A panela fervente enferrujada
Ezequiel 24:1-14 abre com uma parábola culinária violenta: Jerusalém é comparada a uma panela colocada sobre o fogo, cheia dos melhores pedaços de carne, que representam seus habitantes. Mas a panela está enferrujada — a ferrugem simboliza o sangue e a corrupção acumulados na cidade — e nem fervura prolongada nem esvaziamento consegue removê-la. A solução final é drástica: a panela deve ser colocada vazia sobre as brasas até que o próprio metal se derreta e a ferrugem se consuma pelo calor extremo. A imagem funciona em duas etapas, primeiro o cozimento da carne, depois a purificação da panela vazia, e cada etapa corresponde a uma fase do cerco babilônico: primeiro a destruição dos habitantes, depois a purificação da própria cidade pelo fogo, num processo que o texto apresenta como necessário e sem possibilidade de meio-termo.