o texto dá apenas o nome hebraico e o apelido latino. O uso de dois nomes era comum entre judeus da diáspora: Saulo é também Paulo, João é também Marcos e Jesus é também Justo (). "Simeão" é a forma grega de um nome hebraico muito comum no judaísmo da época, e "Níger" servia para distingui-lo de outros homens com o mesmo nome. Em uma comunidade com tantos nomes comuns, o apelido facilitava o reconhecimento.
A história
O versículo diz: "Havia na igreja que estava em Antioquia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo" (). O que se sabe de Simeão está contido nessa frase. Ele não fala, não age em nenhum outro episódio e não reaparece depois. Sua importância é a de participante de um dos momentos centrais do livro: o texto continua dizendo que, "enquanto ministravam ao Senhor e jejuavam", o Espírito Santo disse: "Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado" (13:2). Depois de jejum e oração, impuseram-lhes as mãos e os despediram (13:3). O verbo traduzido por "ministravam" é da família da palavra "liturgia", e por isso tradições litúrgicas veem aqui uma cena de culto. Não fica claro se o sujeito é formado pelos cinco ou por toda a comunidade, nem quem impôs as mãos; assim, não se pode afirmar que Simeão tenha feito parte do gesto, embora seja provável que estivesse entre os líderes presentes.
O apelido é a questão que mais desperta curiosidade. Níger é adjetivo latino que significa "escuro" ou "negro" e era usado como sobrenome romano; um exemplo é Pescênio Níger, general que disputou o império no fim do século II. Como apelido, podia aludir à cor da pele, do cabelo, a traços de personalidade ou a algo hoje perdido. Alguns estudiosos e leitores propõem que Simeão tenha sido de ascendência africana, apoiando-se na presença de Lúcio de Cirene na mesma lista e na importante comunidade judaica de Cirene; outros observam que o apelido, por si só, não permite concluir sua origem e que Lucas não indica etnia. A posição mais cautelosa é a de que a hipótese é possível, mas não demonstrável.
Também é preciso distingui-lo de outros homens com o nome. Simeão, filho de Jacó, e o ancião que recebeu Jesus no templo () são personagens distintos. Simão Pedro é chamado Simeão em , mas o contexto de trata de outro homem, e nada o liga a Pedro. E Simão de Cirene, que carregou a cruz de Jesus (), tem em comum com ele apenas o nome e uma possível ligação com a África; nada no texto os identifica, e as formas gregas dos nomes também diferem entre Atos e os evangelhos.
Tradições posteriores acrescentam informações sobre o fim de sua vida, mas nenhuma é confirmada por fontes antigas, e o verbete as deixa de lado.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Simeão, chamado Níger, e Simão de Cirene, que carregou a cruz, são a mesma pessoa.
Nenhum texto os identifica. A forma do nome é diferente em (Symeon) e em (Simon), e o fato de ambos terem possível ligação com a África não basta para unificá-los. A hipótese é apenas conjectura.
Dizem que:O apelido Níger prova que Simeão era um africano de pele negra.
Níger era sobrenome latino comum, com sentidos possíveis que vão da cor da pele ou do cabelo a outros traços. O texto de Atos não diz qual era o motivo do apelido nem indica a origem de Simeão, e por isso a ascendência africana é hipótese, não afirmação bíblica.
Dizem que:Simeão Níger foi um dos doze apóstolos.
o lista como profeta e mestre da igreja de Antioquia. Os Doze incluem Simão Pedro e Simão, o zelote, que são outras pessoas; a coincidência de nomes comuns gera a confusão.
Como diferentes tradições cristãs leem4
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Protestante evangélica
Vê em o modelo de uma liderança plural, formada por pessoas de origens diversas, que busca a vontade de Deus em oração e jejum e envia missionários. A origem de Simeão é tratada como incerta, sem peso doutrinário.
Católica
Lê a passagem como momento de envio apostólico, com imposição de mãos, e valoriza Antioquia como uma das sés de origem apostólica, ligada a Pedro e a Paulo. Simeão aparece como parte da comunidade que discerne o chamado, sem informação sobre sua vida.
Ortodoxa
Destaca o caráter litúrgico do verbo "ministrar" em : a decisão de enviar Barnabé e Saulo nasce no meio do culto da comunidade de Antioquia. Simeão é recordado como um dos profetas e mestres dessa igreja, sem acréscimos biográficos que o texto não confirme.
Leitura contemporânea sobre a presença africana
Chama atenção para a lista de como indício de uma liderança diversa, em que Lúcio de Cirene e talvez Simeão Níger tivessem origem africana. Reconhece que o apelido latino não permite certeza e trata a hipótese como possibilidade histórica.
O que fazer com isso
Simeão lembra que a missão de Atos não nasceu de uma única figura, mas de uma comunidade com pessoas de origens e funções distintas, reunidas num mesmo culto. Um apelido sem explicação não autoriza conclusões sobre a história de ninguém, e é melhor admitir esse limite do que preenchê-lo com certeza. O que o texto oferece basta: homens diversos ouvindo juntos, em oração e jejum, e enviando os dois que o Espírito indicou.
Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
- Craig S. Keener. Acts: An Exegetical Commentary, vol. 2, 2013.
- Joseph A. Fitzmyer. The Acts of the Apostles (Anchor Bible, vol. 31), 1998.
- F. F. Bruce. The Book of Acts (New International Commentary on the New Testament), 1988.
- Ben Witherington III. The Acts of the Apostles: A Socio-Rhetorical Commentary, 1998.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que ele era chamado Níger?
Níger é uma palavra latina que significa "escuro" ou "negro" e era usada como sobrenome. O texto não explica a razão do apelido, que pode ter se referido à aparência ou a outro traço. Qualquer explicação é hipótese.
Simeão Níger era africano?
A Bíblia não diz. Alguns estudiosos acham possível, pela presença de Lúcio de Cirene na mesma lista, mas o apelido sozinho não prova origem. A posição mais prudente é a de que a ascendência africana é hipótese plausível, sem confirmação no texto.
Simeão Níger é Simão de Cirene?
Não há base para afirmar isso. Os nomes têm formas diferentes no grego, os textos são independentes e nada os liga. A identificação aparece como conjectura em alguns escritos modernos, mas não consta de nenhum texto antigo.
O que Simeão fez em Atos 13?
Foi um dos líderes presentes quando a igreja de Antioquia, em jejum e culto, recebeu a indicação do Espírito para separar Barnabé e Saulo. O texto não descreve atos individuais de Simeão, que não aparece depois.