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Significado Bíblico
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Azorrague (Phragellion)

O que significa Azorrague na Bíblia?

A palavra no original

φραγέλλιον

phragellion · Strong G5416

Chicote ou açoite, aqui feito de cordas; empréstimo do latim flagellum.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • chicote de cordas
  • instrumento de tanger gado
  • empréstimo do latim flagellum
  • purificação do templo
  • zelo pela casa do Senhor

Resposta curta

Azorrague é, no português de hoje, um chicote ou açoite, geralmente de tiras ou de cordas, usado para tanger animais ou castigar. A palavra grega por trás dele é phragellion (φραγέλλιον), que o Novo Testamento usa uma única vez: em , quando Jesus faz um azorrague de cordas e expulsa do templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas. O termo é empréstimo do latim flagellum. Pelo contexto, era instrumento de condutor de gado, não arma de guerra: servia para pôr os animais em movimento. O texto não diz de modo explícito que Jesus tenha açoitado pessoas; concentra a ação nos animais, nas mesas dos cambistas e nas moedas espalhadas pelo chão.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Cumprimento direto

João liga o gesto de Jesus no templo ao Salmo 69:9: os discípulos se lembram de que está escrito que o zelo da casa do Senhor o consumirá (). O evangelista lê a ação como cumprimento dessa palavra e, em 2:19-21, relaciona-a ao santuário que é o corpo de Jesus. O azorrague em si não é símbolo de Cristo; é o objeto que torna visível o zelo descrito no salmo. Ecos de e , em que o Senhor vem purificar o templo, reforçam a leitura, mas o respaldo explícito do Novo Testamento é a citação do Salmo 69:9.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Azorrague é um chicote ou açoite, em geral de cordas. A palavra grega é phragellion e aparece uma única vez no Novo Testamento, em , quando Jesus faz um azorrague de cordas e expulsa do templo os animais que estavam sendo vendidos. Esse tipo de chicote servia para tanger bois e ovelhas, e não era uma arma. O texto não diz que Jesus tenha batido nas pessoas: fala dos animais, das moedas e das mesas dos cambistas.

De onde vem a palavra

A cena de acontece perto da Páscoa, em Jerusalém. O evangelista diz que Jesus encontrou no templo vendedores de bois, ovelhas e pombas, e cambistas sentados às mesas. Esse comércio tinha função prática: quem vinha de longe precisava de animais sem defeito para o sacrifício e de moeda aceita para o imposto do templo. O que a cena condena não é a existência do serviço, mas o fato de ele ocupar o espaço do santuário e de transformar a casa de oração em mercado.

Jesus faz então um azorrague de cordas, expulsa do templo os animais, derrama as moedas dos cambistas, vira as mesas e diz aos vendedores de pombas que tirem aquilo dali e não façam da casa de seu Pai casa de negócio. Os discípulos se lembram de uma frase do Salmo 69:9, o zelo da tua casa me consumirá (). A expressão "casa de negócio" traduz o grego emporion, mercado, e deixa claro que o problema é a função do lugar, e não o comércio em si. Os líderes pedem um sinal que justifique a ação, e Jesus responde com a frase sobre destruir e reerguer o santuário (2:18-19), que o evangelista interpreta como alusão ao corpo de Jesus.

Os outros três evangelhos contam a purificação do templo no fim do ministério, em , e , e nenhum deles menciona o azorrague. João a coloca no início. Os estudiosos discutem se houve duas ações, uma no começo e outra no fim, ou se João reorganizou o relato por razões teológicas; o texto não resolve a questão. Há também ecos proféticos: anuncia que no dia do Senhor não haverá mais comerciante na casa do Senhor, e diz que o Senhor virá de repente ao seu templo e purificará os filhos de Levi.

Aprofundamento

O termo φραγέλλιον (phragellion, Strong G5416) ocorre só em e é transliteração do latim flagellum, diminutivo de flagrum, o açoite. Sua presença em grego mostra a influência do latim no vocabulário do Novo Testamento. O verbo da mesma família, phragelloō, aparece em e , quando Pilatos manda açoitar Jesus antes da crucificação. Convém separar os dois contextos: o flagrum romano de execução podia ter tiras com ossos ou metal e era extremamente cruel, enquanto o phragellion de é feito de cordas, instrumento comum de quem conduz animais.

O grego informa o material com precisão: φραγέλλιον ἐκ σχοινίων, "um azorrague de cordas". Schoinion designa corda ou cordão, e a palavra pode se referir ao junco com que se fazem cordas. Isso sugere um objeto improvisado, feito ali com o que havia no lugar, como cordas de amarrar o gado. O Novo Testamento tem outras palavras para açoite, como mastix, em e , mas não é a escolhida por João, o que reforça o contraste com o chicote de castigo.

