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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Textos eticamente difíceis

Os "feiticeiros" excluídos da Nova Jerusalém

Quem são os feiticeiros que ficam de fora da Nova Jerusalém?

Mas quanto aos covardes, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos pecadores sexuais, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a parte deles será no lago que queima com fogo e enxofre, que é a segunda morte.”

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

lista quem fica de fora da Nova Jerusalém — entre eles, os "feiticeiros" (pharmakoi), termo grego que designava tanto envenenadores quanto praticantes de magia e ocultismo ritual, frequentemente ligados ao culto pagão e à idolatria no mundo greco-romano. O texto não descreve um pecado abstrato de "acreditar em superstição", mas uma prática concreta: manipular forças ocultas, muitas vezes através de drogas, amuletos ou rituais, para controlar destinos ou prejudicar pessoas — uma tentativa de poder que rivaliza diretamente com a soberania exclusiva de Deus.

A lista segue um padrão comum no Novo Testamento, catálogos de vícios que representam categorias de rebelião contra Deus, não uma relação exaustiva e mecânica; o peso recai sobre a idolatria e a rejeição persistente de Deus, da qual a feitiçaria organizada era expressão concreta nas igrejas da Ásia Menor.

Como isso aponta para Jesus

Contraste

A lista de excluídos em ecoa outras listas de vícios do Novo Testamento que terminam em esperança, não em condenação definitiva — como em , onde Paulo lista categorias semelhantes e imediatamente lembra que "alguns de vós éreis assim", mas foram lavados pelo sangue de Cristo. O Apocalipse mantém essa mesma tensão: a exclusão é real, mas o convite ao arrependimento permanece aberto até o fim do livro.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

diz que feiticeiros ficam de fora da cidade final de Deus. Na época, "feiticeiro" não era só alguém supersticioso, mas gente que praticava magia de verdade, muitas vezes ligada à idolatria, para tentar controlar a vida das pessoas por meios ocultos. O aviso não é sobre crenças populares bobas, é sobre buscar poder fora de Deus. E o mesmo livro que fala nesse aviso também convida qualquer pessoa a se arrepender e entrar na cidade.

Contexto histórico

O livro do Apocalipse foi escrito para sete igrejas específicas na Ásia Menor (), enfrentando pressão do culto imperial romano e de religiões locais fortemente ligadas à magia e ao ocultismo. Éfeso, uma das cidades destinatárias, era famosa pelo culto a Ártemis e por sua produção de livros de magia — o próprio livro de Atos registra a queima pública de rolos de magia avaliados em cinquenta mil moedas de prata após a pregação de Paulo na cidade (), evidência de quão disseminada e economicamente relevante era essa prática ali.

Nas cartas às igrejas, o Apocalipse já havia advertido contra a sedução de figuras como "Balaão" e "Jezebel", associadas à tolerância com idolatria e imoralidade sexual dentro das próprias comunidades cristãs (:20) — o problema não era apenas externo, mas a pressão social e comercial para que crentes participassem, ainda que parcialmente, de práticas religiosas pagãs para manterem status e relações comerciais.

A lista de segue a convenção literária dos catálogos de vícios, já presente no Antigo Testamento e nas cartas paulinas (; ), que reúnem categorias representativas de rebelião contra Deus, funcionando pastoralmente como advertência às próprias igrejas contra ceder a essas pressões, mais do que como descrição exaustiva e clínica de tipos humanos externos. O contraste maior do livro é entre a Nova Jerusalém e Babilônia (), esta última explicitamente acusada de enganar as nações "por meio de suas feitiçarias" () — a feitiçaria funciona no Apocalipse como símbolo mais amplo do poder sedutor e enganoso de todo sistema que rivaliza com Deus.

Vale lembrar também que o Império Romano tratava a magia com ambivalência legal: certas formas de adivinhação oficial eram toleradas ou até incorporadas ao culto público, enquanto práticas privadas de maldição, veneno e manipulação oculta eram criminalizadas em diferentes momentos, precisamente porque misturavam religião, medicina e poder político de forma instável. Para os primeiros leitores do Apocalipse, a palavra "feiticeiro" evocava, portanto, uma figura social real e reconhecível, não uma categoria abstrata de pecado — alguém que vendia acesso a poderes ocultos numa economia religiosa movida a medo e a busca por controle sobre o destino, exatamente o tipo de segurança falsa que o livro do Apocalipse denuncia como rival da confiança legítima em Deus.

Aprofundamento

O termo grego é φαρμακοῖς (pharmakois, dativo plural de pharmakos, Strong G5333), da mesma raiz de φαρμακεία (pharmakeia, G5331), usada também em e 18:23 e em . A palavra cobria um espectro que ia de "droga" ou "veneno" a "feitiçaria" ou "magia", porque a prática mágica antiga frequentemente combinava substâncias com encantamentos rituais — daí a palavra portuguesa "farmácia" derivar etimologicamente do mesmo radical, embora com sentido totalmente deslocado hoje.

