Pular para o conteúdo
Significado Bíblico
Discípulointermediária

José Barsabás, chamado Justo

Quem foi José Barsabás, chamado Justo na Bíblia?

Ficha do personagem

Cerca de 30 d.C.; Jerusalém

Aparece em

Relações

Resposta curta

José, chamado Barsabás e também Justo, aparece uma única vez na Bíblia, em . Depois da ascensão de Jesus, os discípulos reunidos em Jerusalém, cerca de cento e vinte pessoas, decidem preencher o lugar deixado por Judas Iscariotes e apresentam dois candidatos: José Barsabás e Matias. O critério fixado por Pedro era ter acompanhado Jesus desde o batismo de João até a ascensão, para ser testemunha da ressurreição. Os discípulos oraram, lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias, que foi contado com os onze apóstolos. Sobre José, o texto não diz mais nada: nem o que fez antes, nem o que fez depois. Ele não deve ser confundido com Judas Barsabás, enviado a Antioquia em , e a Bíblia não afirma parentesco entre os dois.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

José Barsabás aparece apenas como alguém qualificado para ser testemunha da vida e da ressurreição de Jesus. O critério de Pedro mostra o centro da pregação cristã primitiva: o que mantém o grupo unido é o testemunho de um acontecimento, o Cristo ressuscitado, e não a posição de quem o anuncia. Por isso o texto não tira o foco para o candidato que não foi escolhido, e a função apostólica é descrita como a de dar testemunho da ressurreição de Jesus.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

José Barsabás, também chamado Justo, é citado uma só vez na Bíblia, em . Depois que Judas morreu, os discípulos precisavam de alguém para ocupar o lugar dele entre os apóstolos. Escolheram dois homens que tinham acompanhado Jesus desde o início: José Barsabás e Matias. Oraram, lançaram sortes e a escolha recaiu em Matias. A Bíblia não conta o que José fez depois, nem o confunde com Judas Barsabás, outro personagem que aparece mais adiante em Atos.

O mundo dele

A cena acontece em Jerusalém, poucas semanas depois da crucificação, no intervalo entre a ascensão de Jesus e o Pentecostes, por volta de 30 d.C. Lucas descreve os onze apóstolos reunidos num cômodo superior, com algumas mulheres, Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele, todos perseverando em oração (). É nesse ambiente que Pedro se levanta no meio de cerca de cento e vinte irmãos e propõe completar o grupo dos Doze. O número tinha peso simbólico: Jesus havia escolhido doze, e prometera que eles se assentariam em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel (; ). Com a morte de Judas, o grupo ficara incompleto.

Pedro apoia a decisão em dois textos dos Salmos: "Fique deserta a sua habitação" (Salmo 69:25) e "Tome outro o seu ofício" (Salmo 109:8), aplicados a Judas. Em seguida, define as condições do candidato: alguém que tenha estado com os discípulos durante todo o tempo em que Jesus andou entre eles, desde o batismo de João até o dia em que foi levado ao céu, para se tornar com eles testemunha da ressurreição ().

Sobre o nome do candidato, Lucas diz apenas que se chamava José, de sobrenome Barsabás, também chamado Justo. Barsabás é um sobrenome de origem semítica cujo sentido é discutido; propostas como "filho do sábado" ou "filho de Saba" aparecem nos comentários, mas nenhuma é segura. Justo é um cognome latino (Iustus), comum entre judeus que viviam em ambiente de língua grega. Outros homens do Novo Testamento também levam esse cognome, como Tício Justo, em Corinto (), e Jesus, chamado Justo, mencionado em , mas nada indica que sejam a mesma pessoa. Lançar sortes era um método conhecido em Israel para decisões comunitárias, como no sorteio dos serviços sacerdotais descrito em , e o interpreta como dependente da vontade de Deus.

A história

O episódio ocupa apenas quatro versículos. Depois do discurso de Pedro, o texto diz que "apresentaram dois": José, chamado Barsabás, de sobrenome Justo, e Matias (). O verbo não deixa claro quem os apresentou; a leitura mais natural é que foi o conjunto dos discípulos reunidos. A única coisa que o texto afirma sobre os dois é que ambos cumpriam o critério de Pedro. Isso já é informação relevante: havia, além dos Doze, pelo menos dois homens que acompanharam Jesus desde o batismo de João até a ascensão, o que confirma que o círculo de seguidores era bem mais amplo do que o grupo apostólico (compare , onde Jesus envia outros setenta e dois).

