Josefina
O que significa o nome Josefina na Bíblia?
Ficha do nome
"Ele acrescenta" ou "que Deus acrescente" (do masculino Yosef, raiz yasaf); Josefina é o feminino diminutivo formado depois, nas línguas latinas, e não aparece na Bíblia.
יוֹסֵף · Yosef
- Origem
- hebraico
- Gênero
- Feminino
- Uso
- Pouco comum no Brasil
- Variantes
- Josefina, Josefa, Joséphine, Josephine, Giuseppina
Resposta curta
Josefina significa, em essência, "que Deus acrescente" ou "ele acrescenta", porque é a forma feminina e diminutiva de José, do hebraico יוֹסֵף (Yosef), ligado ao verbo yasaf, "acrescentar". Nenhuma mulher da Bíblia se chama Josefina: o nome é uma formação posterior, criada nas línguas latinas a partir do masculino, e a Escritura só explica o sentido da raiz. Em , Raquel chama o filho de Yosef e pede: "Acrescente-me o Senhor outro filho". No versículo anterior, o texto faz um jogo sonoro com asaf, "tirar", pois ela diz que Deus tirou o seu opróbrio.
Chegou ao português pelo francês Joséphine e pela devoção a São José, e hoje é um nome incomum no Brasil.
Em palavras simples
Josefina é a forma feminina de José, um dos nomes mais conhecidos da Bíblia. José vem do hebraico Yosef, que quer dizer "ele acrescenta" ou "que Deus acrescente". Foi o nome que Raquel deu ao filho em , pedindo a Deus mais um menino. A Bíblia não tem nenhuma mulher chamada Josefina: o nome foi criado depois, nas línguas latinas, juntando o final -ina ao nome José. Chegou ao Brasil pelo francês e pela devoção a São José, e hoje é pouco usado.
De onde vem o nome
A forma Josefina não aparece na Bíblia. O que a Escritura traz é o nome masculino יוֹסֵף (Yosef), que passou ao grego como Ἰωσήφ (Iōsēph), na Septuaginta e no Novo Testamento, e ao latim como Ioseph. Josefina é um derivado posterior: o sufixo -ina, de valor diminutivo e feminino nas línguas latinas, foi acrescentado ao radical de José, dando o francês Joséphine, o italiano Giuseppina e o português e espanhol Josefina.
O único texto bíblico que explica o nome é . Raquel, que durante anos não conseguira ter filhos, dá à luz um menino. No versículo 23 ela diz que Deus "tirou" (asaf) o seu opróbrio; no versículo 24 chama o menino de Yosef e acrescenta: "Acrescente-me o Senhor outro filho". O narrador prende o nome, portanto, ao verbo yasaf, "acrescentar", e ao mesmo tempo ecoa o verbo asaf, "tirar, recolher", de som muito próximo. O pedido de Raquel é atendido em , com o nascimento de Benjamim, embora ela morra no parto.
No Novo Testamento o nome reaparece como José, o marido de Maria: "Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo" (). Todos os portadores bíblicos desse nome são homens, entre eles José do Egito, José de Arimateia e José, pai de Jesus. Por isso Josefina é "bíblico" apenas por derivação, e qualquer significado que se atribua a ele vem do masculino, não de uma passagem sobre uma mulher chamada Josefina.
O nome ganhou projeção europeia com Joséphine, a imperatriz dos franceses que foi casada com Napoleão Bonaparte e que, de batismo, se chamava Marie-Josèphe-Rose. Entre as devotas católicas, tornou-se conhecida Santa Josefina Bakhita (cerca de 1869 a 1947), nascida no Sudão e canonizada em 2000, que recebeu esse nome ao ser batizada, já na Itália. Nenhum desses dois casos, porém, tem ligação com a Bíblia além do nome herdado: trata-se de mulheres que receberam o feminino de José por tradição de seu tempo e de sua fé, e não de personagens das Escrituras.
O nome na Bíblia
A etimologia do masculino é uma das mais bem documentadas entre os nomes do Gênesis, porque o próprio texto a oferece. Yosef é uma forma verbal do tipo imperfeito, na conjugação causativa de yasaf, e significa "ele acrescenta" ou, num sentido de desejo, "que ele acrescente". O sujeito sobrentendido é Deus, como mostra a fala de Raquel, que pede esse acréscimo ao Senhor. Muitos nomes hebraicos funcionam assim, como pequenas frases, e é comum que o elemento divino seja omitido numa forma abreviada. O Salmo 81:5 usa uma grafia mais longa, Yehosef, que traz o início do nome divino, e isso é lido por vários estudiosos como indício dessa abreviação, embora a explicação não seja unânime.
