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Significado Bíblico
Reiintermediária

Joás, rei de Judá

quem foi joás rei de judá

Ficha do personagem

reino de Judá, séc. IX-VIII a.C.

Relações

  • filho de Acazias, rei de Judá
  • neto de Atalia
  • escondido por Jeoseba
  • criado por / mentor Joiada, o sacerdote
  • pai de Amazias, rei de Judá

Resposta curta

Joás foi rei de Judá no século IX a.C. e o único descendente davídico a escapar do massacre ordenado pela própria avó, a rainha Atalia, que matou os demais herdeiros ao trono após a morte do rei Acazias. Ainda bebê, foi escondido pela tia Jeoseba no templo de Jerusalém, onde viveu em segredo por seis anos sob proteção do sacerdote Joiada, até ser coroado aos sete anos num golpe que derrubou Atalia.

Enquanto Joiada viveu, Joás reinou com fidelidade e promoveu o reparo do templo. Depois da morte do sacerdote, porém, passou a ouvir outros conselheiros, tolerou cultos idólatras e mandou apedrejar Zacarias, o próprio filho de Joiada, por denunciar essa apostasia. Pagou tributo ao rei arameu Hazael com tesouros do templo e do palácio e, por fim, foi assassinado pelos próprios servos, sucedido pelo filho Amazias.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

A morte de Zacarias, filho de Joiada, apedrejado por ordem de Joás no pátio do templo (), é lida por muitos intérpretes como o episódio que Jesus tem em mente em , ao acusar os líderes religiosos de seu tempo de continuarem a linhagem de sangue derramado desde Abel até Zacarias, morto entre o santuário e o altar — embora Mateus registre o pai da vítima como Baraquias, e não Joiada, uma discrepância que segue debatida entre comentaristas. Se a identificação estiver correta, o episódio integra a trajetória bíblica de rejeição e perseguição dos mensageiros de Deus enviados para chamar o povo ao arrependimento, um padrão que atravessa toda a Escritura e culmina na rejeição do próprio Cristo, o profeta maior morto também fora do recinto sagrado por aqueles que deveriam reconhecê-lo.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Joás foi um rei de Judá que quase não chegou a existir: quando era bebê, sua avó mandou matar todos os herdeiros do trono, mas uma tia o escondeu dentro do templo por seis anos. Coroado ainda criança, cresceu sob os cuidados de um sacerdote e, enquanto esse conselheiro viveu, foi um rei fiel que restaurou o templo. Depois que o sacerdote morreu, Joás mudou: passou a permitir a idolatria e mandou matar o próprio filho de quem o salvara. No fim, foi morto por conspiradores dentro do seu próprio palácio.

O mundo dele

Joás reinou em Judá por volta do século IX a.C., num momento em que a dinastia davídica esteve mais perto de ser extinta. Seu pai, Acazias, era neto de Acabe e Jezabel por parte de mãe — Atalia, filha da casa de Israel que se casara na linhagem de Davi. Quando Acazias morreu, Atalia tomou o trono de Judá e mandou eliminar toda a descendência real, provavelmente para consolidar o poder sem rivais (). Jeoseba, irmã de Acazias e esposa do sacerdote Joiada, conseguiu retirar Joás, ainda bebê, do meio dos príncipes condenados e escondê-lo com sua ama nos aposentos do templo (; ). Ali ele permaneceu escondido por seis anos, enquanto Atalia reinava sem saber que um herdeiro legítimo sobrevivia. No sétimo ano, Joiada organizou um golpe cuidadosamente planejado: reuniu os capitães da guarda, mostrou-lhes o jovem príncipe, distribuiu armas guardadas no templo desde os tempos de Davi e coroou Joás publicamente, com a aclamação do povo. Atalia foi morta ao tentar intervir (). O episódio marca também um pacto de renovação: Joiada firmou uma aliança entre o rei, o povo e o Senhor, e uma segunda entre o rei e o povo, resultando na demolição do templo de Baal em Jerusalém (). Esse pano de fundo político — uma criança posta no trono após um golpe religioso-militar, sob a tutela de um sacerdote que atuava como regente de fato — explica tanto a piedade dos primeiros anos do reinado quanto a fragilidade dela: a fidelidade de Joás dependia mais da autoridade de Joiada do que de convicção pessoal amadurecida, algo que ficaria evidente assim que o mentor morresse. Vale notar que Joás e Joiada não governaram sozinhos: o texto menciona os capitães de cem, os carreteiros e os guardas do templo como peças decisivas do golpe, indicando que a restauração da dinastia davídica contou com apoio militar e sacerdotal organizado, não apenas com a ação isolada de duas pessoas.

