Ceitil (Lepton)
O que significa Ceitil na Bíblia?
A palavra no original
λεπτόν
lepton · Strong G3016
Moeda de bronze pequena e leve, a menor em circulação na Palestina, do adjetivo que significa fino ou pequeno.
Tudo isto ao mesmo tempo
- menor moeda circulante
- valor mínimo
- oferta no cofre do templo
- dívida paga até o fim
- pequenez e proporção na doação
Resposta curta
Ceitil é o nome de uma antiga moeda portuguesa de cobre, de valor mínimo, e por extensão a menor quantia possível: pagar até o último ceitil é pagar até o fim. As Bíblias em português usam a palavra para traduzir o grego λεπτόν (lepton), a menor moeda em circulação na Palestina do primeiro século, de bronze e de valor muito baixo. O termo aparece em e , nas duas moedinhas que a viúva pobre lança no cofre do templo, e em , no devedor que só sai da prisão depois de pagar o último lepton. O pequeno valor da moeda é justamente o que dá peso às cenas.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
ContrasteA cena do cofre do templo põe lado a lado a oferta dos ricos, vistosa e sobrante, e a da viúva, mínima e total. Jesus é quem observa e interpreta, o que mostra seu conhecimento do coração, tema recorrente dos evangelhos. Não há aqui tipologia da moeda. O vínculo cristológico mais direto aparece em outro lugar: o Novo Testamento descreve o próprio Cristo como quem, sendo rico, se fez pobre (), numa entrega que dialoga com a lógica do dar tudo, mas sem que o texto da viúva o afirme.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Ceitil era o nome de uma moeda portuguesa muito pequena, e as Bíblias antigas usam essa palavra para traduzir o grego lepton, a menor moeda que circulava na Palestina no tempo de Jesus. Duas dessas moedinhas são o que a viúva pobre coloca no cofre do templo, em e . Jesus diz que ela deu mais do que os ricos, porque deu tudo o que tinha. Em , a mesma moeda marca a dívida paga até o último centavo. Quase nada de valor, e por isso mesmo significativa.
De onde vem a palavra
Quem entrava no pátio do templo de Jerusalém encontrava os gazofilácios, os cofres de oferta em forma de trombeta, nos quais os fiéis depositavam dinheiro para o culto e para os pobres. e descrevem Jesus sentado diante deles, observando quem dava e quanto. Muitos ricos, diz Marcos, lançavam muito. Veio então uma viúva pobre e colocou duas moedas pequenas, em grego dois lepta. A cena é curta e muito carregada de contraste: a soma maior de um lado, a menor soma possível do outro.
O lepton era a menor peça circulante da região. Era de bronze, de cunhagem local, e a prática comum o associa às moedas hasmoneias e herodianas, muito leves e de valor reduzido. Marcos acrescenta uma explicação que os leitores romanos entenderiam: as duas moedas valiam um quadrante, a moeda romana de bronze. Daí se vê que um lepton era a metade do quadrante, uma fração ínfima do denário que pagava a diária de um trabalhador. Mesmo somando as duas moedas, a viúva pôs no cofre uma quantia que mal serviria para comprar algo de comer.
O mesmo vocábulo reaparece em , no fim de um dito sobre o devedor levado ao juiz. A pessoa só sairá da prisão depois de pagar o último lepton, ou seja, o último centavo. , em dito paralelo, escolhe o quadrante romano. Nos dois evangelhos a imagem dos valores mínimos é usada para dizer algo sobre pesos e medidas de Deus: no templo, a oferta se mede pelo que a pessoa reteve para si e pelo que entregou; na dívida, nada fica por quitar. Em ambos os contextos, a moeda pequena é o centro, não um detalhe. Vale lembrar que o texto não informa o que a viúva faria depois, nem a quem pertencia o cofre em sentido jurídico; sobra apenas o gesto, narrado em poucas linhas e observado por quem estava sentado diante dos cofres, num dos últimos dias de Jesus em Jerusalém.
Aprofundamento
A palavra λεπτόν (Strong G3016) é o neutro do adjetivo λεπτός, que significa fino, delgado, pequeno. A associação vem do verbo λέπω, descascar, e é a explicação usual nos léxicos como o BDAG: a moeda é chamada assim por ser leve, fina e pequena. Como se trata de etimologia de uso comum e não de documento antigo que a confirme, convém dizer que a ligação é plausível e amplamente aceita, mas inferida. Em outros contextos gregos, lepton servia também para qualquer coisa minúscula, de modo que o sentido moeda é uma especialização. O dicionário de Liddell e Scott, de uso corrente entre helenistas, registra o adjetivo com esse leque de sentidos físicos, de fino a miúdo, antes de qualquer emprego monetário.