A gramática de 2:15 divide os comentaristas. O versículo diz que Jesus expulsou do templo "todos, tanto as ovelhas quanto os bois". A construção permite entender que o azorrague serviu apenas para tanger os animais, ou que a ação alcançou também os vendedores. A maior parte dos comentários modernos, como os de Raymond Brown e D. A. Carson, considera mais natural que o instrumento fosse usado para tocar o gado, e nota que a ordem posterior aos vendedores de pombas é dada por palavra, não por golpe. O leitor deve ter claro que o texto não descreve agressão a pessoas, embora também não a exclua com certeza.

O português azorrague é palavra rara, hoje mais literária do que corrente. Nas traduções brasileiras, a ARA diz azorrague de cordas e outras versões dizem chicote de cordas ou açoite de cordas. A diferença é de registro, e não de sentido. Nenhuma tradução responde à pergunta sobre o alcance da ação; apenas a repetem como o grego a deixa. Vale lembrar, por fim, que a cena não depende do objeto: o que João destaca é o zelo de Jesus pelo templo e a pergunta dos líderes sobre a autoridade para agir daquela maneira, de modo que o azorrague é um detalhe de narrativa e não o centro da passagem. O evangelista dedica muito mais espaço às palavras de Jesus e à reação dos presentes do que ao próprio instrumento, que ele menciona apenas de passagem. É por isso que o vocabulário merece atenção sem ser inflado: conhecer a palavra corrige um mal-entendido, mas a interpretação do episódio se decide pelo contexto do evangelho inteiro.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Jesus usou o azorrague para espancar os comerciantes.

    João diz que ele fez um azorrague de cordas e expulsou os animais e os que vendiam, mas o texto não descreve golpes contra pessoas. A palavra grega nomeia um chicote de condutor de gado, e as ordens aos vendedores de pombas são dadas por fala.

  • Dizem que:O azorrague de João 2 é o mesmo instrumento com que Jesus foi açoitado por Pilatos.

    O verbo grego de e tem a mesma raiz latina, mas o açoite romano de execução era outro instrumento, com tiras reforçadas. O phragellion de é de cordas, objeto comum para tanger animais.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Evangélica e reformada

    Vê na ação um gesto profético de purificação do templo, que expressa o zelo do Messias pela casa do Pai, em linha com e com a citação do Salmo 69:9.

  • Crítica histórica

    Muitos estudiosos, como E. P. Sanders, leem o episódio como ato simbólico que anuncia o julgamento e a futura destruição do templo, mais do que uma reforma do comércio.

  • Patrística e católica

    Os Padres da Igreja viram na cena a autoridade de Cristo sobre o templo e, em alguns casos, desenvolveram leituras alegóricas das cordas, sem consenso entre eles.

O que fazer com isso

O azorrague de mostra Jesus agindo com um objeto simples e com um propósito claro: abrir espaço para o culto no lugar a ele destinado. A leitura atenta do vocabulário evita dois erros opostos, o de imaginar uma cena de brutalidade contra pessoas e o de suavizá-la como se nada de forte tivesse ocorrido. Entender o objeto como instrumento de condutor de gado ajuda a ler o episódio no ritmo do texto, sem transformá-lo em modelo para violência.

Passagens relacionadas7

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Brown, R. E.. The Gospel According to John I-XII (Anchor Bible), 1966.
  • Carson, D. A.. The Gospel According to John (Pillar New Testament Commentary), 1991.
  • Bauer, W.; Danker, F. W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
  • Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Sanders, E. P.. Jesus and Judaism, 1985.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que é um azorrague?

É um chicote ou açoite, em geral de tiras ou cordas. Na Bíblia, a palavra traduz o grego phragellion, que aparece só em .

Jesus bateu nas pessoas com o azorrague?

O texto de não diz isso. Ele fala em expulsar do templo os animais e os vendedores e em derramar as moedas, e a ordem aos vendedores de pombas é dada por palavra. Os comentaristas divergem sobre o alcance exato da ação.

Por que só João menciona o azorrague?

Mateus, Marcos e Lucas narram a purificação do templo sem mencionar o chicote. A razão não é dita no texto; o detalhe pode simplesmente ser memória própria da tradição joanina.

Phragellion é a mesma palavra do açoite de Pilatos?

É da mesma família. O verbo phragelloō, de , vem do mesmo empréstimo latino flagellum, mas o instrumento de execução romano era outro, e o contexto de trata de um chicote de cordas.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • φραγέλλιον (phragellion) em grego, Strong G5416
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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