Jesus mandou os discípulos comprarem espadas?
A resposta está três versículos adiante, e é do próprio texto. Os discípulos dizem "Senhor, eis aqui duas espadas", e Jesus responde: "basta".

O exagero era recurso de ensino corrente no primeiro século, e o ouvinte original sabia disso. Ler essas frases ao pé da letra produz um texto impossível — e faz perder exatamente o ponto que o exagero queria fixar na memória.
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A resposta está três versículos adiante, e é do próprio texto. Os discípulos dizem "Senhor, eis aqui duas espadas", e Jesus responde: "basta".
Dito ao pé da letra, o versículo seria falso: qualquer pessoa que recebe "a água que Jesus dá" continua, fisicamente, precisando beber água todos os dias — inclusive os discípulos que já a haviam recebido continuavam com sede em outros momentos do próprio evangelho.
A palavra "odeia" aqui é linguagem semítica de contraste extremo, não instrução de autodesprezo. É a mesma estrutura de Lucas 14:26, onde Jesus diz que é preciso "odiar" pai, mãe e a própria vida para segui-lo — e ninguém lê aquele texto como mandamento de desprezar os pais, porque o próprio Jesus, no mesmo evangelho, manda honrá-los.
O último versículo do quarto evangelho é uma frase de encerramento deliberadamente exagerada: se cada obra de Jesus fosse registrada por escrito, "nem mesmo o mundo poderia caber os livros escritos".
Os três primeiros versículos de 1 Coríntios 13 formam uma cadeia de hipérboles construída em escala crescente: línguas humanas e angelicais, profecia que decifra todos os mistérios, fé capaz de mover montanhas, generosidade que distribui tudo o que se tem, e o extremo final — entregar o próprio corpo para ser queimado.
O advérbio grego é *adialeiptos*, e ele aparece em papiros da época descrevendo uma tosse persistente — algo que volta constantemente, não algo ininterrupto.