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Significado Bíblico
Profeciaavançada
Ilustração da categoria Profecia

Os Gafanhotos do Abismo em Apocalipse 9

o que significam os gafanhotos do abismo em apocalipse 9

E o quinto anjo tocou sua trombeta; e eu vi uma estrela que caiu do céu sobre a terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E o poço do abismo foi aberto; e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha; e o sol e o ar se escureceram por causa da fumaça do poço. E da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi dado a eles poder como o poder que os escorpiões da terra têm. E foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a nenhuma planta verde, nem a nenhuma árvore; mas sim somente aos homens que não têm o sinal de Deus em suas testas. E foi-lhes concedido que não os matassem, mas sim que os atormentassem por cinco meses; e o tormento deles era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere ao homem. E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

O quinto anjo toca a trombeta em , e João vê uma estrela caída do céu que recebe a chave do poço do abismo. O poço se abre e dele sobe fumaça espessa, como a de uma grande fornalha, escurecendo o sol e o ar. Da fumaça saem gafanhotos, e a eles é dado poder comparável ao dos escorpiões da terra, já conhecidos como símbolo de dor aguda.

O detalhe mais chocante é a ordem que essas criaturas recebem: ao contrário de uma praga comum, que devora a vegetação, estes gafanhotos são proibidos de tocar em erva, planta ou árvore, atingindo somente quem não tem o selo de Deus na testa. Também não podem matar, só atormentar por cinco meses, com dor como a picada de escorpião, tão forte que as pessoas vão desejar a morte sem conseguir alcançá-la.

Como isso aponta para Jesus

Contraste

A trombeta descreve um tormento reservado a quem "não têm o selo de Deus na testa" — e o restante do Apocalipse deixa claro a quem pertence esse selo: em , o nome do Cordeiro e do Pai está escrito na testa dos 144.000, e em os redimidos são descritos como os que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e agora estão protegidos diante do trono, sem fome, sede ou pranto. não fala de Cristo diretamente, mas sua lógica depende dele: o horror do julgamento sobre quem está fora do selo mostra, por contraste, o que significa pertencer ao Cordeiro e estar coberto por ele. A insuficiência retratada aqui — viver exposto ao tormento, sem esse selo — é exatamente a condição que o sacrifício do Cordeiro resolve para quem confia nele.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Na visão de , um anjo toca a quinta trombeta e uma estrela caída abre o poço do abismo. Sobe uma fumaça densa que escurece o céu, e dela saem gafanhotos com poder de escorpião. Só que, ao contrário de gafanhotos de verdade, eles não tocam em plantas: atacam apenas pessoas que não pertencem a Deus. Não podem matar ninguém, só causar um sofrimento tão grande, por cinco meses, que as pessoas vão querer morrer e não vão conseguir.

Contexto histórico

Apocalipse foi escrito por João para sete igrejas da província romana da Ásia, num tempo de pressão social e, para algumas comunidades, perseguição por não cultuarem o imperador. O livro pertence ao gênero apocalíptico, um tipo de literatura judaica e cristã que usa visões simbólicas, números carregados de sentido e imagens compostas para revelar realidades espirituais e o desfecho da história, não para descrever cenas literais como um relatório. Textos como Daniel e trechos de Ezequiel já preparam esse vocabulário visual antes de João.

A cena da quinta trombeta recicla imagens bem conhecidas do Antigo Testamento. A praga de gafanhotos remete a , onde um exército de gafanhotos devasta a terra como sinal do "dia do Senhor", e a fumaça que escurece o sol lembra a praga de trevas do Êxodo (10:21-23). Um leitor judeu ou cristão do primeiro século reconheceria de imediato: isto é uma cena de juízo, na mesma linhagem das pragas do Egito e dos oráculos proféticos contra nações rebeldes.

A "estrela caída do céu" que recebe a chave do abismo é entendida pela maioria dos comentaristas como uma figura angelical ou demoníaca, não uma estrela literal — no Apocalipse, estrelas frequentemente representam seres espirituais (compare ). O "abismo" (grego abyssos) é, na literatura judaica do período, o lugar de confinamento de espíritos rebeldes, ideia já presente em textos como 1 Enoque. É importante notar que essa figura só age porque "lhe foi dada" a chave: o texto deixa claro que mesmo o mal aqui opera sob permissão, não por poder próprio.

