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Significado Bíblico
Fora da BíbliaAchado arqueológicointermediária

Papiro de Nash

O que é o Papiro de Nash e por que ele era considerado o manuscrito bíblico hebraico mais antigo antes dos Manuscritos do Mar Morto?

Ficha do documento

Data provável
c. 150 a.C. a início do séc. I d.C.
Língua
Hebraico
Onde se preserva
Biblioteca da Universidade de Cambridge, Inglaterra, desde a doação de Walter L. Nash em 1903

A erudição, no entanto, sustenta: Escriba judeu anônimo do período do Segundo Templo, autor desconhecido

Status por tradição

Tradição judaicaCanônicoO papiro não é um livro à parte; preserva um texto de Êxodo/Deuteronômio, já canônico.
Igreja CatólicaCanônicoTestemunha de texto já canônico, não um livro autônomo.
Igreja OrtodoxaCanônicoTestemunha de texto já canônico, não um livro autônomo.
Ortodoxa EtíopeCanônicoTestemunha de texto já canônico, não um livro autônomo.
Tradições protestantesCanônicoTestemunha de texto já canônico, não um livro autônomo.

Resposta curta

O Papiro de Nash é um fragmento de papiro hebraico, hoje em quatro pedaços, adquirido no Egito em 1898 pelo egiptólogo britânico Walter Llewellyn Nash. O texto reúne uma versão dos Dez Mandamentos, com pequenas diferenças do que se lê hoje em e , seguida pelo Shemá Israel ("Ouve, ó Israel..."), declaração central da fé judaica tirada de . A caligrafia situa a cópia entre o século II a.C. e o início do século I d.C.

Antes dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947, o Papiro de Nash era o manuscrito hebraico bíblico mais antigo então conhecido, e por isso ocupou lugar central nos estudos de paleografia e crítica textual do AT. Doado à Universidade de Cambridge em 1903, permanece preservado até hoje na biblioteca daquela universidade.

Passagens bíblicas relacionadas

Em palavras simples

O Papiro de Nash é um pedaço antigo de papiro escrito em hebraico, comprado no Egito em 1898. Nele está escrita uma versão dos Dez Mandamentos, seguida de uma oração judaica muito importante, o Shemá Israel. Os estudiosos calculam que ele foi escrito entre cerca de 150 a.C. e o início do primeiro século depois de Cristo. Antes de os Manuscritos do Mar Morto serem encontrados, em 1947, esse papiro era o texto bíblico em hebraico mais antigo que se conhecia no mundo. Hoje ele fica guardado numa biblioteca na Inglaterra.

O que o documento conta

Em 1898, o egiptólogo e colecionador britânico Walter Llewellyn Nash comprou de um antiquário no Egito um pequeno lote de fragmentos de papiro escritos em hebraico. A procedência exata é incerta — provavelmente vieram do mercado de antiguidades do Cairo ou da região do Faium, onde o clima seco preserva papiros por séculos — mas não há registro de uma escavação controlada que os tenha encontrado. Nash doou o material à Biblioteca da Universidade de Cambridge em 1903, e é lá que ele permanece guardado até hoje.

O estudioso Stanley A. Cook publicou a primeira análise do papiro em 1903, reconhecendo nele uma versão hebraica dos Dez Mandamentos seguida do Shemá Israel, a oração de que declara "Ouve, ó Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é um só". Essa combinação chamou atenção porque a Mishná (Tamid 5:1) registra que, no Templo de Jerusalém, os sacerdotes recitavam diariamente o Decálogo junto com o Shemá — um costume que depois caiu em desuso na liturgia sinagogal, segundo o Talmude de Jerusalém, por causa de disputas com grupos que questionavam a autoridade do restante da Torá. Isso sugere que o papiro não é um pedaço de um rolo bíblico comum, mas um texto devocional ou litúrgico de uso pessoal.

Datar o papiro com precisão é difícil, já que ele não veio de uma escavação datável por estratigrafia. A análise da caligrafia (paleografia) é o principal critério: Cook propôs uma data já na era cristã, mas o estudo mais influente, do arqueólogo William F. Albright em 1937, comparou as letras com inscrições datadas do período macabeu e concluiu por uma origem entre os séculos II e I a.C. Até a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947, o Papiro de Nash foi tratado como o testemunho hebraico mais antigo de um texto bíblico já achado, o que o tornou uma peça de referência obrigatória nos manuais de crítica textual do Antigo Testamento — posição que hoje divide com os muitos fragmentos de Qumran, mas sem perder importância histórica.

Aprofundamento

O que torna o Papiro de Nash valioso para quem estuda a transmissão do texto bíblico não é só a idade, mas as diferenças finas entre o que ele traz e o Texto Massorético que usamos hoje. O Decálogo do papiro não segue nem exatamente nem exatamente : ele mistura elementos dos dois, um fenômeno chamado de texto "conflado" ou harmonizado, algo comum em cópias usadas para memorização ou liturgia, onde pequenas variações de redação incomodavam menos do que numa cópia oficial de um rolo da Torá. Outro detalhe notado por vários eruditos é a ordem dos mandamentos contra o adultério e o homicídio: no Texto Massorético, "não matarás" vem antes de "não adulterarás"; no Papiro de Nash, a ordem é invertida, coincidindo com a sequência encontrada em alguns manuscritos da Septuaginta grega e na citação que Filo de Alexandria faz do Decálogo. Esse tipo de variação mostra que, no fim do período do Segundo Templo, mais de uma forma do texto hebraico circulava lado a lado, antes de um processo posterior de padronização.