A decisão vem em forma de oração: "Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, mostra qual destes dois escolheste" (). Os discípulos não votam num candidato; pedem que Deus indique o que já escolheu. Depois, "lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias", que "foi contado com os onze apóstolos" (). Lucas não apresenta José como perdedor nem como reprovado. O texto não registra ressentimento, desqualificação ou explicação. Ele simplesmente deixa de ser mencionado.

A tradição posterior tentou preencher o silêncio. Eusébio de Cesareia, na História Eclesiástica, cita uma lista que inclui Barsabás, chamado Justo, entre os setenta discípulos enviados por Jesus, e conta, com base em Papias, que um Justo Barsabás bebeu veneno mortal sem sofrer dano (Eusébio, História Eclesiástica 1.12 e 3.39). Trata-se de relatos de segunda mão, escritos séculos depois, que não podem ser verificados a partir do Novo Testamento. O verbete trata essas informações como tradição, e não como história comprovada.

Há ainda duas confusões frequentes. A primeira é com Judas Barsabás, um dos "homens principais entre os irmãos" e profeta, enviado a Antioquia com Paulo e Barnabé e acompanhado por Silas (). O sobrenome é o mesmo, mas Lucas nunca os identifica. A segunda é com José Barnabé, o levita de Chipre (), um José diferente.

As tradições cristãs leem o episódio de modos próprios. A leitura católica o vê como indício da importância da sucessão no colégio apostólico. Na tradição ortodoxa, Matias é reconhecido como apóstolo e Justo Barsabás é lembrado entre os setenta. Entre protestantes, a maioria aceita a escolha de Matias; alguns, porém, observam que ela ocorreu antes do Pentecostes e cogitam que o décimo segundo teria sido Paulo, hipótese que não é consenso e que e dificultam, pois ainda falam dos Doze.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:José Barsabás e Judas Barsabás eram a mesma pessoa, ou irmãos.

    fala de José, chamado Barsabás e Justo; fala de Judas, chamado Barsabás. O sobrenome coincide, mas o texto nunca liga os dois nem diz que eram parentes. A relação é possível, mas é pura hipótese.

  • Dizem que:A Bíblia diz que José Barsabás foi rejeitado por Deus por não ter sido sorteado.

    O texto não faz nenhum julgamento sobre José. Ambos os candidatos cumpriam o critério fixado por Pedro, e a oração pedia que Deus mostrasse qual dos dois já havia escolhido. Nada sugere desaprovação a quem não foi indicado.

  • Dizem que:Sabemos o que José Barsabás fez depois, por exemplo, que foi bispo ou mártir.

    O Novo Testamento não diz nada sobre ele depois de . As informações sobre ele nas listas dos setenta e no relato do veneno vêm de autores posteriores, como Eusébio, que citam outras fontes que não podemos conferir.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica

    Vê no episódio um sinal da importância da sucessão no colégio apostólico, que a tradição católica relaciona à continuidade do ministério dos bispos. A escolha de Matias, feita com oração e sorteio, mostra uma comunidade que reconhece que o ofício apostólico vem do Senhor e não de iniciativa humana.

  • Ortodoxa

    Reconhece Matias como apóstolo e conserva a memória de José Barsabás entre os setenta discípulos, apoiada em listas antigas. A tradição o lembra como alguém que esteve com Jesus, sem acrescentar fatos além do que o texto de Atos fornece.

  • Protestante

    Em geral, aceita a escolha de Matias e destaca a oração e a dependência da vontade de Deus. Parte dos intérpretes questiona o sorteio, por ter ocorrido antes do Pentecostes, e sugere Paulo como o décimo segundo apóstolo; outros rejeitam essa hipótese, porque Atos continua falando dos Doze após a escolha de Matias.

O que fazer com isso

A história de José Barsabás lembra que nem toda dedicação aparece nos registros. Ele cumpria os mesmos requisitos que Matias, esteve com Jesus do início ao fim e foi considerado digno da indicação, mas a Bíblia não diz mais nada sobre ele. O texto não o apresenta como derrotado, e sim como alguém que esteve presente e cujo trabalho, seja qual tenha sido, ficou fora do relato.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica.
  • F. F. Bruce. The Book of Acts (New International Commentary on the New Testament), 1988.
  • Joseph A. Fitzmyer. The Acts of the Apostles (Anchor Bible), 1998.
  • Craig S. Keener. Acts: An Exegetical Commentary, volume 1, 2012.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que José Barsabás não foi escolhido?

O texto não dá motivo. Os discípulos oraram pedindo que Deus mostrasse qual dos dois havia escolhido e lançaram sortes; a sorte caiu sobre Matias. Nada é dito contra José.

José Barsabás era um dos setenta discípulos?

