
Salmos 107:23-30: a tempestade que Deus acalmou
o que significa a tempestade no mar de salmos 107
Os que descem ao mar em navios, trabalhando em muitas águas, Esses veem as obras do SENHOR, e suas maravilhas nas profundezas. Porque quando ele fala, ele faz levantar tormentas de vento, que levanta suas ondas. Elas sobem aos céus, e descem aos abismos; a alma deles se derrete de angústia. Eles cambaleiam e vacilam como bêbados, e toda a sabedoria deles se acaba. Então eles clamaram ao SENHOR em suas angústias, e ele os tirou de suas aflições. Ele fez cessar as tormentas, e as ondas se calaram. Então se alegraram, porque houve calmaria; e ele os levou ao porto que queriam chegar.
Resposta curta
traz uma das cenas mais vívidas do Antigo Testamento: marinheiros no mar aberto que veem o SENHOR levantar um vento tempestuoso, fazendo o navio subir aos céus e descer aos abismos, até a alma deles se derreter de angústia. É a quarta de quatro cenas paralelas que estruturam o salmo — perdidos no deserto, presos em masmorras, doentes à beira da morte e agora marinheiros em pânico — todas seguindo o mesmo padrão: perigo extremo, clamor ao SENHOR e libertação.
Depois do clamor, o tom muda: a tempestade cessa, as ondas se calam e os marinheiros chegam ao porto que buscavam. O salmo não descreve um naufrágio histórico específico, mas usa o medo comum do mar para ensinar que o SENHOR governa até as forças mais incontroláveis da natureza, e responde a quem clama a ele em desespero.
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoO texto hebraico não faz nenhuma ligação explícita com Cristo — é uma cena de providência sobre marinheiros comuns. Mas ela participa de um tema que atravessa toda a Escritura: só o SENHOR governa o mar e o caos que ele representa (; ; ). Comentaristas notam que os evangelhos usam vocabulário muito próximo deste salmo quando narram Jesus acalmando uma tempestade no mar da Galileia: o vento cessa, sobrevém grande calmaria, e os discípulos perguntam 'quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?' (). O eco não é uma citação direta do salmo pelo Novo Testamento, mas uma leitura teológica bem estabelecida na tradição cristã: o mesmo poder que os marinheiros de reconhecem como exclusivo do SENHOR é atribuído a Jesus nos evangelhos, sugerindo que nele esse tema chega ao seu ponto mais alto.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Este trecho do Salmo 107 conta a história de marinheiros pegos numa tempestade forte no mar. As ondas sobem e descem com tanta força que o navio balança e os marinheiros cambaleiam como se estivessem bêbados de tanto medo. Sem saída, eles gritam por socorro a Deus. A tempestade para, o mar fica calmo, e o navio chega em segurança ao porto que eles queriam alcançar. É a quarta de quatro histórias parecidas no salmo, todas mostrando que Deus ouve quem clama a ele em desespero, esteja no deserto, na prisão, doente ou perdido no mar.
Contexto histórico
O Salmo 107 abre o quinto e último livro do Saltério com um convite: "Agradeçam ao SENHOR, porque ele é bom" (v.1), dirigido aos "redimidos do SENHOR", reunidos "das terras, do oriente e do ocidente, do norte e do sul" (v.2-3) — uma linguagem que sugere um cenário pós-exílico, de pessoas que voltaram de situações de perigo e dispersão para celebrar em comunidade. A partir do versículo 4, o salmo organiza sua mensagem em quatro cenas paralelas de resgate: peregrinos perdidos no deserto (v.4-9), prisioneiros acorrentados na escuridão (v.10-16), doentes à beira da morte por sua própria rebeldia (v.17-22) e, por fim, marinheiros em alto-mar (v.23-30), a nossa passagem. Cada cena segue a mesma estrutura fixa: descrição do perigo, o refrão "então clamaram ao SENHOR em suas angústias, e ele os livrou/tirou de suas aflições", e um convite para agradecer publicamente pela bondade de Deus. Essa repetição não é enfeite poético: é a estrutura que sustenta o argumento do salmo inteiro, cada vez mais intensa, até culminar na cena mais dramática, a do mar.
