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Significado Bíblico
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Codex Alexandrinus

O que é o Codex Alexandrinus e por que ele é importante para o Apocalipse?

Ficha do documento

Data provável
c. 400-440 d.C. (século V)
Língua
grego
Autoria atribuída
Uma nota marginal tardia, em árabe, atribui o manuscrito a um certo "Atanásio, o humilde" — quase certamente não o bispo Atanásio de Alexandria do século IV, que viveu cedo demais para ser o copista deste exemplar.
Onde se preserva
Biblioteca Britânica, Londres (Royal MS 1 D V-VIII).

A erudição, no entanto, sustenta: Escriba ou escribas anônimos de um scriptório cristão, provavelmente localizado no Egito.

Status por tradição

Tradição judaicaFora do cânonNão se aplica: é um manuscrito cristão do Novo e do Antigo Testamento gregos, sem relação com o cânone hebraico.
Igreja CatólicaFora do cânonO próprio manuscrito não é um 'livro' candidato a cânone; contém os livros do Antigo e do Novo Testamento reconhecidos, mais um apêndice não canônico (1-2 Clemente).
Igreja OrtodoxaFora do cânonMesma observação: o códice preserva textos canônicos e, como apêndice, cartas de Clemente lidas com respeito mas não canonizadas.
Ortodoxa EtíopeFora do cânonO cânone etíope, mais amplo em outros pontos, também não inclui as Cartas de Clemente presentes neste manuscrito.
Tradições protestantesFora do cânonO apêndice de Clemente nunca foi considerado Escritura por nenhuma tradição protestante.

Resposta curta

O Codex Alexandrinus é um dos quatro grandes manuscritos unciais da Bíblia grega, copiado em pergaminho por volta do século V d.C., provavelmente no Egito. Reúne quase todo o Antigo Testamento na Septuaginta e quase todo o Novo Testamento, com poucas lacunas onde folhas se perderam — entre elas o começo de Mateus e um trecho de João. Ao final, o manuscrito ainda traz as duas cartas de Clemente de Roma, lidas por algumas igrejas antigas mas nunca tratadas como Escritura.

Depois de pertencer a patriarcas de Alexandria e Constantinopla, foi enviado como presente a um rei da Inglaterra em 1627 e hoje está na Biblioteca Britânica, em Londres. Seu maior valor está em preservar quase por completo o livro do Apocalipse e as cartas gerais — seções em que outros grandes códices antigos, como o Vaticanus, apresentam perdas significativas.

Passagens bíblicas relacionadas

Em palavras simples

O Codex Alexandrinus é uma cópia muito antiga da Bíblia em grego, feita há cerca de mil e seiscentos anos, provavelmente no Egito. Ele guarda quase todo o Antigo e o Novo Testamento escritos à mão em pergaminho. Depois de séculos guardado por líderes de igrejas do Oriente, foi dado a um rei inglês e hoje fica em um museu de Londres. Ele é especialmente valioso porque preserva quase por inteiro o livro do Apocalipse, um trecho que em outros manuscritos antigos igualmente famosos ficou incompleto ou se perdeu.

O que o documento conta

O Codex Alexandrinus nasceu num período em que copiar a Bíblia inteira num único volume encadernado — e não em rolos separados — já era possível graças ao uso do códice de pergaminho, formato que os cristãos adotaram com entusiasmo desde cedo. Foi produzido por volta do século V d.C., provavelmente em um scriptório cristão do Egito, embora nenhum registro direto conte quem foram os copistas. Uma nota em árabe, acrescentada muito depois, atribui o manuscrito a um certo "Atanásio, o humilde" — quase certamente não o famoso bispo Atanásio de Alexandria do século IV, que viveu cedo demais para ser o responsável por este exemplar.

O manuscrito ficou associado ao Egito o bastante para herdar o nome "Alexandrinus", ligado à cidade de Alexandria. No início do século XVII pertencia a Cirilo Lucaris, que havia sido patriarca de Alexandria antes de se tornar patriarca de Constantinopla, e que teria levado o volume consigo nessa mudança. Em 1627, já sob o reinado de Carlos I, Lucaris enviou o códice como presente diplomático à coroa inglesa, entregue por meio do embaixador britânico em Constantinopla. Passou a integrar as coleções reais e, mais tarde, o acervo da Biblioteca Britânica, em Londres, onde permanece até hoje, catalogado como Royal MS 1 D V-VIII.

