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Significado Bíblico
Profetaintermediária

Joel

Quem foi o profeta Joel na Bíblia?

Ficha do personagem

Reino de Judá, datação incerta entre os séc. IX e V a.C.

Aparece em

Relações

  • filho de Petuel
  • citado por Pedro (apóstolo)

Resposta curta

Joel é um dos doze profetas menores do Antigo Testamento e autor do livro que leva seu nome. Sobre sua vida, o texto bíblico revela apenas o nome do pai, Petuel () — nenhuma cidade, ofício ou contexto político é mencionado. A datação do livro está entre as mais disputadas do Antigo Testamento: propostas sérias vão do século IX ao V a.C., pois o texto não cita nenhum rei nem inimigo estrangeiro identificável com precisão.

O livro descreve uma praga de gafanhotos sobre Judá, que Joel lê como sinal do "Dia do Senhor" e usa como chamado urgente ao arrependimento. Depois do juízo, promete restauração e o derramamento do Espírito "sobre toda a carne" () — palavras que Pedro cita no Pentecostes ().

Onde ele aparece

O nome

Joelo Senhor é Deus (de Yeho + El)

Significado, origem e variantes →

Como isso aponta para Jesus

Cumprimento direto

Em o profeta anuncia que Deus derramará seu Espírito "sobre toda a carne", incluindo filhos, filhas, servos e servas, um alcance que rompe as fronteiras habituais da mediação profética e sacerdotal do Antigo Testamento. O apóstolo Pedro identifica esse texto, de forma explícita e quase literal, como cumprido no dia de Pentecostes: "isto é o que foi dito pelo profeta Joel" (), citando quase na íntegra para explicar por que os discípulos falavam em línguas diante da multidão. É uma das ligações mais diretas e nomeadas entre uma profecia do Antigo Testamento e um evento específico do Novo, usada pela própria pregação apostólica para interpretar o nascimento da igreja como parte do mesmo enredo iniciado nas Escrituras hebraicas.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Joel foi um profeta do Antigo Testamento sobre quem quase nada se sabe, a não ser o nome do pai, Petuel. Ele escreveu um livro curto contando sobre uma praga terrível de gafanhotos que destruiu as plantações de Judá, e usou esse desastre para pedir que o povo se arrependesse diante de Deus. Mais tarde, ele prometeu que Deus derramaria seu Espírito sobre todas as pessoas — uma promessa que o apóstolo Pedro repetiu no dia de Pentecostes, ao explicar o começo da igreja cristã.

O mundo dele

Joel é um dos profetas menores — assim chamados não por menor importância, mas pela extensão mais curta de seus livros, reunidos desde a antiguidade num só rolo conhecido como "os Doze". O livro de Joel tem apenas três ou quatro capítulos, dependendo da divisão adotada, e é inteiramente ocupado por um único episódio: uma praga de gafanhotos tão severa que devasta as colheitas, interrompe as ofertas do templo e é lida por Joel como antecipação do "Dia do Senhor", um julgamento maior que ainda está por vir.

Ao contrário de profetas como Isaías ou Jeremias, cujos livros trazem datas ligadas a reis específicos ("no ano em que morreu o rei Uzias..."), o livro de Joel não ancora seu ministério a nenhum monarca. Essa ausência é o centro do debate sobre quando ele viveu. Estudiosos que defendem uma data antiga, no século IX a.C., apontam que o livro menciona "anciãos" e "sacerdotes" como lideranças, mas nunca um rei — o que combinaria com o reinado de Joás de Judá, quando este subiu ao trono ainda criança e o sacerdote Joiada exerceu a regência (). Já os que defendem uma data tardia, entre os séculos V e IV a.C., notam que o livro pressupõe muros de Jerusalém já reconstruídos e uma comunidade judaica já dispersa entre as nações, cenário mais compatível com o período pós-exílico, depois do retorno da Babilônia.

Nenhuma das duas posições é unânime entre os comentaristas, e a Bíblia não resolve a questão: o silêncio do texto é genuíno, não um mistério a ser "descoberto". O que se sabe com segurança é o nome do pai de Joel, Petuel (), e o fato de que o profeta demonstra profundo conhecimento da liturgia do templo em Jerusalém, o que sugere proximidade com o culto oficial de Judá.

Apesar da obscuridade biográfica, o livro de Joel ocupa lugar central na teologia bíblica do "Dia do Senhor" e é uma das passagens do Antigo Testamento mais diretamente citadas no Novo, quando o apóstolo Pedro recorre a ele para explicar o Pentecostes.

