
Salomão teve mesmo mil mulheres?
Como o homem mais sábio da Bíblia teve 700 esposas e 300 concubinas?
E teve setecentas esposas princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres desviaram o coração dele.
Resposta curta
O texto dá os números sem rodeios e diz, na mesma frase, o resultado: "suas mulheres desviaram o coração dele".
A maioria desses casamentos era política — cada aliança com um reino vizinho vinha com uma princesa e com os deuses dela. E , escrito séculos antes, tinha uma instrução específica para reis: "nem multiplicará para si mulheres, para que seu coração não se desvie". O texto usa exatamente as mesmas palavras da proibição ao descrever o que aconteceu.
Como isso aponta para Jesus
ContrasteSalomão constrói o templo e depois ergue altares a Camos e Moloque no monte em frente. Jesus diz, sobre si mesmo, "aqui está quem é maior do que o templo" e "aqui está quem é maior do que Salomão" — as duas frases estão em , a poucos versículos uma da outra. Apocalipse fecha a linha descrevendo uma cidade que não tem templo, "porque o Senhor Deus Todo-Poderoso é o seu templo".
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
O número é dado sem rodeios pelo texto, e o resultado também: essas mulheres desviaram o coração de Salomão. A maioria desses casamentos era política — cada aliança com um reino vizinho vinha com uma princesa e com os deuses dela —, e a lei que regia os reis de Israel já avisava, séculos antes, para evitar exatamente isso.
Não houve um momento único de virada: foi uma sequência de decisões que pareciam razoáveis, uma de cada vez, até que na velhice de Salomão o estrago já estava feito — não foi erro de juventude, mas resultado de uma vida inteira de acúmulo.
A pergunta que o texto deixa não é como alguém tão sábio pôde errar, mas por que a sabedoria não o protegeu: ela tinha uma finalidade específica, julgar bem o povo, e nunca foi garantia de bom caráter.
Contexto histórico
é a virada do reinado. Os dez capítulos anteriores são de esplendor: a sabedoria, o templo, a rainha de Sabá, o ouro, a paz.
O capítulo 11 abre com "porém o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras". E o texto lista as nações: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias, heteias — as mesmas sobre as quais Deus havia dito que não se casassem com elas, "certamente desviarão vosso coração atrás de seus deuses".
O que se segue não é abstrato. Salomão constrói lugares altos para Camos, deus de Moabe, e para Moloque, deus de Amom, no monte diante de Jerusalém. Astorete, dos sidônios, é adotada.
dá três proibições ao rei: não multiplicar cavalos, não multiplicar mulheres, não multiplicar prata e ouro. Salomão faz as três. O capítulo 10 registra os cavalos e o ouro em detalhe; o 11, as mulheres.
Aprofundamento
A prática do casamento diplomático era universal na região. Um tratado entre reinos incluía uma filha, e a filha trazia a corte dela, os sacerdotes dela e o culto dela. Os lugares altos que Salomão constrói são, nessa lógica, cláusulas de tratado.
É isso que torna o caso instrutivo: não há um momento de apostasia dramática. Há uma sequência de decisões razoáveis de política externa, cada uma com uma justificativa administrativa, e um deslizamento que o texto marca com uma expressão temporal — "e sucedeu que, na velhice de Salomão, suas mulheres inclinaram o seu coração".
Sobre os números, comentaristas divergem. Alguns os tomam literalmente; outros observam que "setecentas e trezentas" formam mil redondo, número que no hebraico frequentemente indica magnitude e não contagem exata. Cantares 6:8 menciona "sessenta rainhas e oitenta concubinas", o que alguns leem como referência a uma fase anterior. Nenhuma dessas observações altera o ponto: era um harém enorme, e o texto o condena.
O julgamento bíblico sobre Salomão é duplo e vale registrar as duas metades. Ele é o autor tradicional de Provérbios, Cantares e Eclesiastes, e o construtor do templo. E , séculos depois, o cita como advertência: "porventura não pecou nisto Salomão, rei de Israel? Ainda que entre muitas nações não houve rei semelhante a ele… todavia as mulheres estrangeiras o fizeram pecar".
A consequência é o fim do reino unido. Deus anuncia que rasgará o reino da mão dele, e o capítulo 12 narra a divisão entre norte e sul — a fratura que estrutura todo o resto do Antigo Testamento histórico.
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:A Bíblia aprova a poligamia porque Salomão era sábio.
O texto narra e condena: proíbe ao rei multiplicar mulheres com a mesma linguagem que usa para descrever o resultado, e cita o caso como advertência séculos depois.
Dizem que:Salomão pecou por amar mulheres.
O texto especifica o problema — os cultos que vieram com elas, e os altares que ele construiu para Camos, Moloque e Astorete. A acusação é idolatria, e o capítulo a detalha.
Dizem que:Os números são exagero de copista.
Não há evidência textual de corrupção. A discussão legítima é se "setecentas e trezentas" é contagem ou magnitude arredondada — e nenhuma das duas leituras muda a condenação.
Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura de deslizamento gradual
Cada casamento tinha razão diplomática, e o desvio se acumulou até a velhice. Sustentada pela marcação temporal do próprio texto e pelo contexto de tratados da região. É a leitura mais comum.
Leitura de violação direta da lei do rei
Salomão descumpre as três proibições de — cavalos, mulheres, ouro —, e os capítulos 10 e 11 documentam as três. Explica a estrutura narrativa; trata o processo como transgressão consciente desde o início.
No original3 termos
שָׂרוֹתsarot
"Princesas". O texto especifica que as setecentas eram de origem nobre — o que confirma o caráter diplomático dos casamentos.
הִטָּה לֵבhittah lev
"Desviar o coração". A expressão de é a mesma da proibição em , e a repetição é deliberada.
בָּמוֹתbamot
"Lugares altos". Os santuários que Salomão construiu para os deuses das esposas, no monte diante de Jerusalém.
O que fazer com isso
A pergunta que o capítulo levanta não é como alguém tão sábio errou. É por que a sabedoria não protegeu.
O texto sugere uma resposta na sequência: a sabedoria de Salomão foi pedida e dada num contexto específico — julgar o povo —, e nunca foi apresentada como imunidade. Ele sabia o que dizia. Provérbios inteiro é sobre não fazer o que ele fez.
E há o dado temporal, que é o mais desconfortável do capítulo: "na velhice de Salomão". Não foi um erro de juventude. Foi o fim de uma vida inteira de acúmulo, com cada peça entrando por uma razão defensável.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas3 obras
- Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
- Adam Clarke. Commentary on the Bible, 1810.
- Robert Jamieson, A. R. Fausset e David Brown. Commentary Critical and Explanatory, 1871.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Salomão se arrependeu?
O texto de 1 Reis não registra arrependimento. Eclesiastes, atribuído a ele pela tradição, é lido por muitos como balanço de fim de vida — mas a autoria e a datação do livro são discutidas, e essa leitura é inferência.
Por que Deus deu sabedoria a alguém que faria isso?
A sabedoria foi pedida para julgar o povo, e foi dada para isso. O texto não a apresenta em nenhum momento como garantia de conduta, e Provérbios — atribuído ao mesmo autor — insiste que o conhecimento precisa ser guardado, não apenas obtido.
Todos os reis de Israel tinham haréns?
Vários tinham, e o texto o registra sem elogio. Davi teve múltiplas esposas, e o capítulo 12 de 2 Samuel mostra as consequências dentro da casa dele. A narrativa bíblica documenta a prática e mostra o estrago dela repetidamente.