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Significado Bíblico
Nome bíblicoFemininointermediária

Sifrá

o que significa o nome sifra

Ficha do nome

bela, formosa (da raiz hebraica shafar, "ser belo, agradável, excelente"; sentido próximo ao de yafah, "beleza")

שִׁפְרָה · Shiphrah / Šifrāh

Origem
hebraico
Gênero
Feminino
Uso
Raro no Brasil
Variantes
Sifrá, Shiphrah, Chifrá, Shifra

Resposta curta

Sifrá é a forma aportuguesada do hebraico Shiphrah (שִׁפְרָה), nome ligado à raiz shafar, que carrega a ideia de ser belo, agradável ou excelente. Por isso os léxicos hebraicos costumam traduzir o nome como "bela" ou "formosa". É um nome pessoal feminino que aparece uma única vez no Antigo Testamento, sem se tornar palavra comum na língua hebraica, o que torna sua etimologia baseada sobretudo na raiz, e não em uso repetido do termo.

O nome pertence a Sifrá, uma das duas parteiras mencionadas em , que desobedeceram à ordem do Faraó do Egito de matar os meninos hebreus recém-nascidos. Ao lado de Puá, ela é citada pelo nome próprio num relato que não nomeia nem o Faraó nem quase nenhuma outra figura egípcia. No Brasil, Sifrá é um nome raro, praticamente restrito a contextos bíblicos.

Em palavras simples

Sifrá é um nome hebraico que provavelmente significa "bela" ou "formosa". Na Bíblia, é o nome de uma das duas parteiras que atendiam as mulheres hebreias no Egito e que, por temerem a Deus, desobedeceram à ordem do Faraó de matar os meninos recém-nascidos. É um nome bíblico pouco comum, quase não usado no Brasil hoje, mas que aparece em traduções da Bíblia e em materiais sobre mulheres bíblicas.

De onde vem o nome

O nome Sifrá aparece em , no início do livro que narra a escravidão do povo hebreu no Egito, antes do nascimento de Moisés. O texto diz que o rei do Egito falou a duas parteiras hebreias, Sifrá e Puá, ordenando que matassem todo menino hebreu ao nascer e deixassem viver apenas as meninas. As duas, no entanto, "temeram a Deus" e não obedeceram à ordem, alegando ao Faraó que as mulheres hebreias davam à luz antes que a parteira chegasse.

Um ponto discutido por comentaristas é se Sifrá e Puá eram elas próprias hebreias ou egípcias a serviço das hebreias, já que a expressão original em hebraico admite as duas leituras gramaticais. A maior parte da tradição judaica e cristã, seguindo a leitura mais natural do texto, entende que eram hebreias — o que reforça o contraste entre o poder do Faraó e a coragem de duas mulheres de posição social modesta.

O relato é breve, mas estrategicamente colocado: é o primeiro ato de resistência registrado no livro de Êxodo, antes mesmo do nascimento de Moisés, e prepara o terreno para a narrativa da salvação do futuro líder do povo hebreu, escondido por sua mãe e depois adotado pela filha do próprio Faraó. O texto sagrado registra explicitamente que "Deus fez bem às parteiras" e que ele lhes deu família, um dos raros casos no Antigo Testamento em que mulheres comuns, sem papel de destaque político, recebem reconhecimento direto por seus atos diante de uma ordem real injusta.

Fora dessa passagem, Sifrá não volta a ser mencionada na Bíblia. Não há genealogia, descendência ou outro episódio ligado a ela, o que faz do nome um caso relativamente raro: uma figura secundária, mas nomeada e lembrada, num livro em que muitos personagens — inclusive o próprio Faraó — permanecem sem nome.

O nome na Bíblia

A forma hebraica do nome, שִׁפְרָה (Shiphrah), é geralmente associada pelos léxicos padrão, como o de Brown-Driver-Briggs (BDB) e o HALOT, à raiz שפר (shafar), presente também em aramaico e em outras línguas semíticas do Oriente Próximo antigo, com o sentido de "ser belo", "ser agradável" ou "ser excelente". A tradução mais comum do nome, portanto, é "bela" ou "formosa", ainda que, como o termo não seja empregado em nenhum outro trecho do Antigo Testamento como palavra comum, a reconstrução do significado dependa da raiz verbal e de comparações com línguas aparentadas, e não de um uso repetido que permitisse confirmação direta.

Alguns estudiosos também notaram uma possível relação sonora com termos semíticos ligados ao ofício de parteira, mas essa conexão é secundária e não é a explicação preferida pelos principais léxicos hebraicos, que mantêm a leitura ligada à beleza como a mais provável. Comentaristas como Keil e Delitzsch, em seu comentário clássico sobre o Pentateuco, e mais recentemente Nahum Sarna, no comentário da JPS Torah sobre Êxodo, tratam o nome dentro dessa mesma linha, sem apontar dúvida relevante quanto à raiz, apenas quanto aos detalhes finos da vocalização.