A história

O que mais chama atenção na figura de Joel é justamente o que o texto bíblico se recusa a contar. Diferente de Jeremias, de quem se sabe a cidade natal, o pai sacerdote e décadas de confrontos políticos, ou de Jonas, cuja fuga e crise pessoal ocupam boa parte do relato, Joel não tem biografia narrada. Não há chamado registrado, não há oposição, não há desfecho pessoal. O livro se abre direto no assunto — a praga de gafanhotos — e a única informação sobre o homem é a filiação: "filho de Petuel" (). A tradição bíblica, aqui, preserva a mensagem e deixa o mensageiro quase invisível.

Essa obscuridade tem um efeito prático real: a datação do livro é uma das mais discutidas de todo o cânone hebraico, com propostas que atravessam quatro séculos de diferença. Os argumentos para uma data antiga (por volta do século IX a.C., ainda no início da monarquia dividida) apoiam-se na proeminência de sacerdotes e anciãos como autoridade, sem menção a um rei — panorama que se encaixaria no reinado infantil de Joás de Judá, guiado pelo sacerdote Joiada. Comentaristas mais conservadores, como Keil e Delitzsch, defenderam essa leitura já no século XIX. Os argumentos para uma data tardia (pós-exílica, entre os séculos V e IV a.C.) partem de referências que soam mais recentes: muros de Jerusalém já reconstruídos, a menção a gregos como compradores de escravos judeus vendidos por fenícios e filisteus, e uma teologia do "Dia do Senhor" que dialoga com textos de profetas posteriores. Comentaristas modernos, como James Crenshaw e John Barton em seus comentários acadêmicos sobre o livro, tendem a favorecer essa segunda leitura, embora reconheçam que a evidência interna é ambígua o bastante para não fechar a questão.

O que a incerteza não afeta é o peso teológico do texto. Em , o profeta anuncia que Deus derramará seu Espírito "sobre toda a carne" — não apenas sobre reis, sacerdotes ou profetas, mas sobre filhos, filhas, servos e servas, sem distinção. É exatamente essa passagem que o apóstolo Pedro cita, quase palavra por palavra, no primeiro sermão cristão registrado, para explicar o que a multidão estava vendo no dia de Pentecostes (). Um profeta sobre quem quase nada se sabe torna-se, assim, autor de uma das ligações mais explícitas e diretamente citadas entre o Antigo e o Novo Testamento — prova de que, na leitura bíblica, a autoridade de uma palavra profética não depende do currículo de quem a pronunciou, mas de seu cumprimento.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Joel era sacerdote do templo de Jerusalém, não apenas profeta

    O texto bíblico o identifica apenas pelo título de profeta e pelo nome do pai, Petuel (). O livro mostra grande familiaridade com o culto do templo — o que levou alguns estudiosos a especular sobre uma origem sacerdotal —, mas a Bíblia nunca afirma isso; é inferência, não dado do texto.

  • Dizem que:A praga de gafanhotos de Joel é só uma imagem poética, sem base em algo que realmente aconteceu

    Pragas de gafanhotos eram um fenômeno agrícola real e catastrófico no antigo Oriente Próximo, capaz de destruir uma colheita inteira em poucos dias. Joel parte de uma experiência concreta e reconhecível por seus ouvintes antes de ampliar o sentido do desastre para a ideia mais ampla do Dia do Senhor.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada/Amilenista

    Entende que o Pentecostes cumpre de modo pleno e definitivo a profecia de : os "últimos dias" anunciados já começaram com a vinda do Espírito sobre a igreja e se estendem até a volta de Cristo, sem reservar uma etapa futura separada para o povo de Israel.

  • Pentecostal/Carismática

    Vê o Pentecostes como o início do cumprimento, mas entende que o derramamento do Espírito continua e se intensifica ao longo da história da igreja e, de modo especial, nos tempos finais, incluindo os sinais cósmicos de como algo ainda por se completar.

  • Dispensacionalista

    Distingue o que aconteceu no Pentecostes — uma aplicação inicial e parcial do princípio da profecia à igreja — de um cumprimento futuro e completo, quando o Espírito será derramado sobre a nação de Israel restaurada no reino milenar.

  • Católica/Ortodoxa

    Lê a promessa dentro de uma eclesiologia mais ampla: o Espírito derramado sobre "toda a carne" marca o nascimento da Igreja como povo de Deus renovado, e esse derramamento continua de modo sacramental e litúrgico na vida da comunidade cristã através dos séculos.

