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Significado Bíblico
Dicionário bíblicogregointermediária

Sedição (Stasis)

O que significa Sedição na Bíblia?

A palavra no original

στάσις

stasis · Strong G4714

Posição, ato de pôr-se de pé; daí levante, motim, dissensão.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • motim ou levante contra a autoridade
  • agitação pública
  • dissensão entre grupos
  • luta civil
  • posição ou ato de estar de pé

Resposta curta

Sedição é a revolta de um grupo contra a autoridade estabelecida, um motim ou levante que ameaça a ordem pública, palavra hoje pouco usada fora de textos jurídicos e históricos. A Bíblia a emprega para traduzir o grego στάσις (stasis), que em explica por que Barrabás estava preso: por causa de uma sedição ocorrida na cidade e de um homicídio. Em , o orador Tértulo acusa Paulo de provocar sedições entre os judeus de todo o mundo. Para o leitor atual, a palavra desaparece, e com ela some o motivo pelo qual o povo pediu Barrabás e o que significava acusar alguém de agitar as massas.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Barrabás, preso por sedição e homicídio, é solto; Jesus, acusado de subverter a nação, é entregue à cruz. Os evangelhos registram o contraste sem comentar. Mais tarde, a leitura cristã viu nessa troca um quadro do que se afirma na cruz, com um culpado libertado no lugar do inocente, mas os textos de Lucas e Marcos não fazem essa leitura. Ela está de acordo com o ensino do Novo Testamento sobre a morte substitutiva de Cristo (), sem que a palavra stasis a anuncie.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Sedição é uma revolta ou motim contra quem governa. Na Bíblia, a palavra traduz o grego stasis. Ela explica por que Barrabás estava preso em : por uma revolta na cidade e por homicídio. Em , o advogado Tértulo acusa Paulo de provocar sedições entre os judeus. Para os romanos, esse era um crime grave, porque ameaçava a ordem pública. Por isso a cena em que o povo pede a libertação de Barrabás, e não a de Jesus, tem tanto peso: soltaram um revoltoso e condenaram quem foi acusado falsamente de sê-lo.

De onde vem a palavra

No tribunal de Pilatos, descrito em , a multidão pede que Jesus seja crucificado e exige a libertação de Barrabás. O evangelista explica quem ele era: um homem lançado na prisão por causa de uma sedição havida na cidade e de um homicídio (, repetido no versículo 25). dá mais detalhe: ele estava preso com outros amotinados que, no motim, haviam cometido um assassinato. Mateus diz apenas que era um prisioneiro notório, e João o chama de bandido. Os quatro retratos convergem num ponto: Barrabás era ligado a violência política contra a ordem.

A ironia é pesada. Jesus fora levado a Pilatos com a acusação de que subvertia a nação, proibia pagar impostos a César e se dizia rei (). A acusação era de sedição em termos políticos, mas o único homem realmente preso por sedição era Barrabás. Pilatos, por três vezes, declara não achar culpa em Jesus (23:4,14,22). O povo prefere soltar quem de fato se levantara contra Roma.

O mesmo motivo reaparece em Atos. Em 24:5 o advogado Tértulo apresenta ao governador Félix a acusação contra Paulo: é peste, promove sedições entre os judeus pelo mundo inteiro e é cabeça da seita dos nazarenos. Para a administração romana, o risco de tumulto era o que mais importava, e acusar alguém de provocá-lo era grave. Em , o escrivão de Éfeso adverte os cidadãos de que podem ser acusados de sedição pelo tumulto do dia, o que mostra a gravidade com que Roma tratava desordens públicas. Em todos esses casos, a palavra não fala de convicção religiosa, mas de risco para a ordem. Isso ajuda a entender o peso da acusação feita contra Jesus e contra Paulo: não se tratava de debate teológico, e sim de algo que os governadores romanos tinham o dever de reprimir. A defesa de cada um deles, nos relatos, consiste justamente em negar esse risco, e em mostrar que a ordem não estava ameaçada.

Aprofundamento

A palavra στάσις (Strong G4714) vem do verbo ἵστημι, pôr de pé, colocar, e significa originalmente o ato de ficar em pé, a posição, o lugar. A partir daí o grego desenvolveu o sentido de posição tomada contra alguém, e em seguida o de facção, dissensão e luta civil. Tucídides já a usa para descrever as lutas internas das cidades gregas, e o termo se manteve no grego helenístico para qualquer levante de grupos contra a ordem. O BDAG distingue os principais usos do Novo Testamento: ato de levante, dissensão e, em , o sentido físico de estar de pé.

