Jonas
quem foi jonas
Ficha do personagem
Século VIII a.C., contemporâneo de Jeroboão II segundo 2 Reis 14:25
Relações
- pai Amitai
Resposta curta
Jonas é o único profeta do Antigo Testamento cujo livro trata inteiramente da reação dele à própria mensagem. Os outros livros proféticos são coleções de oráculos; o de Jonas é uma narrativa, e o protagonista passa a maior parte dela contrariado.
dá o tom: recebe a ordem de ir a Nínive e parte na direção oposta, para Társis. Não há hesitação nem objeção argumentada como em Moisés — apenas uma fuga. E o capítulo 4 revela o motivo, que não é medo: ele sabia que Deus perdoaria, e não queria isso.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Tipologiacompara os três dias de Jonas no peixe aos três dias do Filho do homem no coração da terra, e acrescenta que os ninivitas se levantarão em juízo, porque se arrependeram com a pregação de Jonas.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Jonas recebeu ordem de pregar em Nínive e fugiu na direção contrária. O motivo aparece no capítulo 4: ele sabia que Deus perdoaria, e não queria. O livro é sobre isso, e não sobre o peixe — que ocupa três versos, enquanto a irritação do profeta ocupa um capítulo.
O mundo dele
A estrutura do livro é simétrica e cuidadosa. Dois capítulos com Jonas fugindo e sendo resgatado; dois com ele obedecendo e ficando irritado. Em ambas as metades, pagãos reagem melhor que o profeta: os marinheiros do capítulo 1 relutam em lançá-lo ao mar e oram; os ninivitas do capítulo 3 se arrependem imediatamente, do rei ao gado.
Nínive era capital assíria, e a Assíria foi o império que destruiu o reino do norte. Um israelita ouvindo essa história tinha motivos concretos para não querer que Nínive fosse poupada. O livro conta com essa reação do leitor.
A oração do capítulo 2, dita de dentro do peixe, é um salmo de gratidão — o que é curioso, já que ele ainda está lá dentro. Comentaristas divergem sobre o tom: alguns a leem como fé genuína, outros notam a ironia de um agradecimento vindo de quem não mudou de opinião, como o capítulo 4 demonstra.
O fim é uma pergunta. Deus pergunta a Jonas se ele tinha razão em se irritar pela planta, e o livro termina com outra pergunta, sem resposta do profeta. É o único livro bíblico que termina assim, e o silêncio é claramente deliberado.
menciona um Jonas, filho de Amitai, profeta no tempo de Jeroboão II — a mesma identificação do livro.
A história
A discussão sobre o gênero do livro é antiga e vale ser apresentada sem caricatura.
Uma leitura o toma como relato histórico, apoiando-se em e na referência de Jesus em , que compara os três dias no peixe aos três dias do Filho do homem no coração da terra.
Outra o lê como parábola ou narrativa didática, apontando os traços literários: a simetria, o exagero deliberado — o gado de Nínive vestindo pano de saco —, o nome do protagonista, que significa pomba, e o fato de o livro não trazer nenhum oráculo além de uma frase de cinco palavras em hebraico.
Os dois lados têm argumentos, e a referência de é lida de modos diferentes: como confirmação de historicidade ou como uso de uma narrativa conhecida, do mesmo modo que se pode ilustrar algo com uma parábola sem afirmar que ela aconteceu.
O que as duas leituras concordam é sobre o assunto do livro, e ele não é o peixe. O peixe ocupa três versos; a irritação de Jonas ocupa um capítulo inteiro. O livro é sobre a relutância diante da misericórdia dirigida a quem não se quer que a receba — e diz isso com todas as letras, citando a fórmula de sobre o caráter divino como se fosse uma queixa.
O que costumam dizer errado2
Dizem que:O livro de Jonas é sobre um homem engolido por um peixe.
O peixe ocupa três versos. A irritação do profeta com o perdão concedido a Nínive ocupa o capítulo 4 inteiro, e declara que foi por isso que ele fugiu.
Dizem que:Jonas fugiu por medo dos ninivitas.
dá outro motivo: ele sabia que Deus é misericordioso e se arrepende do mal, e fugiu justamente para evitar que Nínive fosse poupada.
Como diferentes tradições cristãs leem2
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura histórica
Toma o relato como acontecimento, apoiando-se em e na referência de .
Leitura literária ou parabólica
Aponta a simetria da estrutura, os exageros deliberados e a ausência de oráculos, e lê o livro como narrativa didática. Entende a referência de Mateus como uso de história conhecida.
O que fazer com isso
Leia antes de qualquer coisa. Ali o profeta explica por que fugiu, e a explicação é uma citação da descrição clássica do caráter de Deus — apresentada como reclamação. É a chave do livro inteiro.
Passagens relacionadas5
Fontes consultadas2
- Francis Brown, S. R. Driver e Charles A. Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, 1906.
- James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O livro de Jonas é histórico?
As duas leituras existem e têm argumentos. A histórica se apoia em e em ; a literária aponta a simetria, os exageros e a ausência de oráculos. Ambas concordam sobre o assunto do livro.
Por que o livro termina com uma pergunta?
É o único livro bíblico que termina assim, sem resposta do protagonista. O silêncio é deliberado e deixa a pergunta dirigida ao leitor, e não a Jonas.
Por que Jonas não queria pregar em Nínive?
responde: porque sabia que Deus perdoaria. Nínive era capital assíria, o império que destruiu o reino do norte, o que dá contexto concreto à resistência.