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Significado Bíblico
Profeciaintermediária
Ilustração da categoria Profecia

Os muros de Jericó caíram mesmo? O que a arqueologia diz sobre Josué 6:20

Os muros de Jericó realmente caíram com o grito e as trombetas, e a arqueologia confirma isso?

Então o povo deu grito, e os sacerdotes tocaram as trombetas: e aconteceu que quando o povo ouviu o som da trombeta, deu o povo grito com grande barulho, e o muro caiu verticalmente. O povo subiu logo à cidade, cada um em frente de si, e tomaram-na.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

conta que, ao som das trombetas e do grito do povo, o muro de Jericó caiu “no seu lugar” e Israel entrou na cidade. A pergunta que muita gente faz é se a arqueologia confirma isso, e a resposta honesta é que o debate continua aberto. John Garstang, nos anos 1930, encontrou muros caídos e os ligou a Josué por volta de 1400 a.C. Kathleen Kenyon, nos anos 1950, concluiu que a cidade do Bronze Tardio deixou quase nenhum vestígio e que os muros famosos eram muito mais antigos. Estudiosos posteriores, como Bryant Wood, contestaram essa datação, enquanto outros preferem manter a cautela. O texto bíblico, por sua vez, não promete uma demonstração científica: apresenta a queda como obra de Deus, recebida por um povo que marchou, esperou e obedeceu.

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

A narrativa não é uma profecia sobre Jesus, mas o nome “Josué” (Yehoshua) é o mesmo que “Jesus” em hebraico, e o Novo Testamento cita a queda de Jericó como exemplo de fé. A salvação de Raabe, que confiou no Deus de Israel, também é lembrada ali e em .

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Jericó era uma cidade muito antiga, cercada por muros. A Bíblia diz que o povo de Israel andou ao redor dela por sete dias, tocou as trombetas e gritou, e então o muro caiu. Os arqueólogos escavaram o lugar e não concordam sobre a data da destruição: alguns acham que combina com a Bíblia, outros acham que não. O texto, porém, quer mostrar que foi Deus quem entregou a cidade a Israel, e não a força do exército.

Contexto histórico

Jericó ficava no vale do Jordão, perto do mar Morto, onde hoje está o sítio arqueológico de Tell es-Sultan, junto a uma fonte de água abundante. Era a primeira cidade cananeia no caminho de Israel depois da travessia do Jordão, narrada em . Antes do capítulo 6, o livro mostra o povo se preparando em Gilgal: a circuncisão dos homens nascidos no deserto, a celebração da Páscoa, o fim do maná e o encontro de Josué com o comandante do exército do Senhor (Js 5). O capítulo 6 abre dizendo que Jericó estava fechada por dentro e por fora, sem que ninguém saísse ou entrasse. As ordens são incomuns para um cerco: durante seis dias o exército dá uma volta por dia ao redor da cidade, com sete sacerdotes tocando trombetas de chifre de carneiro diante da arca. No sétimo dia são sete voltas, e só então o povo grita. A cidade é entregue ao herém, a consagração à destruição, com exceção de Raabe e de sua família, que haviam protegido os espias (Js 2; 6:22-25). O versículo 20 é o ponto de virada: o povo grita, o muro cai e cada um sobe diretamente para a cidade. A data da conquista é, ela mesma, tema de discussão. Quem calcula a partir de chega a um êxodo por volta de 1446 a.C. e a uma entrada em Canaã perto de 1400 a.C. Quem prefere um êxodo no século XIII a.C. coloca Josué por volta de 1250 a.C. Essa diferença pesa muito quando se compara o texto com o que foi escavado em Jericó, porque cada escavador procurava uma cidade destruída em uma época diferente. Convém lembrar ainda que Josué apresenta a tomada de Jericó como o início de uma campanha, e não como a conquista completa da terra, que o próprio livro e o de Juízes tratam como um processo gradual.

Aprofundamento

A primeira grande escavação em Jericó foi a de John Garstang, entre 1930 e 1936. Ele encontrou muros de tijolo de barro caídos e sinais de incêndio e concluiu que se tratava da cidade destruída por Josué, por volta de 1400 a.C. Kathleen Kenyon reescavou o sítio entre 1952 e 1958, com um método estratigráfico mais rigoroso, e chegou a outra conclusão. Para ela, os muros associados a Josué pertenciam à Idade do Bronze Antigo, séculos antes, e a cidade da Idade do Bronze Médio terminou por volta de 1550 a.C. Do período seguinte, o Bronze Tardio, ela encontrou quase nada: uma casa isolada e poucos materiais. Kenyon admitia que a erosão podia ter levado embora os níveis mais altos, mas entendia que não havia base para falar em uma cidade murada destruída por Josué. Nos anos 1990, Bryant Wood reexaminou a cerâmica e outros achados de Garstang e defendeu que a destruição da cidade final ocorreu por volta de 1400 a.C. Outros pesquisadores responderam com datações por radiocarbono que apontam para o século XVI a.C., e a discussão continua. Kenneth Kitchen argumenta que a erosão explica a escassez de vestígios tardios e que ausência de provas não é prova de ausência. É importante separar o que cada lado de fato demonstra. Ninguém discute que Jericó foi uma cidade muito antiga e murada em várias fases. O que está em disputa é se havia uma cidade fortificada, ocupada e destruída na época em que o texto a situa, e como relacionar a camada queimada com a narrativa. O texto, por seu lado, tem detalhes que merecem leitura cuidadosa. O hebraico diz que o muro caiu tahtav, expressão que pode ser traduzida como “no seu lugar” ou “debaixo de si”, e a frase seguinte diz que o povo subiu à cidade, cada um em frente de si. Alguns leitores entendem que a muralha desabou de modo a permitir a subida sobre os escombros. O livro também dá pouca informação sobre o tamanho de Jericó e usa a linguagem de totalidade típica dos relatos de guerra do Antigo Oriente Próximo, sem exigir que cada pedra tenha sido removida. Por fim, o foco do capítulo não é o método, mas o agente: Deus entrega a cidade (v. 2 e 16), e o ato de Israel é de obediência e de espera. Por isso a pergunta “o grito derrubou o muro?” precisa conviver com o dado de que o texto atribui a queda à intervenção divina, e não a um efeito acústico.