G. K. Beale, em seu comentário NIGTC sobre o Apocalipse, observa que o termo aparece de forma consistente em contextos ligados à idolatria ao longo de todo o livro, argumentando que "feiticeiros" designa praticantes organizados de artes ocultas a serviço de sistemas religiosos pagãos, não pessoas com crenças supersticiosas vagas ou ocasionais. David Aune, em seu comentário WBC, situa a lista de vícios de dentro da tradição literária judaica e helenística de catálogos éticos, notando que sua função retórica é demarcar fronteiras morais para a comunidade leitora, reforçando quem pertence à cidade de Deus e quem permanece identificado com Babilônia.

O paralelo mais revelador está em e 18:23: as pragas do capítulo 9 já haviam mostrado pessoas que "não se arrependeram" de suas feitiçarias, e o capítulo 18 acusa Babilônia de enganar todas as nações por meio dessa mesma prática — a feitiçaria não é apenas um pecado individual na lista de 21:8, mas parte de um motivo teológico maior que atravessa o livro: o poder de sedução e engano exercido por sistemas que se opõem à soberania exclusiva de Deus. Isso ajuda a explicar por que a lista aparece de novo, quase idêntica, em , funcionando como moldura repetida em torno da visão da Nova Jerusalém.

É significativo também que a lista combine feitiçaria com idolatria, homicídio, imoralidade sexual e mentira num único bloco — Beale nota que essa combinação reflete a lógica do Decálogo e das leis de santidade do Antigo Testamento, onde práticas ocultas aparecem lado a lado com outras violações fundamentais da aliança (), sugerindo que o Apocalipse não trata a feitiçaria como categoria menor ou meramente cultural, mas como violação central da exclusividade devida a Deus, equiparável em gravidade às demais ofensas listadas ao seu lado.

Aune ainda observa que catálogos semelhantes circulavam em textos judaicos intertestamentários e em moralistas greco-romanos contemporâneos, o que sugere que o autor do Apocalipse comunica sua mensagem usando um gênero literário que seu público já reconheceria, adaptando-o para servir a um propósito teológico específico: distinguir com clareza quem pertence à nova criação e quem permanece preso à ordem antiga que o livro chama de Babilônia.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:O texto condena qualquer crença popular leve em sorte, horóscopo de jornal ou superstição.

    O termo grego designa prática organizada de magia e ocultismo ligada à idolatria, não crendices ocasionais; o peso teológico do texto recai sobre a rejeição persistente de Deus, não sobre superstições superficiais.

  • Dizem que:A lista de Apocalipse 21:8 é uma relação exaustiva de todos os pecados que impedem a salvação.

    Segue a convenção literária dos catálogos de vícios, comuns também nas cartas de Paulo, que usam categorias representativas de rebelião contra Deus, não uma lista fechada e completa de ofensas.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Pentecostal

    Tende a ler o texto com ênfase prática na realidade do combate espiritual contemporâneo, associando feitiçaria a práticas ocultistas atuais que a igreja deve confrontar diretamente em oração e libertação.

  • Reformada

    Lê a lista principalmente como catálogo teológico de rebelião contra a soberania de Deus, situando feitiçaria ao lado de idolatria como recusa sistemática de reconhecer a Deus como único Senhor.

No original2 termos
  • φαρμακοῖςpharmakoisG5333

    "Feiticeiros"; termo que cobria desde envenenadores até praticantes de magia ritual, geralmente ligados a sistemas de idolatria — aqui usado para uma categoria excluída da Nova Jerusalém.

  • φαρμακείαpharmakeiaG5331

    "Feitiçaria" ou prática mágica; usada também em e 18:23 para descrever o poder enganoso de Babilônia sobre as nações, mostrando o motivo recorrente da magia como sedução religiosa no livro.

O que fazer com isso

O texto não está caçando superstições populares inofensivas, mas advertindo contra a busca ativa de poder ou controle através de forças ocultas — uma tentação que hoje aparece sob formas variadas, de práticas ocultistas explícitas a fascínio consumista com o esotérico como substituto de confiança em Deus. A resposta bíblica nunca é o pânico, mas o arrependimento: o mesmo Apocalipse que exclui feiticeiros da cidade também convida, até o último capítulo, a lavar as vestes e entrar por suas portas.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas2 obras
  • G. K. Beale. The Book of Revelation (NIGTC), 1999.
  • David E. Aune. Revelation 17-22 (WBC), 1998.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

"Feiticeiro" em Apocalipse 21:8 se refere a qualquer pessoa supersticiosa?

Não; o termo grego pharmakos designa praticantes de magia ritual, muitas vezes ligada a drogas ou venenos, geralmente associada à idolatria organizada, não a crenças populares soltas.

Essa exclusão é definitiva e sem possibilidade de arrependimento?

O próprio Apocalipse mantém o convite ao arrependimento aberto até seus capítulos finais, então a lista funciona como advertência séria, não como sentença sem possibilidade de mudança enquanto há tempo.

Temas

  • Idolatria
  • #apocalipse
  • #feiticaria
  • #juizo-final
  • #nova-jerusalem
  • #novo-testamento
  • #etica

Faz parte de

Publicado em 15/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 2 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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