O que fazer com isso

A história de Joel mostra que o peso de uma mensagem bíblica não depende da fama de quem a pronunciou. Um homem sobre o qual quase nada se sabe — nem cidade, nem profissão, apenas o nome do pai — deixou palavras que atravessaram séculos e reapareceram no relato fundador da igreja cristã, no Pentecostes. O registro bíblico preserva ali o conteúdo da profecia, não o currículo do profeta, e é essa mensagem que continua sendo lida e citada.

Passagens relacionadas7
Fontes consultadas4
  • Keil, C. F. e Delitzsch, F.. Commentary on the Old Testament (comentário sobre os Profetas Menores), 1866.
  • Crenshaw, James L.. Joel: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible), 1995.
  • Barton, John. Joel and Obadiah: A Commentary (Old Testament Library), 2001.
  • Henry, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry (Profetas Menores), 1712.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem foi o profeta Joel?

Joel foi um dos doze profetas menores do Antigo Testamento, autor do livro que leva seu nome. A Bíblia informa apenas que era filho de Petuel (); nenhum outro dado biográfico — cidade, ofício, contexto político — é registrado no texto.

Quando Joel viveu?

Não há certeza. As propostas de datação variam do século IX ao V a.C., porque o livro não menciona nenhum rei nem um inimigo estrangeiro específico que permita fixar a época com precisão. É uma das datações mais debatidas do Antigo Testamento.

Por que o apóstolo Pedro cita Joel no Pentecostes?

Em , Pedro cita quase palavra por palavra para explicar aos que assistiam ao Pentecostes que aquele derramamento do Espírito Santo era o cumprimento da promessa antiga feita por meio de Joel.

Joel foi sacerdote?

O texto bíblico não afirma isso. Ele é chamado apenas de profeta. A familiaridade do livro com a liturgia do templo levou alguns estudiosos a especular sobre uma ligação sacerdotal, mas é uma inferência, não uma informação dada pela Bíblia.

Outros personagens

Publicado em 25/08/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

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As passagens dele, explicadas

ProfeciaJoel 2:30-31

Sol em trevas e lua em sangue: o que Joel 2:30-31 realmente anuncia?

Joel escreveu depois de uma devastadora praga de gafanhotos que arrasou as colheitas de Judá. Diante da destruição, ele chama o povo ao arrependimento e anuncia que Deus restaurará o que foi perdido. Mas a promessa vai além: depois da restauração, o SENHOR derramará seu Espírito sobre todo tipo de pessoa, e antes do "grande e temível dia do SENHOR" haverá sinais impressionantes — sangue, fogo, colunas de fumaça, o sol escurecido e a lua "em sangue".

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Amós negou ser profeta logo depois de profetizar?

Depois de anunciar que Jeroboão II morreria à espada e Israel iria para o cativeiro, Amós é confrontado por Amazias, sacerdote do santuário real de Betel, que manda o profeta voltar para Judá e "comer o seu pão" lá, como se profetizar fosse ofício remunerado, e proíbe que ele continue falando em Betel. É respondendo a essa acusação que Amós diz a frase que soa contraditória: "Eu não era profeta, nem filho de profeta."

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'Restituirei os anos que o gafanhoto comeu': promessa literal ou espiritual?

Joel 2:25 é a promessa que Deus faz a Israel depois de uma catástrofe concreta: uma invasão de gafanhotos, descrita com quatro nomes diferentes - cortador, comedor, devorador e destruidor -, que devorara plantações inteiras e ameaçara anos de sustento do povo. Ao dizer que vai "restituir" esses anos, Deus promete repor exatamente o que a praga tirou: trigo, vinho e azeite voltando a fartar as eiras, como o mesmo capítulo já descrevera pouco antes.

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A praga de gafanhotos de Joel era literal ou representa um exército invasor?

Joel 1:4 abre o livro com uma sequência devastadora: "O que restou do gafanhoto cortador o gafanhoto comedor comeu; e o que restou do gafanhoto comedor o gafanhoto devorador comeu, e o que restou do gafanhoto devorador o gafanhoto destruidor comeu." O original usa quatro palavras hebraicas para as pragas, o que divide comentaristas: Joel relata catástrofe agrícola real, ou usa o gafanhoto de forma figurada, para descrever um exército invasor?

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ProfeciaMalaquias 4:5-6

O profeta Elias vai voltar antes do fim dos tempos?

Malaquias termina o Antigo Testamento com uma promessa marcante: Deus enviará "o profeta Elias" antes que venha "o grande e temível dia do SENHOR" (Malaquias 4:5). A missão desse Elias é reconciliar gerações — converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais — para que Deus não fira a terra com maldição (v.6). No hebraico original, essas são as últimas palavras do livro e, portanto, do arranjo cristão do Antigo Testamento.

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