O bebê abandonado que Deus resgatou
Ezequiel 16:1-14 abre a mais longa alegoria do livro comparando Jerusalém a uma menina recém-nascida, exposta ao abandono no dia do próprio nascimento: não teve o cordão umbilical cortado, não foi lavada, não foi enfaixada, e ninguém teve piedade suficiente para fazer qualquer uma dessas coisas por ela (16:4-5). A imagem retrata um costume real e brutal do mundo antigo, o abandono de recém-nascidos indesejados, sobretudo meninas, deixados para morrer por exposição. Deus passa, vê a criança se debatendo em seu próprio sangue, e diz simplesmente vive (16:6). Ele a cria, e quando ela cresce, entra em aliança de casamento com ela, cobrindo sua nudez e adornando-a com riqueza. A alegoria narra a origem de Jerusalém como puro dom gratuito, sem nenhum mérito prévio da própria cidade.