
Por que Jesus gritou 'Lázaro, sai para fora!' e por que ordenou que o desatassem?
Por que Lázaro saiu enfaixado e por que Jesus mandou que o desatassem?
E havendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai fora. E o que estava morto saiu, com as mãos e os pés atados, e seu rosto envolto em um lenço. Disse-lhes Jesus: Desatai-o, e deixai-o ir.
Resposta curta
Em , Jesus clama em alta voz Lázaro, vem para fora, e o homem que estava morto há quatro dias sai do sepulcro com as mãos e os pés atados por faixas e o rosto envolto num lenço. Em seguida, Jesus manda que o desatem e o deixem ir. Os detalhes não são decorativos: refletem o costume judaico de envolver o corpo em faixas de linho com especiarias e cobrir o rosto com um pano. O grito dirigido a um nome específico, o homem ainda amarrado e a ordem para libertá-lo trazem sentido a um dos grandes sinais do evangelho de João, que antecipa a ressurreição do próprio Jesus.
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoO sinal de Lázaro anuncia o que Jesus diz de si mesmo: eu sou a ressurreição e a vida. Lázaro sai ainda enfaixado e voltará a morrer, enquanto Jesus deixará as faixas no túmulo e viverá para sempre, sendo as primícias dos que dormem.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Jesus chamou Lázaro pelo nome com voz forte, e o homem, morto há quatro dias, saiu do túmulo ainda enfaixado, com o rosto coberto. Era o costume judaico envolver o corpo em faixas de linho com perfumes. Jesus pediu que o desatassem para que pudesse andar, e a comunidade foi envolvida nesse gesto. O fato aponta para a ressurreição do próprio Jesus, que deixou as faixas para trás.
Contexto histórico
O capítulo 11 de João conta que Lázaro, irmão de Marta e Maria, adoece em Betânia. Jesus demora dois dias antes de ir, e quando chega o amigo já está no túmulo há quatro dias (11:17). Marta vai ao encontro de Jesus e diz que, se ele estivesse ali, o irmão não teria morrido. Jesus responde que o irmão ressuscitará e declara: eu sou a ressurreição e a vida (11:25). Maria também vai ao seu encontro, e Jesus se comove em espírito, perturba-se e chora (11:33-35). Chegam ao sepulcro, uma gruta fechada com uma pedra. Jesus manda tirar a pedra, e Marta objeta que já cheira mal, pois são quatro dias. A menção ao tempo é importante, porque a tradição judaica popular dizia que o espírito do morto rondava o corpo por três dias, e ao quarto não havia mais esperança. Jesus ora ao Pai em voz alta, agradecendo por tê-lo ouvido, para que a multidão creia que foi enviado por ele. Depois vem o versículo 43: tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! O versículo 44 descreve que o que estivera morto saiu, atado nos pés e nas mãos com faixas, e o rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: desatai-o e deixai-o ir. O costume do sepultamento judaico incluía lavar o corpo, ungi-lo com perfumes e especiarias e envolvê-lo em faixas de linho, como descreve para Jesus. Esses detalhes tornam a cena concreta: ninguém duvida de que o homem estava morto, e ninguém duvida de que agora está vivo. Os fariseus e os principais sacerdotes, ao saber do fato, reúnem o Sinédrio e decidem que Jesus precisa morrer (11:47-53), de modo que o grande sinal de vida desencadeia diretamente o processo que conduz à cruz. O evangelista faz questão de ligar os dois eventos para que o leitor perceba o sentido: a vida de Lázaro será paga com a morte de Jesus.