O detalhe mais estranho para o leitor moderno — gafanhotos proibidos de tocar em plantas — teria soado tão estranho quanto hoje para o leitor original, porque inverte de propósito o comportamento natural de uma praga de gafanhotos. Comentaristas como G. K. Beale e Robert Mounce leem isso como sinal deliberado de que a cena não descreve insetos reais, mas um instrumento simbólico de juízo dirigido especificamente contra pessoas, poupando os que já foram selados por Deus no capítulo anterior ().

Aprofundamento

narra a série das sete trombetas, um conjunto de julgamentos que, como as pragas do Êxodo, atingem partes do mundo natural e da vida humana em ondas crescentes de intensidade. A quinta trombeta, aqui em , marca uma virada: as quatro primeiras atingiram a natureza (terra, mar, rios, céu); a partir daqui o alvo passa a ser diretamente as pessoas. É o primeiro dos três "ais" anunciados em 8:13, um sinal de que o texto quer que o leitor sinta a intensificação, não apenas a registre.

O ponto central do trecho é o limite imposto ao mal. A estrela caída só abre o abismo porque "lhe foi dada" a chave — verbo passivo que, no grego do Apocalipse, costuma indicar ação de Deus nos bastidores (o chamado "passivo divino"). Os gafanhotos recebem poder, mas também recebem ordens: não tocar na vegetação, não matar, agir só por cinco meses. Cada verbo de restrição repete a mesma mensagem: mesmo quando o mal parece solto, ele continua sob coleira. Esse é um dos temas mais constantes do Apocalipse — o caos visível nunca escapa da soberania de Deus.

O número cinco meses provavelmente ecoa o ciclo de vida natural dos gafanhotos na região mediterrânea, algo em torno de cinco meses do ovo à morte do inseto adulto — um detalhe observado por comentaristas como Robert Mounce e G. K. Beale. Se essa leitura estiver certa, o texto está dizendo, de um jeito quase irônico: mesmo esta praga terrível segue um tempo determinado, como qualquer praga de gafanhotos segue seu ciclo — só que agora sob o controle explícito de Deus.

O verso 6 é o ápice emocional da cena: "os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles". A imagem inverte o medo comum da mortalidade — aqui o tormento é tanto que a morte, normalmente temida, se torna algo desejado e inalcançável. Job já havia expressado algo parecido em seu sofrimento (, "que anseiam pela morte, e não a alcançam"), e o Apocalipse usa a mesma ideia para comunicar um sofrimento tão intenso que ultrapassa a experiência comum.

Vale lembrar que a descrição física mais detalhada dessas criaturas (rostos, cabelos, dentes, couraças) só aparece nos versículos seguintes (9:7-10), fora deste trecho. Aqui, em 1-6, o texto ainda trabalha por sugestão: fumaça, escuridão, poder de escorpião. Isso reforça que a intenção do autor não é montar um catálogo zoológico, mas produzir, com poucos traços, uma sensação de ameaça que o leitor original já reconheceria dos relatos de pragas do Antigo Testamento.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Os gafanhotos de Apocalipse 9 são uma profecia codificada sobre helicópteros, drones ou armas militares modernas.

    Essa leitura ignora o gênero apocalíptico do texto, que usa imagens simbólicas construídas a partir de referências já conhecidas do Antigo Testamento (pragas de gafanhotos, escorpiões, trevas), não códigos sobre tecnologia futura. Comentaristas sérios do texto grego, como Beale e Mounce, situam a imagem dentro dessa tradição literária judaica, não numa chave preditiva tecnológica.

  • Dizem que:O abismo mencionado aqui é o mesmo que o inferno final, o lugar de castigo eterno.

    No vocabulário do próprio Apocalipse, o abismo (abyssos) é um lugar de confinamento temporário de seres espirituais, distinto do lago de fogo, que o livro apresenta separadamente como destino final do julgamento ().

