Oolá e Oolibá: os nomes que escondem um trocadilho
Em Ezequiel 23:1-4, o profeta apresenta duas irmãs, Oolá e Oolibá, como personificações de Samaria e Jerusalém, as duas capitais dos reinos de Israel e Judá. Os nomes não são aleatórios: em hebraico, Oolá (Oholah) significa algo como 'a sua própria tenda', enquanto Oolibá (Oholibah) significa 'minha tenda está nela'. O trocadilho gira em torno da raiz hebraica ohel, tenda, associada tanto ao santuário quanto aos altares idólatras em lugares altos. Samaria tem 'sua própria' tenda de culto ilegítimo; Jerusalém tem 'a tenda de Deus' dentro dela — o templo — o que torna sua infidelidade ainda mais grave, por trair uma proximidade maior com a presença divina. A maioria das traduções em português preserva os nomes transliterados, mas perde completamente esse jogo sonoro e teológico do original.