Sua chegada à Europa ocidental no século XVII coincidiu com o início dos estudos modernos de crítica textual do Novo Testamento, e o Alexandrinus se tornou uma das primeiras grandes testemunhas gregas antigas a circular entre eruditos europeus, ao lado — décadas depois — do Codex Vaticanus e, só no século XIX, do recém-descoberto Codex Sinaiticus. Junto com esses dois e o fragmentário Codex Ephraemi Rescriturus, ele compõe o grupo tradicionalmente chamado de "quatro grandes unciais" da Bíblia grega, manuscritos em letras maiúsculas que antecedem em séculos a maioria dos exemplares bíblicos conhecidos.

Aprofundamento

O Codex Alexandrinus é escrito em grego uncial — letras maiúsculas separadas, sem a escrita cursiva usada depois — distribuído em duas colunas por página, sobre pergaminho de boa qualidade. Recebeu a sigla "A" na numeração tradicional dos manuscritos e o número 02 no sistema de Gregory-Aland, hoje padrão entre especialistas em crítica textual. O texto traz recursos de uso litúrgico e de estudo comuns à época, como listas de capítulos (kephalaia) no início de cada livro e faixas ornamentais desenhadas para marcar o começo de novas seções — um dos primeiros exemplos conhecidos de manuscrito bíblico com esse tipo de decoração.

No Antigo Testamento, o Alexandrinus segue a Septuaginta, a tradução grega usada amplamente pelos cristãos de língua grega, e inclui ao final dos Salmos uma coleção de cânticos bíblicos reunidos à parte — um apêndice comum em manuscritos gregos daquele período. No Novo Testamento, o texto está quase completo, mas não inteiro: faltam o começo do Evangelho de Mateus (até o capítulo 25), um trecho do Evangelho de João e uma parte da Segunda Carta aos Coríntios, todos perdidos por causa de folhas que se desprenderam e desapareceram ao longo dos séculos de manuseio.

O ponto mais discutido do manuscrito, porém, é o que ele preserva e não o que perdeu. Entre os quatro grandes unciais gregos, o Vaticanus, do século IV, teve suas últimas páginas extraviadas ainda na Antiguidade tardia, e por isso seu texto original não chega ao fim de Hebreus, às cartas pastorais, a Filemom ou ao Apocalipse — trechos que só foram supridos num manuscrito muito mais tardio, do século XV. O Codex Ephraemi Rescriturus, do mesmo século que o Alexandrinus, é um palimpsesto raspado e reaproveitado, com boa parte do texto bíblico apagado e recuperável apenas em fragmentos. Nesse cenário, o Alexandrinus e o Sinaiticus tornam-se as duas testemunhas unciais mais completas para o texto grego do Apocalipse e das cartas gerais (Tiago, 1 e 2 Pedro, 1 a 3 João e Judas), permitindo comparações que ajudam a reconstruir, com maior segurança, a forma mais antiga desse texto.

Por fim, o Alexandrinus acrescenta, depois do Apocalipse, as duas cartas atribuídas a Clemente de Roma. A presença delas não significa que o copista as considerasse Escritura no mesmo nível dos livros bíblicos: era comum, nos séculos IV e V, que volumes bíblicos trouxessem como apêndice textos lidos com respeito nas igrejas, mesmo sem integrar formalmente o cânon — um retrato da vida real das comunidades cristãs antigas, para além das listas oficiais de livros.

O que costumam dizer errado3 afirmações
  • Dizem que:O Codex Alexandrinus foi escrito pelo bispo Atanásio de Alexandria, o mesmo que ajudou a fixar o cânon do Novo Testamento no século IV.

    Essa ideia vem de uma nota em árabe acrescentada ao manuscrito muito depois de sua produção, atribuindo-o a um "Atanásio, o humilde" — provavelmente um patriarca posterior e homônimo, não o famoso bispo do século IV. O próprio manuscrito é datado por paleógrafos do século V, cerca de cem anos depois da carta em que Atanásio listou os 27 livros do Novo Testamento, o que torna essa autoria impossível.

  • Dizem que:É o manuscrito bíblico mais antigo que existe.

    O Codex Alexandrinus, do século V, é mais recente que o Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus, ambos do século IV, e mais recente ainda que diversos papiros bíblicos fragmentários anteriores a ele. Seu valor não está em ser o mais antigo, mas em preservar de forma mais completa certas partes do Novo Testamento, como o Apocalipse.