A cena dos marinheiros reflete uma realidade concreta do mundo antigo: viajar por mar era considerado uma das experiências mais perigosas que uma pessoa comum podia enfrentar, sujeita a tempestades repentinas e sem qualquer controle humano sobre o resultado. Comentaristas como Derek Kidner e John Goldingay observam que o salmista escolhe deliberadamente marinheiros profissionais — pessoas cujo ofício era justamente saber lidar com o mar — para mostrar que mesmo toda a perícia humana ("toda a sabedoria deles se acaba", v.27) não é páreo para uma tempestade enviada por Deus. O contraste também é teológico: em vários mitos do Antigo Oriente Próximo, o mar era associado a divindades rivais ou forças caóticas hostis; o salmo, como outros textos hebraicos, afirma que é o próprio SENHOR quem levanta e acalma as ondas, sem disputa com nenhum outro poder.
Aprofundamento
A cena de é construída com um cuidado literário notável. O movimento começa com uma descrição profissional e neutra — "os que descem ao mar em navios, trabalhando em muitas águas" (v.23) — antes de virar terror puro. O verbo usado para a tempestade (v.25) mostra que ela não é um acidente da natureza: "quando ele fala, ele faz levantar tormentas de vento". A tempestade é resposta direta à palavra do SENHOR, o mesmo Deus que, no restante do salmo, também envia cura e livramento a outros grupos em perigo. O versículo seguinte usa um merismo — "sobem aos céus, e descem aos abismos" — para descrever o movimento violento e descontrolado do navio nas ondas, e conclui com uma imagem física intensa: "a alma deles se derrete de angústia" (v.26), expressão hebraica para o colapso total da coragem e da força interior diante do perigo extremo.
O ápice da descrição vem no versículo 27: marinheiros experientes, que passam a vida no mar, "cambaleiam e vacilam como bêbados", e "toda a sabedoria deles se acaba". Não é embriaguez literal — é a imagem de pessoas fisicamente incapazes de se manter em pé, tontas de exaustão e pavor, cujo conhecimento técnico do ofício simplesmente deixa de servir para alguma coisa. O ponto retórico é claro: diante do poder de Deus sobre o mar, nem a maior perícia humana resolve o problema — um detalhe que Derek Kidner destaca como o clímax proposital das quatro cenas do salmo, já que marinheiros profissionais são, entre os quatro grupos socorridos, os mais preparados tecnicamente e ainda assim os mais impotentes diante da crise.
A virada chega sem transição gradual: "então eles clamaram ao SENHOR em suas angústias, e ele os tirou de suas aflições" (v.28) — o mesmo refrão que aparece nas outras três cenas do salmo (v.6, 13, 19). O verbo usado para acalmar a tempestade (v.29) descreve uma transformação total, do caos ao silêncio: "ele fez cessar as tormentas, e as ondas se calaram". Comentaristas como Hans-Joachim Kraus notam que essa passagem do caos para a calmaria repete, em miniatura, o tema mais amplo da Escritura de Deus dominando as águas caóticas — presente já em e em , onde o SENHOR "põe limites" ao mar. O salmo termina com a chegada ao "porto que queriam chegar" (v.30): não apenas sobrevivência, mas o cumprimento do propósito da viagem, seguido do convite, nos versículos finais, para que essa gente agradeça publicamente pela bondade recebida.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:O trecho narra um naufrágio histórico específico, talvez ligado a algum profeta ou apóstolo.
O salmo não nomeia nenhuma pessoa nem evento; é uma cena típica e generalizada sobre marinheiros em perigo, usada para ilustrar um princípio mais amplo do salmo, não um relato de um naufrágio determinado.
Dizem que:"Cambaleiam como bêbados" (v.27) significa que os marinheiros estavam realmente embriagados durante a viagem.