A história

O reinado de Joás, segundo e , durou quarenta anos e se divide claramente em duas fases. Na primeira, sob orientação de Joiada, Joás promoveu a restauração do templo de Jerusalém, que estava deteriorado — em parte porque os filhos de Atalia haviam usado seus utensílios sagrados no culto a Baal (). Diante da lentidão dos sacerdotes em usar os recursos do dízimo para o reparo, Joás instituiu um cofre colocado à entrada do templo, para onde o povo trazia contribuições voluntárias destinadas exclusivamente à obra (). A iniciativa funcionou e o templo foi restaurado com o dinheiro reunido, sem que sobrasse para utensílios de ouro e prata, o que o texto registra sem constrangimento. A segunda fase começa com a morte de Joiada, em idade avançada — o texto o elogia como alguém que fez o bem em Israel para com Deus e a casa de Deus (), honra rara para um sacerdote. Sem sua influência, os líderes de Judá convenceram Joás a abandonar o templo do Senhor e a servir postes-ídolos, atraindo a ira divina sobre o reino (). Zacarias, filho e sucessor de Joiada no sacerdócio, denunciou publicamente essa apostasia; por ordem do próprio Joás, foi apedrejado no átrio do templo, e suas últimas palavras registradas — que o Senhor visse e cobrasse essa morte — soam como uma acusação direta contra o rei que ele ajudara a criar (). A narrativa sublinha a ingratidão do episódio: Joás matou o filho do homem que arriscara a própria vida para salvá-lo quando criança. Logo depois, o exército arameu de Hazael invadiu Judá; Joás evitou o ataque a Jerusalém entregando a Hazael todos os objetos sagrados e os tesouros do templo e do palácio (), um gesto que contrasta com a piedade da primeira fase de seu governo. O relato termina com uma conspiração de dois de seus próprios servos, que o mataram em sua cama; 2 Crônicas atribui esse desfecho explicitamente à vingança pelo sangue dos filhos de Joiada (). Joás foi sepultado na Cidade de Davi, mas, segundo o cronista, não junto aos sepulcros reais — um detalhe que a tradição judaica leu como sinal de desonra póstuma. Ao todo, seu reinado de quarenta anos é um dos mais longos entre os reis de Judá, o que torna ainda mais marcante a distância entre o início promissor, narrado com detalhe e aprovação, e o fim violento, registrado sem qualquer tentativa de suavizar a responsabilidade do rei. Seu filho Amazias assumiu o trono em seguida.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Joás foi um rei bom do início ao fim do seu reinado.

    O texto bíblico descreve dois períodos opostos: fidelidade enquanto Joiada viveu e apostasia, idolatria e homicídio depois da morte do sacerdote (). A lembrança popular costuma reter só a infância heroica escondida no templo e esquecer o desfecho.

  • Dizem que:Joás, rei de Judá, é a mesma pessoa que Joás, rei de Israel.

    São dois reis diferentes, de reinos distintos, que reinaram em períodos parcialmente próximos e compartilham a mesma forma do nome ( trata do rei de Judá; trata do rei de Israel, filho de Jeoacaz), o que gera confusão frequente entre leitores.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • reformada

    Tende a ler a piedade inicial de Joás como conformidade externa sustentada pela autoridade de Joiada, não como fé salvadora pessoal — sua queda posterior revelaria o que sempre esteve ausente, e não uma graça perdida.

  • wesleyana/arminiana

    Enfatiza que Joás recebeu genuína orientação e bênção divina sob Joiada e, por decisão própria, afastou-se depois — um exemplo bíblico de que a fidelidade recebida pode ser abandonada pelo livre-arbítrio.

  • católica

    Destaca o papel do bom conselho e da formação moral recebida de Joiada como sustento necessário da virtude de Joás, e sua ausência posterior como ocasião da queda, sem negar a responsabilidade pessoal do rei pelos próprios atos.

  • ortodoxa

    Lê a história como advertência sobre a necessidade de perseverança ativa na comunhão com Deus: a graça recebida na infância de Joás precisava ser continuamente cultivada, e o abandono dessa disciplina espiritual abriu caminho para a apostasia.

O que fazer com isso

A trajetória de Joás mostra que fidelidade sustentada pela influência de outra pessoa nem sempre resiste quando essa influência desaparece. Ele foi salvo por um ato de coragem, criado sob cuidado religioso constante e, ainda assim, terminou ordenando a morte do filho de seu benfeitor. A narrativa não amacia esse contraste: registra tanto o rei que restaurou o templo quanto o que derramou sangue inocente dentro dele, deixando ao leitor a pergunta sobre a diferença entre conformidade externa e convicção pessoal.

Passagens relacionadas9
Fontes consultadas4
  • Keil, C. F. e Delitzsch, F.. Commentary on the Old Testament: Kings, Chronicles, 1866.
  • Henry, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry, 1710.
  • Wiseman, Donald J.. 1 and 2 Kings: An Introduction and Commentary, 1993.
  • Selman, Martin J.. 2 Chronicles: An Introduction and Commentary, 1994.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quantos anos Joás tinha quando foi coroado rei de Judá?

Sete anos. Ele havia sido escondido no templo de Jerusalém desde bebê, durante os seis anos em que sua avó Atalia usurpou o trono, e foi coroado no golpe que a depôs ().

Por que Joás mandou matar Zacarias, filho de Joiada?

Zacarias denunciou publicamente que Joás e os líderes de Judá haviam abandonado o Senhor para servir ídolos depois da morte de Joiada. Por ordem do rei, ele foi apedrejado no pátio do templo ().

Joás foi um bom rei?

Foi um rei fiel enquanto viveu sob a orientação do sacerdote Joiada, promovendo o reparo do templo. Depois da morte de Joiada, tolerou a idolatria e ordenou uma execução no próprio templo, um contraste que o texto bíblico não disfarça.

Como Joás morreu?

Foi assassinado em sua própria cama por uma conspiração de servos, em represália pelo sangue dos filhos do sacerdote Joiada ().

Outros personagens

Publicado em 05/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

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As passagens dele, explicadas

Atalia extermina a família real para reinar sozinha

Ao saber que seu filho Acazias fora morto por Jeú, Atalia, mãe do rei e ligada à casa de Acabe, tomou uma decisão brutal: eliminar toda a "semente real" — os demais descendentes davídicos que restavam em Judá — para reinar sozinha. É o único episódio bíblico em que alguém fora da linhagem de Davi ocupa o trono de Judá, interrompendo por seis anos a sucessão que Deus prometera manter para sempre.

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