O jogo com asaf, "tirar", costuma ser chamado de etimologia dupla. Não é que o narrador confunda as raízes: ele deixa o nome ressoar duas vezes, primeiro como remoção da vergonha da esterilidade e depois como promessa de ganho. Os léxicos clássicos, como o de Brown, Driver e Briggs e o HALOT, registram yasaf como a raiz do nome, e os comentaristas modernos de Gênesis, como Victor Hamilton, tratam o duplo som como recurso literário, e não como disputa sobre a origem.
A passagem para Josefina é uma questão de gramática histórica das línguas latinas. A forma masculina Iosephus deu José em português, Joseph em francês e inglês e Giuseppe em italiano. O feminino foi obtido pelo mesmo caminho que gerou Paulina, de Paulo, ou Clementina, de Clemente: acrescenta-se -ina para marcar o feminino e, muitas vezes, um tom afetivo. Em português existe também Josefa, feminino direto e mais antigo, que a tradição popular costuma abreviar em apelidos como Zefa; Josefina é a variante mais afrancesada e, em geral, mais associada a épocas recentes.
O cenário religioso favoreceu a difusão do nome. A devoção a São José cresceu na Europa católica ao longo dos séculos, e em 1870 o papa Pio IX o declarou patrono da Igreja universal, o que reforçou a escolha de nomes derivados. No Brasil, onde o catolicismo marcou a onomástica por séculos, Josefina circulou principalmente em gerações anteriores e hoje é incomum entre os recém-nascidos, ao contrário de nomes como Maria ou Ana.
Do ponto de vista honesto, convém dizer que "que Deus acrescente" é o sentido da raiz hebraica do masculino. Quando alguém pergunta o que Josefina significa, a resposta correta é que o nome carrega esse sentido por herança, com o toque diminutivo e feminino do sufixo, e que a Bíblia não conta a história de nenhuma Josefina.
O que costumam dizer errado2
Dizem que:Josefina é o nome de uma mulher da Bíblia.
Nenhuma personagem feminina da Bíblia se chama Josefina. O nome é um derivado do masculino José, formado depois, nas línguas latinas, com o sufixo -ina.
Dizem que:Josefina significa "mulher fértil" ou "mãe de muitos filhos" por causa de Raquel.
O texto de só dá o sentido do masculino Yosef, "que ele acrescente", como pedido de mais um filho. Transformar isso em um sentido de fertilidade da portadora do nome é uma leitura popular, não uma tradução.
Vale a pena escolher este nome?
Quem escolhe o nome Josefina costuma estar ligado a uma tradição familiar ou à devoção a São José, e a Bíblia oferece a esse nome um significado concreto: o pedido de Raquel, que reconhece em Deus quem tira a vergonha e quem acrescenta bênção (). O que o texto não oferece é uma biografia: não há uma mulher chamada Josefina nas Escrituras, e convém dizê-lo com clareza.
Fontes consultadas4
- Brown, Francis; Driver, S. R.; Briggs, Charles A.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
- Köhler, Ludwig; Baumgartner, Walter. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Hamilton, Victor P.. The Book of Genesis: Chapters 18-50 (NICOT), 1995.
- Houaiss, Antônio; Villar, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2001.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que significa o nome Josefina?
É o feminino diminutivo de José, do hebraico Yosef, "ele acrescenta" ou "que Deus acrescente". O sentido vem da raiz yasaf, "acrescentar", explicada em .
Josefina aparece na Bíblia?
Não. Há vários homens chamados José, mas nenhuma mulher chamada Josefina. O nome é um derivado criado depois, em línguas latinas.
Qual a diferença entre Josefina e Josefa?
Ambos são femininos de José. Josefa é o feminino direto e mais antigo em português; Josefina tem o sufixo -ina, diminutivo e feminino, e veio sobretudo pelo francês Joséphine.
Josefina é um nome comum no Brasil?
Não, é considerado incomum hoje. Foi mais usado em gerações anteriores, em famílias católicas devotas de São José.