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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Textos eticamente difíceis

O que Levítico 20:13 diz, e como ler a pena prescrita no contexto da lei de Israel?

O que Levítico 20:13 realmente diz sobre relações entre homens, e a pena de morte vale para cristãos hoje?

Qualquer um que se deitar com homem como se fosse com mulher, fizeram abominação entre ambos; terão de ser mortos; seu sangue será sobre eles.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

proíbe que um homem se deite com outro “como se deita com mulher”, chama o ato de abominação e prescreve a morte para os dois. É um dos versículos mais citados em debates contemporâneos e um dos mais difíceis de ler com honestidade, porque junta uma proibição moral a uma pena severa. Este verbete não tenta suavizar o texto. Ele explica onde o versículo está dentro do Código de Santidade ( a 26), o que a pena significava na lei civil do antigo Israel, como as principais tradições cristãs distinguem entre a proibição e a pena, o que o Novo Testamento retoma e o que não retoma, e quais pontos permanecem em debate entre os estudiosos.

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O versículo não menciona Cristo nem tem tipologia reconhecida. A relação com o Novo Testamento é indireta: a forma como Jesus lida com as penas capitais da Lei, como no episódio da mulher apanhada em adultério, mostra que o julgamento final pertence a Deus e que a igreja não recebe a tarefa de executar essas sentenças.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

proíbe um homem de se deitar com outro homem como com uma mulher e prescreve a morte para os dois. O versículo faz parte da lei de Israel como nação, em que o culto e as leis civis eram um só sistema. Os cristãos leem de formas diferentes: muitos veem uma proibição moral que continua, mas ninguém na igreja está encarregado de aplicar a pena. Os estudiosos ainda debatem alguns detalhes.

Contexto histórico

a 26 é chamado de Código de Santidade porque repete o refrão “sede santos, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (19:2). Esses capítulos reúnem leis sobre sacrifício, relações sexuais, justiça social, festas e o culto, tudo apresentado como o modo de um povo escolhido viver diferente das nações ao redor. O capítulo 18 lista as relações sexuais proibidas e o versículo 22 trata do ato entre homens com a mesma formulação do 20:13, mas sem pena. Já o capítulo 20 retoma essa lista e acrescenta as punições, começando pela oferta de filhos a Moloque (20:1-5) e seguindo com a consulta a médiuns e o desrespeito aos pais. A pena de morte aparece, no mesmo capítulo, para o adultério (20:10), o incesto (20:11-12), a prática de sexo com animais (20:15-16) e o ato do versículo 13. Em todos esses casos, a fórmula “o seu sangue será sobre eles” indica que a responsabilidade pela morte recai sobre quem cometeu o ato. O capítulo explica a razão: Israel não devia andar nos costumes das nações que o SENHOR lançaria fora, e a terra que “vomita” seus habitantes por causa dessas práticas (20:22-24) é o horizonte de todo o conjunto. O objetivo geral é declarado em 18:3: Israel não devia agir segundo os costumes do Egito, de onde saíra, nem segundo os de Canaã, para onde ia, e algumas dessas proibições alcançam também o estrangeiro que vive entre o povo (18:26). Ou seja, o texto apresenta essas leis dentro de um quadro de aliança e de pureza da comunidade, não como uma lista de regras privadas. é dirigido a homens, e a Lei não traz proibição equivalente para relações entre mulheres. O versículo também nada diz sobre desejo, inclinação ou identidade, e sim sobre um ato específico, descrito com uma expressão idiomática (“deitar-se com um homem como se deita com mulher”).

