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Significado Bíblico

Jó 2

3 passagens difíceis neste capítulo, explicadas com contexto histórico, línguas originais e as leituras cristãs que disputam o sentido.

Por que Jó raspava a própria pele com um caco de louça sentado nas cinzas?

Depois de ser atingido por uma enfermidade de pele violenta, descrita como "tumores malignos" de cima a baixo do corpo, Jó senta-se no meio das cinzas e passa a raspar a própria pele com um caco de louça quebrada. Para o leitor moderno, é uma imagem quase irreconhecível; para o leitor original, era a combinação de dois gestos culturalmente carregados no Oriente Próximo antigo: sentar-se nas cinzas era o luto extremo, praticado por quem perdia tudo o que tinha valor, e raspar feridas abertas com um objeto áspero era o único alívio físico disponível, ainda que rudimentar e doloroso, para o prurido e a secreção causados por doenças de pele graves numa época sem qualquer tratamento médico eficaz. O gesto físico e o gesto de luto se fundem numa única cena de aflição total.

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Por que a esposa de Jó manda ele amaldiçoar a Deus e morrer?

Depois de perder os dez filhos e todos os bens, Jó é atingido por uma doença dolorosa e senta-se no meio das cinzas, raspando as feridas com um caco de barro. Vendo o marido reduzido a esse sofrimento, sua mulher, também enlutada pelos mesmos filhos, pronuncia a frase que choca leitores até hoje: "Amaldiçoa a Deus, e morre" (Jó 2:9). O verbo hebraico por trás de "amaldiçoa" é, na verdade, a mesma palavra normalmente traduzida como "abençoar", um eufemismo documentado para evitar escrever a blasfêmia por extenso.

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Sete dias de silêncio: o luto dos amigos de Jó

Ao verem Jó desfigurado pela desgraça, Elifaz, Bildade e Zofar rasgam as vestes, lançam pó sobre a cabeça e se sentam no chão com ele por sete dias e sete noites, sem dizer palavra, "porque viram que a dor era muito grande" (Jó 2:13). Esse silêncio prolongado seguia um rito de luto do Oriente Médio antigo, no qual falar cedo demais com quem sofre era considerado uma ofensa.

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