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Significado Bíblico
Reiavançada

Hazael

Quem foi Hazael, rei da Síria, na Bíblia?

Ficha do personagem

c. 840-800 a.C., Damasco, Aram

Relações

Resposta curta

Hazael foi um oficial de Ben-Hadade, rei de Arã, que tomou o trono de Damasco em meados do século IX a.C. e se tornou o maior flagelo de Israel e de Judá em sua geração. Deus havia mandado Elias ungi-lo (), mas é Eliseu quem o encontra em Damasco e lhe diz que será rei, chorando por causa do mal que ele fará a Israel (). No dia seguinte, Ben-Hadade morreu, e Hazael reinou. Durante décadas, subjugou o território de Israel a leste do Jordão, atacou Gate e só se retirou de Jerusalém depois de receber o ouro do templo, entregue pelo rei Joás. Inscrições assírias e a estela de Tel Dã o iluminam, embora a leitura de alguns detalhes seja debatida.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

Hazael não é figura de Cristo, e o texto não o apresenta assim. O que se pode notar é uma semelhança de gesto: Eliseu chora diante de um homem que ainda não cometeu o mal, mas sobre o qual pesa o juízo que virá. Jesus também chora ao ver Jerusalém e prever a destruição que a espera (). Nos dois casos, o profeta anuncia um castigo sem se alegrar com ele. A ligação é temática e não aponta cumprimento nem tipologia.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Hazael era um oficial do rei de Damasco, chamado Ben-Hadade. O profeta Eliseu lhe disse que ele seria o próximo rei e chorou, porque sabia o mal que ele faria a Israel. No dia seguinte, Ben-Hadade morreu, e Hazael tomou o trono. Durante seu reinado, ele atacou várias regiões de Israel, tomou a cidade filisteia de Gate e só deixou Jerusalém em paz depois de receber o ouro do templo, enviado pelo rei Joás. A Bíblia vê nele um instrumento do castigo de Deus sobre o povo desobediente.

O mundo dele

Hazael reinou em Damasco, capital do reino arameu (a "Síria" das versões em português), por volta de 840 a 800 a.C. Seu nome hebraico parece significar "Deus viu", mas o texto bíblico nada diz sobre sua família; ele aparece sempre como alguém a serviço de Ben-Hadade, o rei que o enviou a Eliseu (). Os arameus eram vizinhos e rivais frequentes de Israel: Ben-Hadade já havia cercado Samaria no tempo de Acabe (), e as guerras entre os dois reinos marcam boa parte do século IX a.C. Quando Hazael sobe ao trono, Israel é governado por Jorão, filho de Acabe, que logo enfrenta Hazael em Ramote-Gileade (), e em seguida por Jeú, num momento de crise política em Israel e em Judá.

O cenário internacional é importante. A Assíria de Salmaneser III avançava para o oeste, e os reis de Arã, Israel e outros Estados da região haviam formado coalizões contra ela décadas antes. Nas inscrições de Salmaneser III, Hazael aparece como rei de Damasco, que enfrentou os assírios em 841 a.C. e perdeu terreno, e o texto assírio o descreve como alguém que usurpou o trono. Quando a Assíria se retirou, Damasco ficou livre para voltar sua força contra Israel e Judá.

Outro documento importante é a estela encontrada em Tel Dã, no norte de Israel, escrita em aramaico, no século IX a.C. O autor, cujo nome não se preservou nos fragmentos, diz ter derrotado um rei de Israel e um rei da "casa de Davi". Muitos estudiosos o identificam com Hazael, mas essa leitura é uma hipótese debatida: há quem proponha outro rei arameu, e a reconstrução de várias linhas é incerta.

A narrativa bíblica sobre Hazael está espalhada por 1 e 2 Reis e funciona como um comentário sobre o juízo de Deus contra a idolatria da casa de Acabe e contra a infidelidade de Israel e de Judá.

A história

A primeira menção a Hazael é uma ordem a Elias, no Horebe: ungir Hazael como rei de Arã, Jeú como rei de Israel e Eliseu como profeta (). O texto não conta que Elias tenha ungido Hazael. A tarefa se cumpre de outra forma: Eliseu vai a Damasco, onde Ben-Hadade está doente, e Hazael vem ao seu encontro com quarenta camelos carregados de bens, perguntando se o rei sararia ().

