"Tudo é vaidade" — o que a palavra realmente significa?
A palavra hebraica é *hevel*, e o sentido básico dela é concreto: vapor, sopro, névoa. É o mesmo nome de Abel, o filho de Adão que morre no capítulo seguinte ao do nascimento.
4 passagens difíceis neste capítulo, explicadas com contexto histórico, línguas originais e as leituras cristãs que disputam o sentido.
A palavra hebraica é *hevel*, e o sentido básico dela é concreto: vapor, sopro, névoa. É o mesmo nome de Abel, o filho de Adão que morre no capítulo seguinte ao do nascimento.
"O que foi, isso será; e o que se fez, isso será feito; de modo que nada há de novo abaixo do sol" fecha a reflexão do Eclesiastes: gerações passam, o sol nasce e se põe, o vento roda, os rios correm para o mar sem enchê-lo. O Pregador não nega conquistas ou invenções; ele observa que os desejos e as buscas humanas por sentido se repetem de geração em geração, por mais que as ferramentas mudem.
Depois de descrever a busca exaustiva por sabedoria sobre "tudo o que acontece abaixo do céu", o Pregador chega a um veredito que a tradução usada aqui verte como "tudo é futilidade e aflição de espírito" — traduções mais antigas, como a Almeida Corrigida, usam "vaidade" no lugar de "futilidade".
Em Eclesiastes 1:17-18, o Pregador conclui que 'na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta em conhecimento aumenta em dor.' A afirmação choca porque o mesmo livro, em outros capítulos, elogia a sabedoria como superior à insensatez e melhor que armas de guerra (Eclesiastes 9:18, 7:19). A tensão não é erro de composição: Eclesiastes distingue entre a sabedoria prática, que ajuda a viver melhor no dia a dia, e o conhecimento totalizante que tenta compreender o sentido último da existência — e é esse segundo tipo que, para o autor, só revela quanto sofrimento e vaidade existem no mundo, sem oferecer alívio.