Aprofundamento
O grito de Jesus tem sentido teológico e literário. Em , ele já havia dito que chega a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão. Em 10:3, o pastor chama as ovelhas pelo nome. O sinal de Lázaro une as duas imagens: uma voz que chama um nome, e o morto responde. O verbo grego do versículo 43, kraugazo, indica clamor forte, e a palavra deuro, vem cá, é um convite. Nada na cena indica gesto mágico: a palavra de Jesus basta. Quanto aos detalhes do versículo 44, o evangelista usa duas palavras específicas: keiriai, as faixas ou ataduras de linho que prendiam mãos e pés, e soudarion, o lenço ou pano que cobria o rosto. O evangelista não explica como Lázaro andou enfaixado, e vale resistir às cenas imaginadas em filmes, pois o texto apenas registra que o homem saiu, ainda atado, sem detalhar o modo. Esse silêncio é próprio do estilo de João, que enfatiza o sinal e não o mecanismo. O costume era judaico, de envolver o corpo em linho com especiarias, e não a mumificação egípcia. A ordem desatai-o e deixai-o ir tem duas funções. A primeira é prática: ele não conseguiria caminhar ou ver. A segunda é pastoral: Jesus envolve a comunidade na ação, e os presentes participam, pelo menos ao soltar o amigo. Há também um contraste com a ressurreição de Jesus. Em , Pedro e o discípulo amado encontram no túmulo as faixas deitadas e o lenço que estivera sobre a cabeça, dobrado em lugar à parte. Lázaro sai com as vestes da morte e precisará de ajuda para ser solto; Jesus deixa-as para trás. Lázaro volta à vida mortal e morrerá de novo; Jesus ressuscita para nunca mais morrer. Isso corrige a ideia de que a ressurreição de Lázaro foi igual à de Cristo. Ela é um sinal que aponta para ela. A cena também expõe a tensão entre o dom e a custódia do dom: a vida volta, mas o envolvimento da comunidade é parte do processo. Os que estavam presentes, entre eles muitos que tinham vindo consolar Maria, foram testemunhas diretas, e o evangelista registra que muitos creram (11:45). Por fim, a sequência de 11:45-53 mostra que o sinal leva alguns a crer e outros a conspirar, e que a vida dada a Lázaro faz parte do caminho que conduz Jesus à cruz.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Jesus citou o nome de Lázaro porque, se dissesse apenas 'vem para fora', todos os mortos ressuscitariam.
O texto não diz isso. É lenda popular sem apoio em . O chamado pelo nome mostra a relação pessoal entre Jesus e Lázaro e ecoa a imagem do pastor que chama suas ovelhas pelo nome ().
Dizem que:Lázaro ressuscitou com um corpo glorificado, igual ao de Jesus.
Lázaro voltou à vida mortal, ainda com as faixas da sepultura, e morreria de novo. A ressurreição de Jesus é de outra natureza, e ele deixou as faixas dobradas no túmulo ().
Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura joanina do sinal
O episódio é o último e maior dos sinais de João, anunciando a ressurreição de Jesus e mostrando que ele tem poder sobre a morte. As faixas de Lázaro contrastam com as faixas de Jesus, deixadas no túmulo.
Leitura pastoral da libertação
A ordem desatai-o é lida como imagem da vida cristã: a vida nova é dada por Jesus, mas a comunidade tem o papel de ajudar a pessoa a se desprender das amarras do passado.
No original2 termos
κραυγάζωkraugazoG2905
Gritar, clamar em voz alta. Descreve a voz forte com que Jesus chama Lázaro.
σουδάριονsoudarionG4676
Lenço ou pano de suor, aqui usado para cobrir o rosto do morto. É o mesmo termo de para o pano na cabeça de Jesus.
O que fazer com isso
A cena lembra que a vida dada por Jesus costuma pedir também o trabalho da comunidade: desatar, acompanhar, deixar ir. Quem passou por perdas, vícios ou culpas pode precisar de ajuda para se livrar das faixas que ainda prendem, e quem convive com essas pessoas pode ser quem as ajuda a caminhar. O chamado pelo nome mostra um Deus que conhece cada um.
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Fontes consultadas3 obras
- Raymond E. Brown. The Gospel according to John I-XII (Anchor Bible), 1966.
- Craig S. Keener. The Gospel of John: A Commentary, 2003.
- D. A. Carson. The Gospel according to John, 1991.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que Lázaro saiu enfaixado?
Segundo o costume judaico, o corpo era envolvido em faixas de linho com especiarias, e o rosto coberto com um pano. João registra que o homem saiu ainda assim, e Jesus mandou desatá-lo.
Por que se menciona que fazia quatro dias?
Marta diz que já cheirava mal. O detalhe do quarto dia reforça que a morte era certa, o que realça o sinal.
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