  • Dizem que:Como o manuscrito inclui as Cartas de Clemente, isso prova que essas cartas já foram parte oficial da Bíblia e foram removidas depois.

    Não há evidência de que 1 e 2 Clemente tenham integrado algum cânone oficial de igreja. Manuscritos bíblicos antigos frequentemente traziam, como apêndice, textos respeitados e lidos nas comunidades sem status de Escritura — uma prática distinta de reconhecê-los como canônicos.

Como diferentes tradições leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • catolica

    As Cartas de Clemente de Roma anexadas ao Alexandrinus são valorizadas como testemunho histórico da fé apostólica logo após o período do Novo Testamento, mas jamais integraram o cânon fixado pela Igreja, que reconhece apenas os 27 livros do Novo Testamento.

  • ortodoxa

    Em alguns círculos bizantinos antigos, 1 Clemente chegou a ser lida em contexto litúrgico ou monástico como escrito venerável do período subapostólico, sem que isso implicasse equipará-la à Escritura inspirada.

  • protestante

    A tradição protestante enfatiza a distinção nítida entre o cânon fechado das Escrituras e os escritos dos chamados 'pais apostólicos'; a presença de Clemente no Alexandrinus é lida como evidência histórica da diversidade de leituras eclesiásticas antigas, não como ameaça à autoridade do cânon.

  • ortodoxa-etiope

    A Igreja Ortodoxa Etíope, que reconhece um cânon mais amplo em outras frentes, como Enoque e Jubileus, tampouco inclui as Cartas de Clemente entre seus livros sagrados, mas vê no achado um retrato da riqueza de textos cristãos primitivos preservados de formas distintas por diferentes tradições regionais.

O que fazer com isso

Um manuscrito antigo como o Codex Alexandrinus não precisa ser "prova" de nada para ser valioso: seu papel é mostrar, com honestidade histórica, como o texto bíblico foi copiado, preservado e por vezes perdido em folhas soltas ao longo dos séculos. Comparar códices como este ensina a distinguir entre o texto bíblico em si e os acidentes de sua transmissão material — folhas que se perderam, apêndices que circulavam junto, mas nunca se confundiram com o cânone reconhecido pelas igrejas.

Fontes consultadas4 obras
  • Bruce M. Metzger e Bart D. Ehrman. The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration, 2005.
  • Frederic G. Kenyon. The Codex Alexandrinus in Reduced Photographic Facsimile, 1909.
  • Bruce M. Metzger. Manuscripts of the Greek Bible: An Introduction to Greek Palaeography, 1981.
  • T. C. Skeat. The Codicology and Dating of the Great Uncial Codices (artigo sobre os grandes unciais bíblicos), 1999.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que é exatamente o Codex Alexandrinus?

É um manuscrito da Bíblia grega em pergaminho, do século V d.C., um dos quatro grandes códices unciais que preservam quase todo o Antigo e o Novo Testamento em grego. Hoje está guardado na Biblioteca Britânica, em Londres.

Por que ele é tão citado quando se fala do livro do Apocalipse?

Porque, entre os manuscritos antigos mais completos, o Codex Vaticanus perdeu as páginas finais e não chegou a preservar o Apocalipse em sua forma original, e o Codex Ephraemi Rescriturus é um palimpsesto fragmentário. O Alexandrinus, ao lado do Sinaiticus, é uma das poucas testemunhas unciais que trazem o texto grego do Apocalipse quase completo.

O manuscrito tem alguma parte perdida?

Sim. Faltam o início do Evangelho de Mateus, um trecho do Evangelho de João e parte da Segunda Carta aos Coríntios, além de pequenas lacunas no Antigo Testamento — todas causadas pela perda de folhas ao longo dos séculos de manuseio, não por decisão de algum copista.

É verdade que ele contém livros que não estão na Bíblia hoje?

Ao final do Novo Testamento, o manuscrito acrescenta as duas Cartas de Clemente de Roma, lidas com respeito por algumas comunidades cristãs antigas, mas que nunca foram reconhecidas como Escritura canônica por nenhuma grande tradição cristã.

Como o manuscrito chegou à Inglaterra?

Foi enviado em 1627 como presente diplomático ao rei da Inglaterra por Cirilo Lucaris, que havia sido patriarca de Alexandria e depois de Constantinopla. Desde então permaneceu em coleções britânicas, hoje na Biblioteca Britânica.

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Publicado em 05/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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