O que costumam dizer errado3 afirmações
  • Dizem que:O muro caiu apenas porque o povo gritou alto, por causa da vibração do som.

    O texto não explica a queda por acústica. diz que o Senhor entregou a cidade (v. 2 e 16) e que o povo obedeceu a um plano que não era militar. Atribuir o fato ao som troca o agente do relato por um mecanismo que o texto não menciona.

  • Dizem que:A arqueologia já provou que Josué destruiu Jericó por volta de 1400 a.C.

    Garstang defendeu essa data, mas Kenyon contestou os dados e as datações por radiocarbono posteriores apontam para outro período. Há defensores da data tradicional, como Wood, porém a questão segue disputada e não pode ser apresentada como encerrada.

  • Dizem que:A falta de muros do século XV a.C. em Jericó prova que a história é lenda.

    A ausência de vestígios pode ter outras causas, como a erosão em um sítio escavado e exposto por milênios, e a data da conquista também é discutida. A arqueologia não consegue, por si só, confirmar nem refutar um evento tão específico.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura histórica com data antiga (por volta de 1400 a.C.)

    Entende que o relato descreve um evento real e sobrenatural, e que achados como o muro de tijolo desabado e a camada queimada são compatíveis com ele. Defensores como Bryant Wood sustentam que a datação de Kenyon está errada.

  • Leitura histórica cautelosa

    Aceita a historicidade geral, mas reconhece que a escavação de Jericó não resolve a questão. Pesquisadores como Kenneth Kitchen apontam erosão e data alternativa da conquista (século XIII a.C.) para explicar por que há tão pouco material do período.

  • Leitura literária e teológica

    Muitos estudiosos críticos veem em uma narrativa moldada por tradição e liturgia, em que a procissão com a arca e o toque das trombetas ensinam que a terra é dom de Deus. Para eles, a ausência de uma cidade murada no período pesa contra a historicidade do episódio.

No original4 termos
  • חוֹמָהchomahH2346

    Muro ou muralha de uma cidade. O texto usa o termo para a fortificação que cai “no seu lugar” (tahtav), sem especificar como.

  • תְּרוּעָהteruahH8643

    Grito, clamor ou aclamação, usado tanto para alarme de guerra quanto para júbilo diante de Deus. Em é o grito do povo após o toque das trombetas.

  • שׁוֹפָרshofarH7782

    Trombeta de chifre de carneiro, usada para sinalizar, convocar e anunciar a presença de Deus. Sete delas acompanham a arca em Jericó.

  • חֵרֶםcheremH2764

    Interdito ou consagração à destruição: algo separado de uso comum e entregue a Deus. Explica por que a cidade e seus bens não podiam ser tomados como despojo.

O que fazer com isso

O texto convida a uma postura de honestidade e de confiança ao mesmo tempo. Quem lê não precisa fingir que a arqueologia resolveu tudo, nem esconder dúvidas legítimas para proteger a fé. A narrativa pede algo mais simples: reconhecer que a obediência, mesmo quando o plano parece estranho e lento, é o caminho pelo qual Deus age. Dar voltas em silêncio por seis dias também é uma forma de fé.

Passagens relacionadas4

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Kathleen Kenyon. Digging Up Jericho, 1957.
  • John Garstang e J. B. E. Garstang. The Story of Jericho, 1940.
  • Bryant G. Wood. Did the Israelites Conquer Jericho? A New Look at the Archaeological Evidence (Biblical Archaeology Review 16:2), 1990.
  • Kenneth A. Kitchen. On the Reliability of the Old Testament, 2003.
  • Richard S. Hess. Joshua: An Introduction and Commentary, 1996.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O grito do povo foi o que derrubou o muro?

O texto liga a queda ao plano dado por Deus e à obediência de Israel, não a uma força do som. O grito marca o momento, mas o relato atribui a vitória ao Senhor.

Kenyon provou que Jericó não tinha muros no tempo de Josué?

Ela concluiu que os muros ligados a Josué eram bem anteriores e que o Bronze Tardio deixou poucos vestígios. Outros estudiosos contestam a interpretação e lembram o efeito da erosão, de modo que a questão não está encerrada.

Raabe e sua família realmente foram poupadas?

Sim, segundo , os espias de Josué a retiraram com a família antes de a cidade ser queimada, e ela passou a viver no meio de Israel.

Temas

  • #jerico
  • #josue
  • #arqueologia
  • #conquista
  • #kenyon
  • #garstang
  • #trombetas
  • #muros

Publicado em 03/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Continue por aqui

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