A resposta de Eliseu é uma das passagens difíceis do livro. Pelo texto tradicional, ele diz a Hazael que vá e diga que certamente sararia, mas que o Senhor lhe mostrou que o rei morrerá. O hebraico tem uma variante antiga entre "não" e "a ele" nessa frase (o ketib e o qere), e por isso as traduções divergem sobre se Eliseu ordena uma mentira ou apenas informa duas coisas verdadeiras. Em seguida, o profeta fixa o olhar em Hazael até ele se constranger e chora. Ao ser perguntado, diz que sabe o mal que Hazael fará: queimar fortalezas, matar jovens à espada, despedaçar crianças e rasgar mulheres grávidas (8:12). Hazael responde, com falsa humildade ou com sinceridade, que ele não é mais que um cão. Eliseu revela então que ele será rei da Arã. O profeta não ordena a Hazael que faça coisa alguma; anuncia o que ele fará, e o texto deixa em aberto a relação entre essa palavra e a responsabilidade do próprio Hazael.

No dia seguinte, alguém toma um pano, molha-o e o estende sobre o rosto de Ben-Hadade, que morre, e Hazael reina (8:15). A gramática hebraica deixa o sujeito do verbo pouco claro, e a maioria dos leitores entende que foi Hazael, mas o texto não o diz com todas as letras.

O reinado de Hazael é descrito em quatro momentos. Na época de Jeú, o Senhor começou a "cortar" partes de Israel, e Hazael tomou Gileade, Basã e toda a margem oriental do Jordão (). Mais tarde, ele subiu contra Gate e a tomou, e quis ir a Jerusalém; o rei Joás de Judá reuniu as ofertas consagradas e o ouro dos tesouros do templo e do palácio e as enviou, e Hazael se retirou (12:17-18). Durante o reinado de Jeoacaz, Israel foi entregue nas mãos de Hazael e de seu filho Ben-Hadade (13:3), e o relato fala de opressão por toda a vida de Jeoacaz (13:22). O texto também registra uma nota de misericórdia: o Senhor teve compaixão de Israel por causa da aliança com Abraão, Isaque e Jacó, e não quis destruí-lo (13:23). Por fim, menciona a morte de Hazael e a sucessão de seu filho (13:24).

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Elias ungiu Hazael como rei da Síria, conforme a ordem de Deus no Horebe.

    Deus manda Elias ungir Hazael (), mas o relato não conta que ele o tenha feito. A cena seguinte é a de Eliseu em Damasco (), em que ele anuncia a Hazael que será rei sem que se mencione unção com óleo. Jeú, por sua vez, é ungido por um discípulo dos profetas ().

  • Dizem que:A Bíblia afirma claramente que Hazael assassinou Ben-Hadade.

    O texto diz que "ele" tomou um pano, molhou-o e o pôs sobre o rosto do rei (), mas o sujeito do verbo hebraico não é inequívoco. A maioria dos leitores entende que foi Hazael, o que é plausível, mas o texto não nomeia o autor do ato nem descreve o motivo.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada e evangélica

    Lê a ascensão de Hazael como exemplo da soberania de Deus sobre as nações: o Senhor se serve de um rei estrangeiro para disciplinar Israel (; 13:3), sem que isso o torne inocente. O choro de Eliseu é visto como sinal de que o profeta não celebra o juízo que anuncia.

  • Histórico-crítica

    Compara os relatos de Reis com a documentação extrabíblica: inscrições de Salmaneser III, a estela de Tel Dã e outros objetos associados a Hazael mostram um rei poderoso de Damasco que dominou a região no fim do século IX a.C. Para esses estudiosos, a narrativa bíblica é uma leitura teológica de um período de domínio arameu, e não um registro neutro.

  • Judaica tradicional

    Alguns comentadores judaicos medievais procuram harmonizar a resposta de Eliseu em , lendo as palavras do profeta como uma mensagem em duas camadas: o rei poderia sarar da doença, mas morreria por outro motivo. Essa leitura aproveita a ambiguidade do hebraico e preserva a integridade moral do profeta.

O que fazer com isso

Hazael mostra como o texto bíblico trata o poder: um oficial anônimo chega ao trono, e o relato o apresenta ao mesmo tempo como instrumento do juízo de Deus sobre Israel e como alguém responsável pela violência que pratica. O choro de Eliseu lembra que anunciar um julgamento não é o mesmo que desejá-lo. O leitor é convidado a ver a história sem ingenuidade, reconhecendo que Deus age através de forças que continuam sendo julgadas por suas próprias ações.

Passagens relacionadas6
Fontes consultadas3
  • Mordechai Cogan e Hayim Tadmor. II Kings: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible 11), 1988.
  • Avraham Biran e Joseph Naveh. An Aramaic Stele Fragment from Tel Dan (Israel Exploration Journal 43), 1993.
  • William W. Hallo e K. Lawson Younger Jr. (orgs.). The Context of Scripture, vol. 2, 2000.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Hazael era filho de Ben-Hadade?