Do ponto de vista histórico, o nome Sifrá é atestado como nome próprio semítico fora da Bíblia: registros egípcios do período têm sido citados por egiptólogos como evidência de que nomes semíticos ocidentais, de estrutura semelhante a Shiphrah, circulavam entre trabalhadores estrangeiros no Egito antigo, o que dá plausibilidade histórica ao relato sem, no entanto, permitir identificar com certeza a parteira específica de em nenhum documento egípcio conhecido.

Quanto à grafia, a forma "Sifrá" é a mais usada nas traduções em português (Almeida, NVI, NAA), enquanto "Shiphrah" é a transliteração inglesa mais comum, usada por versões como a KJV e a ESV. Variações como "Chifrá" aparecem ocasionalmente em transliterações mais antigas, refletindo diferentes convenções para representar o som inicial do hebraico "shin". No Brasil, o nome nunca entrou em uso corrente como prenome civil, permanecendo praticamente restrito ao vocabulário bíblico e a materiais de estudo sobre o Êxodo — diferente de nomes bíblicos femininos mais populares, como Sara ou Raquel, cuja sonoridade se adaptou com mais facilidade ao português.

Vale notar ainda que o par Sifrá e Puá costuma ser lembrado em conjunto, já que os dois nomes aparecem sempre lado a lado no texto bíblico e compartilham a mesma função narrativa. Comentaristas como Douglas Stuart, em seu comentário sobre Êxodo na série New American Commentary, observam que o narrador dedica atenção incomum a registrar os nomes dessas duas mulheres num capítulo que, de resto, evita nomear figuras egípcias de poder, incluindo o próprio Faraó — um contraste literário deliberado entre autoridade anônima e coragem nomeada, que reforça a importância simbólica atribuída aos dois nomes dentro da narrativa do Êxodo.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:O nome Sifrá significa 'parteira' ou está relacionado à profissão de partejar.

    Os léxicos hebraicos padrão associam o nome à raiz shafar, ligada à ideia de beleza ou excelência, não a uma palavra para 'parteira'. Sifrá exercia essa profissão, mas o nome em si não deriva dela.

  • Dizem que:A Bíblia afirma que Sifrá era a mãe de Moisés, Joquebede.

    Essa identificação vem de uma tradição rabínica posterior (registrada no Talmude), não do texto de Êxodo, que apresenta Sifrá e a mãe de Moisés como figuras distintas, sem qualquer indicação textual de que sejam a mesma pessoa.

  • Dizem que:Está definitivamente estabelecido que Sifrá e Puá eram egípcias, não hebreias.

    A construção hebraica de é ambígua e admite as duas leituras; a maioria dos comentaristas judeus e cristãos, antigos e modernos, entende que eram hebreias, mas a questão é discutida, não encerrada.

Vale a pena escolher este nome?

O relato de Sifrá lembra que decisões tomadas por pessoas comuns, sem poder político, podem ter peso duradouro. A parteira aparece na Bíblia por um único gesto: recusar-se a cumprir uma ordem que considerava errada, mesmo vinda de uma autoridade absoluta. O texto não a apresenta como heroína extraordinária, mas como alguém cujo nome, junto ao de Puá, foi preservado justamente porque agiu de acordo com aquilo que temia diante de Deus.

Fontes consultadas6
  • Brown, Francis; Driver, S. R.; Briggs, Charles A.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
  • Keil, Carl Friedrich; Delitzsch, Franz. Commentary on the Old Testament: The Pentateuch, 1866.
  • Henry, Matthew. Commentary on the Whole Bible, 1706.
  • Sarna, Nahum M.. Exodus: The JPS Torah Commentary, 1991.
  • Strong, James. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Stuart, Douglas. Exodus (The New American Commentary), 2006.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que significa o nome Sifrá?

Sifrá vem do hebraico Shiphrah e é geralmente traduzido como "bela" ou "formosa", ligado à raiz shafar. O significado é bem aceito entre os léxicos, embora se baseie na raiz do nome, já que a palavra não aparece em outro lugar da Bíblia como termo comum.

Quem foi Sifrá na Bíblia?

Sifrá foi uma das duas parteiras hebreias, ao lado de Puá, que atendiam mulheres hebreias no Egito e que desobedeceram à ordem do Faraó de matar os meninos recém-nascidos, conforme narrado em .

Sifrá e Puá eram parteiras hebreias ou egípcias?

O hebraico de permite as duas leituras, mas a maioria das traduções e comentaristas entende que eram hebreias, o que reforça o contraste entre a coragem das duas mulheres e o poder do Faraó.

O nome Sifrá é comum no Brasil?

Não. É considerado um nome raro no Brasil, usado quase exclusivamente em referências bíblicas, sem histórico relevante de uso como prenome civil.

Sifrá aparece em mais algum lugar da Bíblia além de Êxodo 1?

Não. O nome ocorre apenas nesse capítulo, num relato breve que não volta a mencioná-la depois, embora registre que Deus lhe deu família por causa de seu temor a ele.

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Publicado em 02/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 6 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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