O ponto central é o contraste que Jesus extrai da cena. Em ele chama os discípulos e diz que a viúva lançou mais do que todos, porque os outros deram do que lhes sobrava, e ela, da sua pobreza, deu tudo o que tinha, todo o seu sustento. O texto compara a proporção entre o que se dá e o que se guarda, não a quantia absoluta. Uma leitura aritmética, que faça da viúva um modelo de quem deve doar mais dinheiro, perde o foco do relato, que é a observação de Jesus sobre o coração da oferta.
Há, porém, uma discussão honesta entre intérpretes. trata, imediatamente antes, dos escribas que devoram as casas das viúvas, e alguns comentaristas, como Addison Wright em um artigo de 1982 sobre a viúva, leem a cena como lamento: o sistema do templo levou uma mulher a entregar o pouco que lhe restava, e Jesus não a elogia, apenas constata. Outros, como Craig Evans, preferem ver elogio genuíno à sua entrega. O texto não resolve a questão com uma frase explícita de aprovação. Ele diz apenas que ela deu mais, e que Jesus observou.
Quanto à tradução, ceitil é a escolha de tradições portuguesas de tradução para lepton em passagens como , e acompanha uma antiga moeda portuguesa de cobre de baixo valor. Outras versões usam moeda, centavo ou trocado. A escolha de ceitil tem sabor histórico e transmite o essencial, que é a pequenez. Já a soma de duas peças é detalhe do original, não acréscimo da tradução: dois lepta, e não um, de modo que a viúva poderia ter guardado uma e dado a outra. O texto grego destaca que ela deu as duas. Aqui, mais uma vez, a pequenez da unidade monetária é a própria mensagem: não há como dividir mais o que ela entregou, e por isso o relato não deixa margem para que se diga que sobrou algo guardado.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Jesus ensina que quem é pobre deve dar tudo o que tem para a igreja ou o templo.
O texto não dá nenhuma ordem. Jesus observa e comenta o gesto de uma mulher; a lição está na comparação entre quem dá do que sobra e quem dá do que falta. Transformar o relato numa regra de arrecadação ignora que critica logo antes quem se aproveita das viúvas.
Dizem que:Ceitil é uma palavra grega bíblica.
É palavra portuguesa, nome de uma moeda antiga de cobre de baixo valor, usada por tradutores para verter o grego lepton. O original diz λεπτόν, que significa algo como fino, pequeno.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura tradicional de elogio (patrística, católica e protestante clássica)
Vê a viúva como exemplo de generosidade e confiança: ao dar tudo o que tinha, ela expressa dependência de Deus, e Jesus a aponta como modelo diante dos ricos.
Leitura crítica ao sistema do templo (Addison Wright e outros exegetas modernos)
Lê o episódio ligado a : Jesus lamenta que uma viúva seja levada a entregar o seu sustento a uma instituição que a explora, de modo que a cena denuncia mais do que celebra.
Leitura reformada e evangélica contemporânea
Concentra-se na avaliação do coração por Cristo: a oferta é medida pela proporção e pela entrega, não pelo valor, sem ver nisso exigência de doar tudo.
O que fazer com isso
A viúva mostra que a medida de uma oferta não é o valor da moeda, mas o que ela representa para quem a dá. A passagem desmonta duas tentações: a de achar que pouco não conta e a de avaliar os outros pelo tamanho do que doam. Observar a própria generosidade, sem ostentá-la nem desprezá-la, é uma pergunta mais honesta do que contar quanto se deu.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas4 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
- Wright, A.G.. The Widow's Mites: Praise or Lament? A Matter of Context, Catholic Biblical Quarterly 44, 1982.
- Evans, C.A.. Mark 8:27-16:20, Word Biblical Commentary 34B, 2001.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quanto valia um lepton?
Era a menor moeda circulante no tempo de Jesus. Segundo , duas delas valiam um quadrante, que era a quarta parte do asse romano. Em termos de poder de compra, era uma quantia irrisória.
Por que as Bíblias em português dizem ceitil?
Porque tradutores de língua portuguesa buscaram o nome de uma moeda de cobre de valor ínfimo para traduzir lepton. Versões mais modernas preferem moedinha, centavo ou trocado.
A viúva dos ceitis foi elogiada por Jesus?
Jesus diz que ela lançou mais do que todos, mas intérpretes discutem se isso é elogio ou lamento por um sistema que a levou a entregar tudo. O texto registra o fato e a avaliação, sem ordem explícita para imitar.
Onde aparece o lepton no Novo Testamento?
Em , e , segundo as listas usuais de ocorrências da palavra no grego do Novo Testamento.
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