
O beemote de Jó 40 era um dinossauro?
Que animal é o beemote descrito por Deus?
Eis que sua força está em seus lombos, e seu poder na musculatura de seu ventre. Ele torna sua cauda dura como o cedro, e os nervos de suas coxas são entretecidos. Seus ossos são como tubos de bronze; seus membros, como barras de ferro.
Resposta curta
A palavra hebraica *behemot* é o plural de "animal", usado como intensivo — algo como "a besta das bestas", o animal por excelência.
A descrição tem elementos que apontam para o hipopótamo: força nos lombos, deitar-se entre juncos e lótus, e um rio que sobe sem que ele se assuste. E tem um elemento que não encaixa: a cauda "dura como o cedro".
É nesse detalhe que se apoia a leitura de que seria um saurópode, e é ele que a leitura do hipopótamo precisa explicar como hipérbole.
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO discurso apresenta criaturas que ninguém domina para reposicionar Jó diante de quem as fez. diz que "nele foram criadas todas as coisas", e Marcos registra a reação dos discípulos quando o vento e o mar obedecem: "quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?". A pergunta que provoca recebe, ali, uma resposta em forma de pessoa.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
Quase todo mundo entende que esse animal gigante era um hipopótamo: vive na água, come plantas, se esconde entre juncos. Só um detalhe não encaixa — um rabo duro como um tronco de árvore. Por isso alguns defendem que era um bicho extinto, tipo um dinossauro, mas essa ideia esbarra num problema sério: não há nenhum fóssil desse tipo de animal na época em que Jó viveu. A explicação mais aceita é que o detalhe do rabo é só um exagero poético.
O ponto do capítulo, porém, não é de zoologia. Deus mostra a Jó um bicho enorme que não criou nem controla, e diz antes: 'observe esse animal, que eu fiz junto com você'. Jó e o bicho estão no mesmo nível — os dois foram criados. Deus não está brigando com Jó; está mostrando, com orgulho, o que fez.
Contexto histórico
O beemote e o leviatã fecham o discurso de Deus a Jó. Depois de perguntas sobre estrelas, chuva, leões e avestruzes, dois animais recebem capítulos inteiros.
A introdução é notável: "observa o beemote, ao qual eu fiz contigo". A criatura é apresentada como colega de criação — feita junto com Jó.
O argumento é o mesmo do leviatã, e é sobre escala. Jó havia exigido uma audiência para discutir a administração do mundo; Deus lhe mostra um animal que ele não domina.
Os versículos seguintes descrevem o habitat: ele se deita sob as sombras, entre juncos e lodo, e "eis que um rio transborda, e ele não se apressa; confia ainda que o Jordão salte até a sua boca".
A cena é claramente aquática e fluvial.
Aprofundamento
Os argumentos a favor do hipopótamo são vários e convergentes.
O habitat descrito é ribeirinho, entre juncos e lótus — plantas de várzea. O animal come erva como o boi, o que corresponde a um herbívoro. A força nos lombos e no ventre corresponde à anatomia. E o versículo 24 fala de capturá-lo pelos olhos e furar-lhe o nariz com laços, o que descreve técnicas de caça documentadas no Egito antigo.
O problema é a cauda. "Ele torna sua cauda dura como o cedro" não descreve o rabo curto de um hipopótamo.
As respostas dessa leitura são duas: a palavra *zanav* pode designar a extremidade traseira de modo geral, e a comparação com o cedro seria hipérbole poética — recurso que o mesmo discurso usa ao descrever o cavalo de guerra "engolindo a terra".
A leitura do saurópode se apoia justamente nesse versículo, e ela enfrenta uma dificuldade cronológica grande: não há registro fóssil de saurópodes contemporâneos a qualquer datação proposta para Jó.
Uma terceira leitura entende o beemote como figura mítica do caos terrestre, par do leviatã aquático — leitura que se apoia em literatura judaica posterior, onde os dois aparecem como criaturas primordiais.
O argumento contra: o texto os apresenta como criaturas feitas por Deus e observáveis, e o versículo 15 diz explicitamente "ao qual eu fiz contigo".
A maioria dos comentaristas adota o hipopótamo, com a cauda tratada como hipérbole. É a leitura que exige menos ajustes no conjunto da descrição.
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:A Bíblia descreve dinossauros em Jó 40.
A leitura se apoia num único detalhe — a cauda como cedro — contra vários que apontam para o hipopótamo. E enfrenta uma dificuldade cronológica grande, já que não há registro fóssil compatível com qualquer datação de Jó.
Dizem que:"Beemote" é o nome próprio de uma criatura.
A palavra é o plural de "animal", usada como intensivo — "a besta das bestas". Não é nome próprio no hebraico.
Dizem que:O capítulo trata de zoologia.
Os dois animais fecham um discurso sobre escala e sobre a limitação de Jó para julgar a administração do mundo. A descrição serve ao argumento.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Hipopótamo
Habitat ribeirinho, dieta herbívora, anatomia e técnicas de caça correspondem. A cauda é lida como hipérbole. É a leitura majoritária.
Animal extinto
A cauda como cedro descreveria um saurópode. Sustentada em círculos que leem a cronologia de Gênesis de forma estrita; enfrenta o registro fóssil.
Figura do caos terrestre
Par mítico do leviatã, apoiada em literatura judaica posterior. Enfrenta o versículo 15, que apresenta a criatura como feita e observável.
No original3 termos
בְּהֵמוֹתbehemot
Plural de *behemah*, "animal", usado como intensivo — "a besta das bestas". Não é nome próprio.
זָנָבzanav
"Cauda". Pode designar também a extremidade traseira de modo geral, o que sustenta a leitura de hipérbole.
רֵאשִׁית דַּרְכֵי־אֵלreshit darkhe-El
"O principal das obras de Deus". A expressão do versículo 19, que dá ao animal um lugar de destaque na criação.
O que fazer com isso
A frase de abertura é a mais interessante do trecho: "observa o beemote, ao qual eu fiz contigo".
Jó e o animal são colocados no mesmo plano — os dois foram feitos.
O discurso inteiro de Deus opera assim. Ele não responde à pergunta de Jó; mostra um mundo cheio de coisas que Jó não fez, não controla e não entende, e o coloca dentro desse mundo em vez de acima dele.
E há o tom. Deus descreve o animal com evidente admiração — "ele é o principal das obras de Deus". Não é uma repreensão fria; é alguém mostrando o que fez.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas3 obras
- Adam Clarke. Commentary on the Bible, 1810.
- John Gill. Exposition of the Entire Bible, 1748.
- Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch. Biblical Commentary on the Old Testament, 1866.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
E o leviatã do capítulo seguinte?
A leitura mais difundida é o crocodilo do Nilo, e as mesmas três famílias de interpretação se aplicam. Os dois animais formam um par que fecha o discurso.
Por que Deus escolheu esses dois animais?
O texto não explica. A leitura mais comum é que são os dois maiores e mais indomáveis conhecidos na região — um terrestre, outro aquático —, e servem ao argumento sobre escala.
A Bíblia menciona dinossauros em algum lugar?
Nenhuma passagem descreve inequivocamente um animal extinto. As palavras traduzidas por "dragão" cobrem serpentes, monstros marinhos e crocodilos, e nenhuma corresponde a uma espécie identificável.
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