É uma comparação poética para descrever a perda de equilíbrio físico e mental causada pelo terror e pela exaustão extremos, não uma afirmação sobre consumo de bebida alcoólica.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
catolica-ortodoxa
Tradições litúrgicas mais antigas, incluindo leituras patrísticas, frequentemente enxergam a tempestade acalmada como figura das tribulações da alma que só se aquietam sob a ação de Deus, lendo o salmo em continuidade direta com relatos evangélicos de Cristo dominando o mar, dentro de uma leitura cristocêntrica de todo o saltério.
reformada-evangelica
Tende a enfatizar primeiro o sentido histórico e literal do texto — marinheiros reais, perigo real, providência real — como paradigma da soberania de Deus sobre a criação, tratando a ressonância com os evangelhos como eco literário significativo, mas evitando transformar cada detalhe da cena (as ondas, o porto, o cambalear) em símbolo espiritual independente.
pentecostal-carismatica
Costuma destacar o padrão de clamor-e-resposta como modelo aplicável hoje: assim como os marinheiros gritaram em desespero e foram atendidos, o texto é lido como convite a orar com a mesma urgência diante de qualquer crise, com expectativa de intervenção concreta de Deus na vida presente.
No original4 termos
יָםyamH3220
mar; o vasto corpo de água que, na cosmovisão hebraica antiga, representava um domínio poderoso e imprevisível, apenas sob o controle de Deus.
סְעָרָהse'arah
tempestade, vento violento; a mesma palavra usada para descrever grandes tormentas em outros textos hebraicos.
שִׁכּוֹרshikkor
bêbado; aqui usado em comparação, para descrever o cambalear descontrolado dos marinheiros tomados de pânico.
דְּמָמָהdemamah
calmaria, silêncio absoluto; descreve o estado do mar depois que a tempestade cessa por completo.
O que fazer com isso
O texto não promete que toda tempestade da vida vai passar exatamente como a gente quer, mas mostra algo real sobre o clamor sincero: não era preciso fé perfeita ou palavras bonitas para os marinheiros gritarem por socorro — eles estavam apavorados, sem controle e sem solução própria, e foi esse desespero, não uma virtude especial, que os levou a clamar. Reconhecer o próprio limite, em vez de insistir em resolver tudo sozinho até não haver mais saída, costuma ser o passo que precede qualquer alívio.
Passagens relacionadas10
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas3 obras
- Derek Kidner. Psalms 73-150 (Tyndale Old Testament Commentaries), 1975.
- John Goldingay. Psalms, Volume 3: Psalms 90-150 (Baker Commentary on the Old Testament Wisdom and Psalms), 2008.
- Hans-Joachim Kraus. Psalms 60-150: A Commentary, 1989.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Esse trecho descreve um naufrágio histórico específico, como o de algum personagem bíblico?
Não. O salmo não nomeia nenhum evento ou pessoa; é uma cena representativa, escrita para descrever a experiência comum de qualquer marinheiro que enfrentasse uma tempestade no mar antigo. Ela funciona como exemplo geral, não como relato de um episódio específico.
Por que os marinheiros são comparados a bêbados no versículo 27?
A comparação descreve o cambalear descontrolado de pessoas exaustas e apavoradas, incapazes de se manter em pé com a firmeza normal. Não indica que estivessem embriagados, mas que tinham perdido toda a capacidade física e mental de reagir à situação.
Existe alguma relação entre este salmo e Jesus acalmando a tempestade nos evangelhos?
Sim, muitos comentaristas apontam uma semelhança forte de linguagem e cena entre e . O Novo Testamento não cita o salmo diretamente, mas a tradição cristã lê essa semelhança como um sinal de que Jesus exerce a mesma autoridade sobre o mar que o texto atribui ao SENHOR.
Quais são as outras três cenas de resgate do Salmo 107?
Peregrinos perdidos no deserto (versículos 4 a 9), prisioneiros presos na escuridão (versículos 10 a 16) e pessoas gravemente doentes, à beira da morte (versículos 17 a 22). A cena dos marinheiros, no fim, é a quarta e última.