A ligação entre Decálogo e Shemá no mesmo documento também reforça a hipótese de que o papiro nunca foi um fragmento de um rolo bíblico contínuo, mas sim um resumo devocional, parecido em função aos tefilim (filactérios) — pequenas caixas de couro com trechos da Torá usadas na oração judaica. De fato, alguns tefilim encontrados décadas depois em Qumran também reúnem o Decálogo com o Shemá, confirmando que essa combinação litúrgica já existia antes da era cristã e não foi uma invenção isolada do escriba que copiou o Papiro de Nash.

Quanto à data, a proposta de Albright (por volta de 150-100 a.C., no período macabeu) permaneceu como referência padrão por décadas, apoiada em comparações com inscrições datadas de forma independente. Estudos paleográficos posteriores, como o de Solomon Birnbaum, revisaram detalhes dessa cronologia, mas sem deslocar o papiro para fora da janela entre o século II a.C. e o início do I d.C. Depois de 1947, quando os Manuscritos do Mar Morto trouxeram centenas de fragmentos bíblicos de datação comparável ou anterior, o Papiro de Nash deixou de ser o único ponto de referência, mas seguiu sendo citado como confirmação independente de que a prática de reunir Decálogo e Shemá para uso devocional já estava consolidada entre os judeus do período do Segundo Templo, bem antes da composição da Mishná que a descreve.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:O Papiro de Nash é o manuscrito bíblico mais antigo que já existiu.

    Ele foi, por décadas, o manuscrito hebraico bíblico mais antigo conhecido, mas essa posição mudou com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto em 1947, que incluem fragmentos bíblicos de datação igual ou anterior. O papiro nunca foi o manuscrito bíblico mais antigo em termos absolutos, mesmo antes de 1947, pois textos egípcios e mesopotâmicos muito mais antigos já eram conhecidos — ele era o mais antigo especificamente entre os manuscritos hebraicos de conteúdo bíblico.

  • Dizem que:O papiro é um fragmento de um rolo da Torá usado nas sinagogas da época.

    A maioria dos estudiosos entende que se trata de um texto devocional avulso, reunindo Decálogo e Shemá para uso litúrgico ou pessoal — parecido em função aos tefilim —, e não um trecho de um rolo bíblico contínuo destinado à leitura pública na sinagoga.

Como diferentes tradições leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica e Luterana

    Seguem uma divisão do Decálogo, remontando a Agostinho de Hipona, que trata a proibição de outros deuses e de imagens como um único mandamento e separa a proibição de cobiçar a mulher do próximo da proibição de cobiçar seus bens como dois mandamentos distintos.

  • Ortodoxa e Reformada/Protestante

    Mantêm separados o mandamento contra outros deuses e o mandamento contra imagens como o primeiro e o segundo, e tratam toda cobiça (mulher e bens do próximo) como um único e último mandamento — divisão mais próxima da encontrada em Filo de Alexandria e Flávio Josefo, autores do mesmo período histórico do Papiro de Nash.

  • Protestante evangélica (uso apologético comum)

    Tende a citar o papiro como evidência da antiguidade e estabilidade da transmissão do texto do Decálogo, uma leitura válida quanto ao núcleo do conteúdo, mas que deve ser matizada pelas diferenças reais de ordem e redação que o próprio papiro documenta.

O que fazer com isso

Um manuscrito como o Papiro de Nash não prova nem desmente a Bíblia: ele mostra como o texto era copiado e usado numa época real, com pequenas variações de ordem e redação que conviviam com um núcleo estável de conteúdo. Vale a pena lê-lo assim — como testemunho de que a fé bíblica sempre teve transmissão humana, cuidadosa mas não uniforme, e ainda assim manteve intacto o essencial: os mandamentos e a confissão de que o Senhor é um só.

Fontes consultadas4 obras
  • Stanley A. Cook. A Pre-Massoretic Biblical Papyrus, 1903.
  • William F. Albright. A Biblical Fragment from the Maccabaean Age: The Nash Papyrus, 1937.
  • Solomon A. Birnbaum. The Nash Papyrus: A Palaeographical Study, 1949.
  • Emanuel Tov. Textual Criticism of the Hebrew Bible, 2012.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O Papiro de Nash é um manuscrito bíblico completo?

Não. É um fragmento pequeno, com apenas duas passagens: uma versão dos Dez Mandamentos e o Shemá Israel. Não contém um livro bíblico inteiro.

Onde o Papiro de Nash está guardado hoje?

Na Biblioteca da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, para onde foi doado por Walter L. Nash em 1903.

O texto do papiro é idêntico ao que temos na Bíblia hoje?

É muito próximo, mas não idêntico. Ele mistura elementos das versões do Decálogo de Êxodo e Deuteronômio e inverte a ordem de dois mandamentos em relação ao Texto Massorético.

Por que o papiro foi comparado aos Manuscritos do Mar Morto?

Porque, até 1947, ele era o manuscrito hebraico bíblico mais antigo conhecido. Os Manuscritos do Mar Morto trouxeram fragmentos de datação comparável ou anterior, tirando dele essa posição isolada, mas confirmando o tipo de variação textual que ele já documentava.

Para que servia o Papiro de Nash?

A maioria dos estudiosos acredita que era um texto devocional ou litúrgico de uso pessoal, reunindo Decálogo e Shemá — uma combinação também descrita na Mishná como parte da liturgia diária do Templo de Jerusalém.

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Publicado em 02/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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