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Idealista/simbólica (comum em leituras católicas, ortodoxas e reformadas amilenistas)

    Os gafanhotos representam um padrão recorrente de ataque demoníaco e sofrimento moral que se manifesta em diferentes momentos da história da igreja, não um evento único, passado ou futuro; o valor do texto está no princípio teológico, não numa cronologia.

  • Futurista (comum em tradições dispensacionalistas e em setores evangélicos e pentecostais)

    A cena descreve eventos literais e ainda futuros de um período de tribulação, com seres demoníacos reais liberados do abismo por um tempo determinado antes da volta de Cristo.

  • Historicista (tradição mais comum em comentaristas protestantes dos séculos passados)

    Cada trombeta corresponde a uma fase específica da história pós-apostólica da igreja, e a quinta trombeta seria identificada com alguma crise histórica concreta enfrentada pelos cristãos, embora não haja consenso entre os próprios historicistas sobre qual evento é esse.

  • Preterista parcial (presente em alguns setores católicos, ortodoxos e reformados)

    A visão fala primariamente ao contexto original do primeiro século, retratando em linguagem simbólica o sofrimento e o juízo ligados à crise entre Roma e Jerusalém próxima da geração de João, sem excluir ressonâncias para além desse período.

No original4 termos
  • ἄβυσσοςabyssosG12

    poço sem fundo, abismo; nome dado ao lugar de confinamento de seres espirituais rebeldes na literatura judaica e no Apocalipse.

  • ἀκρίςakrisG200

    gafanhoto; o mesmo termo usado para o inseto que João Batista comia () e para as pragas de gafanhotos do Antigo Testamento grego (Septuaginta).

  • σκορπίοςskorpiosG4651

    escorpião; usado aqui como referência de comparação para o tipo de poder e de dor que os gafanhotos da visão infligem.

  • σφραγίςsphragisG4973

    selo, marca de propriedade; o termo usado para o sinal de Deus na testa dos que estão protegidos do tormento descrito na passagem.

O que fazer com isso

Esse texto não pede que o leitor calcule datas ou identifique gafanhotos com armas modernas — ele convida a olhar o sofrimento humano com mais seriedade do que costumamos fazer. A cena descreve uma dor tão grande que a morte parece alívio, e isso já é realidade para muita gente hoje, em crises de saúde, luto ou desespero. Reconhecer essa dor, sem minimizá-la nem romantizá-la, é um primeiro passo simples e concreto para quem quer levar a sério o sofrimento alheio.

Passagens relacionadas7

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • G. K. Beale. The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text (NIGTC), 1999.
  • Robert H. Mounce. The Book of Revelation (NICNT, edição revisada), 1998.
  • Craig R. Koester. Revelation (Anchor Yale Bible Commentary), 2014.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Os gafanhotos de Apocalipse 9 são insetos de verdade?

Não. Fazem parte de uma visão apocalíptica simbólica, descritos aqui com poder de escorpião e, nos versículos seguintes (9:7-10), com traços de cavalo e rosto humano. É uma imagem composta, feita para comunicar terror, não uma espécie zoológica real.

O que é o abismo mencionado no texto?

É a tradução do grego abyssos, termo usado na literatura judaica e no Apocalipse para um lugar de confinamento de seres espirituais rebeldes. É diferente do lago de fogo, mencionado mais adiante no livro como destino final do julgamento ().

Por que os gafanhotos não podem matar, só atormentar?

O texto enfatiza limites: cinco meses de duração, proibição de matar, proibição de tocar em plantas. Comentaristas leem isso como sinal de que mesmo esse julgamento severo permanece sob controle divino, não é ilimitado nem arbitrário.

Quem tem o selo de Deus mencionado no texto?

O Apocalipse descreve esse selo em outro trecho: em 7:2-8, um anjo marca 144.000 servos de Deus antes que os julgamentos comecem, protegendo-os do alcance dessa praga.

Temas

  • #julgamento
  • #apocalipse
  • #novo-testamento
  • #trombetas
  • #gafanhotos
  • #abismo
  • #apocaliptica
  • #selo-de-deus

Publicado em 08/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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