Não. Ele aparece como servo ou oficial de Ben-Hadade (). O filho de Hazael que reinou depois dele também se chamava Ben-Hadade (). O texto bíblico não menciona o pai de Hazael.

Por que Eliseu chorou diante de Hazael?

O próprio profeta explica: ele sabia o mal que Hazael faria aos filhos de Israel, como incendiar fortalezas e matar jovens (). O choro indica que o profeta não se alegrava com o juízo, mesmo reconhecendo que ele viria.

Hazael realmente existiu fora da Bíblia?

Sim. Ele é mencionado em inscrições assírias de Salmaneser III, e objetos com inscrição atribuída a ele foram encontrados na Síria e na Grécia. A estela de Tel Dã é frequentemente associada a ele, mas essa associação é debatida.

O que Hazael fez a Judá?

Tomou a cidade de Gate e ameaçou Jerusalém, retirando-se quando o rei Joás enviou os objetos consagrados e o ouro dos tesouros do templo e do palácio ().

Outros personagens

Publicado em 10/10/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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As passagens dele, explicadas

Joás paga Hazael com os tesouros sagrados do templo

Em 2 Reis 12:17-18, Hazael, rei da Síria, ataca Gate e avança rumo a Jerusalém. Para evitar a invasão, o rei Joás de Judá reúne todo o ouro consagrado guardado no templo e no próprio palácio real — incluindo objetos que reis anteriores haviam dedicado a Yahweh — e envia tudo como pagamento a Hazael, que então se retira sem atacar a cidade.

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Profecia2 Reis 8:11-13

Eliseu chora ao ver o mal que Hazael fará a Israel

Eliseu está em Damasco quando Ben-Hadade, rei da Síria, gravemente doente, envia seu oficial Hazael para perguntar ao profeta se vai sobreviver. Eliseu manda responder ao rei que sim, mas revela a Hazael, em particular, que ele certamente morrerá. Em seguida, o homem de Deus fixa o olhar no rosto de Hazael até deixá-lo visivelmente sem jeito, e então chora.

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Hazael sufoca o rei da Síria com um pano molhado

Em 2 Reis 8:14-15, o oficial sírio Hazael visita o profeta Eliseu, que chora ao anunciar que ele se tornará rei e fará mal a Israel. Hazael volta a Damasco e mente ao rei Ben-Hadade, dizendo apenas que Eliseu prometeu sua cura. No dia seguinte ele mesmo comete o crime: pega um pano, molha-o em água e o estende sobre o rosto do rei doente até sufocá-lo. O texto não julga o ato com nenhum comentário moral; apenas registra, seco, que Hazael assumiu o trono em seu lugar.

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Costumes da época2 Reis 12:9-10

O cofre com um furo: como Joás financiou o reparo do templo

Depois de duas tentativas fracassadas de arrecadar dinheiro para consertar o templo de Jerusalém, deteriorado havia anos, o sacerdote Joiada propôs uma solução simples: uma arca com um furo na tampa, colocada junto ao altar, à direita de quem entrava no templo. Os sacerdotes que guardavam a porta recolhiam ali o dinheiro trazido pelo povo, sistema aberto a qualquer contribuição, mas fechado contra retirada sem autorização.

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Números simbólicos2 Reis 4:42-44

Vinte pães de cevada alimentam cem homens: o milagre que antecipa a multiplicação de Jesus

Um homem traz a Eliseu vinte pães de cevada e grãos novos como oferta das primícias, produtos simples de uma colheita modesta, e o profeta ordena que sejam distribuídos a cem homens da companhia profética que o acompanhava. O servo de Eliseu reage com a objeção óbvia, apontando a desproporção evidente entre a quantidade de pão e o número de pessoas, mas Eliseu insiste, repetindo a ordem e citando a palavra do Senhor de que todos comeriam e ainda sobraria comida. O texto confirma isso: 'comeram e ainda sobejou, segundo a palavra do Senhor' (4:44). A proporção impossível entre pão disponível e bocas alimentadas, com sobra explícita ao final, é praticamente um esboço em miniatura da multiplicação dos pães realizada por Jesus, só que registrado oito séculos antes, pelo ministério de Eliseu no reino do norte de Israel.

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Atalia extermina a família real para reinar sozinha

Ao saber que seu filho Acazias fora morto por Jeú, Atalia, mãe do rei e ligada à casa de Acabe, tomou uma decisão brutal: eliminar toda a "semente real" — os demais descendentes davídicos que restavam em Judá — para reinar sozinha. É o único episódio bíblico em que alguém fora da linhagem de Davi ocupa o trono de Judá, interrompendo por seis anos a sucessão que Deus prometera manter para sempre.

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