A Bíblia não diz. Eusébio de Cesareia cita uma tradição que o inclui entre os setenta enviados por Jesus, mas é uma informação posterior. O que o texto de Atos afirma é que ele acompanhou Jesus desde o batismo de João até a ascensão.

Qual é a diferença entre José Barsabás e Judas Barsabás?

José foi indicado para o lugar de Judas Iscariotes (). Judas Barsabás foi um profeta enviado a Antioquia com a carta do concílio de Jerusalém (). Compartilham o sobrenome, mas o texto não os relaciona.

Outros personagens

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

As passagens dele, explicadas

O juramento de quarenta homens contra Paulo

Depois de comparecer diante do Sinédrio, Paulo passa a noite sob custódia romana em Jerusalém. No dia seguinte, mais de quarenta judeus juram sob pena de maldição: não comeriam nem beberiam enquanto não matassem Paulo. Eles procuram os chefes dos sacerdotes e os anciãos com um plano: pedir que o Sinédrio traga Paulo de volta para novo interrogatório, para emboscá-lo no caminho.

Ler explicação →

Como Judas morreu, afinal? Mateus e Atos parecem contar histórias diferentes

Depois que Jesus foi condenado, Judas foi tomado por remorso e devolveu as trinta moedas de prata aos sacerdotes, confessando: "Pequei, traindo sangue inocente." Eles recusaram o dinheiro, dizendo que aquilo era problema dele. Judas jogou as moedas no templo e foi se enforcar. Sem poder colocar dinheiro de sangue no tesouro sagrado, os sacerdotes compraram com a quantia um terreno chamado campo do oleiro, destinado a sepultar estrangeiros.

Ler explicação →
ProfeciaAtos 21:10-13

A profecia de Ágabo e a decisão de Paulo

Em Cesareia, o profeta Ágabo desce da Judeia, toma o cinto de Paulo, amarra as próprias mãos e pés com ele e anuncia: assim os judeus em Jerusalém atarão o dono desse cinto e o entregarão nas mãos dos gentios. É um gesto profético como os do Antigo Testamento — Jeremias com um cinto de linho, Isaías andando descalço — em que o corpo do profeta anuncia o que vai acontecer.

Ler explicação →
Personagens obscuros1 Crônicas 11:4-6

A promessa que fez de Joabe o chefe do exército de Davi: a conquista de Jerusalém

Ao narrar a tomada de Jerusalém, então cidade fortificada dos jebuseus, o cronista registra uma promessa específica de Davi: o primeiro a penetrar na cidade se tornaria chefe e príncipe sobre seu exército. Joabe, filho de Zeruia, é quem realiza o feito, subindo primeiro, e por isso assume o comando militar mais alto do reino, não por nomeação direta baseada em parentesco ou em serviço prévio, mas por uma proeza específica numa campanha decisiva para todo o reino. O episódio explica, de forma concreta, a origem de um dos relacionamentos mais complexos e duradouros de toda a narrativa davídica: o vínculo entre o rei e seu general mais capaz e mais perigoso.

Ler explicação →
Costumes da época1 Crônicas 16:1-3

Um bolo de uvas passas para cada israelita: a distribuição de Davi ao trazer a arca

Depois de instalar a arca da aliança na tenda preparada em Jerusalém, oferecer holocaustos e ofertas pacíficas e bendizer o povo em nome do Senhor, Davi faz algo inesperadamente concreto e físico: distribui pessoalmente a cada homem e a cada mulher de Israel um pão, um bom pedaço de carne e um bolo de uvas passas. O gesto interrompe o tom predominantemente litúrgico e solene do capítulo, que logo depois registra um longo salmo de louvor, com uma cena de celebração coletiva tangível, na qual a alegria religiosa se expressa também através de comida compartilhada por toda a comunidade, incluindo as mulheres, mencionadas explicitamente no texto.

Ler explicação →
Teologia densa1 Crônicas 21:23-25

Por que Davi recusou receber de graça o terreno onde construiria o altar?

No fim da narrativa da peste enviada como juízo depois do recenseamento de Davi, o rei chega à eira de Ornã, o jebuseu, para construir ali um altar e oferecer sacrifício, obedecendo à instrução do anjo do Senhor transmitida pelo profeta Gade. Ornã, reconhecendo a gravidade do momento, oferece de imediato a eira, os bois para o holocausto e a madeira das carroças como lenha, tudo de graça. Davi recusa terminantemente: insiste em pagar o preço integral, declarando que não ofereceria ao Senhor holocaustos que não lhe custassem nada. A frase se tornou, ao longo da história da interpretação, um princípio teológico citado muito além desse episódio específico sobre o que realmente conta como oferta genuína.

Ler explicação →