Aprofundamento

O primeiro ponto é o que o texto afirma. O versículo chama o ato de tô’ēbâ, palavra geralmente traduzida por abominação, usada na Lei para o que viola a ordem de pureza e de culto do povo (por exemplo, a idolatria e certas práticas alimentares e sexuais). A prescrição é mōt yûmāt, “certamente será morto”, e a pena vale para os dois participantes. O segundo ponto é como a pena funcionava. Era parte da lei civil do Israel antigo, um Estado em que o culto, a ética e o direito eram o mesmo sistema. Os estudiosos observam que as narrativas bíblicas não registram um caso de execução por esse delito e que, para outros crimes capitais, os textos exigem testemunhas e processo (). Jacob Milgrom, no comentário de a 22, defende que a lei trata de atos físicos e de seus efeitos sobre a pureza da comunidade, e que ela opera como proibição para os homens israelitas. O terceiro ponto é como cristãos leem o versículo. A tradição cristã clássica distingue entre a lei civil e judicial de Israel, que teria perdido o efeito com o fim da teocracia, e a lei moral, que permanece. Nessa chave, a pena não é aplicada hoje, mas a proibição seria reafirmada no Novo Testamento (; ). Outros leitores cristãos e estudiosos sustentam que Levítico trata de práticas ligadas ao contexto cultual e cultural cananeu, ou que o conceito moderno de orientação sexual não existe no texto, e por isso questionam a aplicação direta da proibição. Autores como Richard Hays, em The Moral Vision of the New Testament, argumentam que o Novo Testamento sustenta a proibição, enquanto outros discordam. Nenhuma dessas posições é neutra, e é honesto reconhecer que cristãos sérios discordam sobre a aplicação. O quarto ponto é a postura do próprio Novo Testamento diante das penas capitais da Lei. Em , Jesus é confrontado com uma mulher apanhada em adultério, delito punido com a morte em , e responde de forma que impede a execução, sem declarar a lei abolida. Em , Paulo trata de um caso de imoralidade sexual com a exclusão da comunhão, e não com a morte. Em nenhum texto do Novo Testamento a igreja recebe a tarefa de aplicar penas civis. O versículo, portanto, permanece como parte da Lei dada a Israel e se lê dentro desse quadro. Em síntese, ele diz com clareza o que proíbe e qual era a sanção legal em Israel; o que não diz, e que é objeto de debate, é como essa regra se aplica fora do quadro de aliança em que foi dada.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Levítico 20:13 ordena que cristãos de hoje matem pessoas por essa razão.

    A pena pertencia à lei civil do antigo Israel, uma nação em que o direito e o culto formavam um só sistema. O Novo Testamento não dá à igreja a tarefa de aplicar penas civis, e as tradições cristãs em geral distinguem entre a lei civil de Israel e os princípios morais que continuam.

  • Dizem que:Levítico trata da orientação sexual como a entendemos hoje.

    O versículo descreve um ato (“deitar-se com um homem como se deita com mulher”), e não desejo ou identidade. O conceito moderno de orientação sexual não existe na Lei, e por isso o debate sobre aplicar o texto a essa categoria é uma questão de interpretação posterior, e não algo que o versículo afirme.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura moral clássica

    A proibição expressa um princípio moral permanente sobre a sexualidade, reafirmado em e , enquanto a pena capital pertencia à lei civil de Israel, que não se aplica à igreja.

  • Leitura contextual

    Alguns estudiosos e igrejas entendem que a proibição se refere a práticas ligadas ao contexto cultual cananeu ou a atos específicos, e questionam sua aplicação direta ao conceito moderno de orientação sexual e a relacionamentos estáveis.

  • Leitura da pureza (Milgrom)

    Jacob Milgrom lê o Código de Santidade como um sistema que protege a pureza da terra e do povo, em que o ato proibido polui a terra, e que a lei vale como norma dirigida à comunidade de Israel.

No original3 termos
  • תּוֹעֵבָהtô’ēbâH8441

    Abominação; o que viola a ordem de pureza e de culto exigida de Israel, usada em Levítico para práticas sexuais e idólatras.

  • מוֹת יוּמָתוּmōt yûmātû

    Construção hebraica de ênfase (“certamente serão mortos”), que indica a pena capital da lei civil de Israel.

  • דְּמֵיהֶם בָּםdĕmêhem bām

    “O seu sangue está sobre eles”; fórmula legal que atribui aos culpados a responsabilidade pela própria morte.

O que fazer com isso

Ler com seriedade significa evitar duas fugas: fingir que o texto não diz o que diz, ou usá-lo como arma contra pessoas. O versículo pertence a uma lei civil para Israel, e o Novo Testamento nunca instrui a igreja a aplicar penas. Quem o cita hoje deve distinguir o que a Escritura afirma, o que as tradições debatem e o modo como cada pessoa deve ser tratada.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • Jacob Milgrom. Leviticus 17–22 (Anchor Bible), 2000.
  • Gordon J. Wenham. The Book of Leviticus (NICOT), 1979.
  • Richard B. Hays. The Moral Vision of the New Testament, 1996.
  • Mark F. Rooker. Leviticus (New American Commentary), 2000.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

A pena de Levítico 20:13 ainda vale?

As principais tradições cristãs entendem que as penas civis do antigo Israel não se aplicam à igreja, que não recebe do Novo Testamento a tarefa de executá-las. Elas divergem sobre o que continua como princípio moral, mas concordam que a pena em si pertencia à lei civil de Israel.

Por que o capítulo 18 e o 20 tratam do mesmo assunto?

O capítulo 18 lista as relações proibidas e o capítulo 20 repete boa parte da lista e acrescenta as penas. O versículo 18:22 enuncia a proibição do ato entre homens sem pena; o 20:13 repete a proibição e prescreve a morte.

Temas

  • #levitico
  • #codigo-de-santidade
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  • #pena-de-morte
  • #etica-sexual
  • #toevah
  • #lei-de-moises

Publicado em 01/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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