Esse leque explica por que a mesma palavra, em contextos diferentes, ganha traduções diversas. Em e , o sentido é de levante político violento. Em , traduzida por sedições, o sentido é de agitação que desafia a autoridade. Em , a palavra descreve a discórdia entre fariseus e saduceus no sinédrio, onde a divisão é teológica e não armada, e por isso as traduções costumam dizer dissensão ou discussão. Em , a mesma raiz descreve a contenda em Antioquia sobre a circuncisão. O leitor atento percebe que o vocábulo é mais amplo que a palavra portuguesa sedição.

Há também a questão de quem foi Barrabás. Os evangelhos o descrevem como preso por sedição e homicídio, e João o chama de lestes, termo que Josefo usa para bandoleiros e rebeldes. A historiografia moderna, em geral, o situa entre os grupos que se levantavam contra a ocupação romana, embora o texto bíblico não dê detalhes de sua motivação, de seu grupo ou do acontecimento. Qualquer reconstrução mais precisa vai além do que as fontes permitem. Também não se pode afirmar a identidade do motim a que o texto se refere, pois nenhuma fonte externa o descreve.

Convém, por fim, não confundir stasis com palavras vizinhas. Em , na lista das obras da carne, as versões trazem dissensões ou divisões, mas ali o grego é dichostasia, e não stasis, o que mostra a necessidade de verificar o original antes de somar ocorrências a partir das traduções. Quanto ao uso geral da palavra no grego antigo, as lutas civis das cidades gregas, descritas por Tucídides, servem de pano de fundo clássico, ainda que nenhum autor do Novo Testamento o cite. Em resumo, stasis é palavra de contexto: só o entorno de cada versículo indica se pesa mais o levante armado, a agitação de rua ou a mera discórdia entre grupos rivais, e uma tradução única para todos os casos seria sempre imprecisa.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Barrabás era apenas um ladrão comum.

    Lucas e Marcos o ligam a uma sedição na cidade, ou seja, a um motim com mortes, e João o chama de lestes, termo usado também para rebeldes. O quadro é de violência política, não de simples furto.

  • Dizem que:Sedição, em Atos 24:5, quer dizer que Paulo pregava contra o imperador.

    A acusação de Tértulo é mais ampla: Paulo agitaria os judeus pelo mundo todo. O texto não diz que ele atacava César, e o próprio Paulo nega a acusação (24:12-13). A palavra fala de risco de tumulto, não de crítica política explícita.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura histórica (estudos do Novo Testamento)

    Situa Barrabás entre os grupos que resistiam à ocupação romana, e vê na troca de prisioneiros uma ironia do evangelista: o acusado de agitador morre, e o agitador de fato é solto.

  • Leitura da substituição penal (reformada e evangélica)

    Lê a libertação de Barrabás como quadro da obra de Cristo, que toma o lugar do culpado, embora reconheça que os evangelistas não explicitem essa ligação.

  • Leitura patrística

    Vários Pais da Igreja, como Orígenes, comentaram a escolha de Barrabás pela multidão como emblema da rejeição de Cristo, destacando o contraste entre o revoltoso e o inocente.

O que fazer com isso

Barrabás estava preso por levantar-se contra a autoridade; Jesus, que não o fez, foi condenado em seu lugar. O contraste ajuda a ler os relatos da paixão sem esquecer a dimensão política que cercava a cena. Também lembra o cuidado que acusações de agitação merecem: quem as faz muitas vezes protege uma ordem que se sente ameaçada, e não uma verdade apurada.

Passagens relacionadas6

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
  • Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Brown, R.E.. The Death of the Messiah, 1994.
  • Bock, D.L.. Luke 9:51-24:53, Baker Exegetical Commentary on the New Testament, 1996.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que Barrabás estava preso?

Segundo , por uma sedição ocorrida na cidade e por homicídio. diz que estava com outros amotinados que haviam cometido assassinato no motim. O texto não informa qual foi o levante.

Sedição é o mesmo que rebelião?

É muito próximo: levante contra a autoridade. Sedição costuma indicar o motim ou a agitação, e rebelião o movimento organizado contra o poder. O grego stasis cobre os dois e ainda o sentido de dissensão em .

Paulo foi mesmo acusado de sedição?

Sim, por Tértulo em , que o chamou de promotor de sedições entre os judeus pelo mundo. Paulo rejeitou a acusação diante de Félix, e o governador não o condenou.

Palavras próximas

Temas

  • #sedicao
  • #stasis
  • #barrabas
  • #lucas-23
  • #atos-24
  • #revolta
  • #tumulto

Publicado em 11/11/2026

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O que foi conferido

  • στάσις (stasis) em grego, Strong G4714
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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