
Quem reina mil anos com Cristo na "primeira ressurreição"?
O que é a primeira ressurreição de Apocalipse 20 e quem reinará mil anos com Cristo?
E eu vi tronos, e se assentaram sobre eles, e foi concedido a eles o julgamento; e eu vi as almas daqueles que tinham sido degolados por causa do testemunho de Jesus, e por causa da palavra de Deus; e que não tinham adorado à besta, nem à imagem dela; e que não receberam a marca dela sobre suas testas, e sobre suas mãos; e eles viveram e reinaram com Cristo por mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, enquanto não se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bendito e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes a segunda morte não tem poder; mas sim, eles serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e com ele reinarão por mil anos.
Resposta curta
fala de tronos, de pessoas a quem foi dado julgar, das almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus e dos que não adoraram a besta. Eles viveram e reinaram com Cristo mil anos, e isso é chamado de primeira ressurreição. Os demais mortos só reviveram depois dos mil anos. O texto é a base das três grandes posições sobre o milênio. Para o premilenismo, é um reinado literal depois da volta de Cristo; para o amilenismo, descreve a vida dos fiéis com Cristo agora, na era da igreja; para o pós-milenismo, um período de domínio do evangelho antes do retorno. O ponto comum é que os tronos pertencem aos que permaneceram fiéis a Cristo, e a segunda morte não tem poder sobre eles.
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoCristo é o Rei com quem os fiéis reinam e a primeira ressurreição depende da sua própria. Paulo ensina que Cristo é as primícias dos que dormem e que cada um ressuscita em sua ordem. A promessa de reinar com ele culmina uma trajetória que começa com o Filho do Homem de , que recebe o reino junto com os santos, e se cumpre em quem permanece fiel.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
diz que os que foram fiéis a Cristo, até a morte, reinam com ele durante mil anos, e chama isso de primeira ressurreição. As igrejas discordam sobre o que isso significa. Uns esperam um reinado literal de mil anos depois da volta de Jesus. Outros entendem que os mil anos simbolizam o tempo atual da igreja e que a primeira ressurreição é a vida do fiel com Cristo. Todos concordam que quem pertence a ele não sofrerá a segunda morte.
Contexto histórico
vem depois da vitória do Cavaleiro de cavalo branco sobre a besta e o falso profeta (19:11-21). Ali um anjo desce do céu, prende Satanás por mil anos no abismo e o impede de enganar as nações (20:1-3). Em seguida, nos versículos 4 a 6, João descreve o que vê: tronos, pessoas assentadas sobre eles com poder de julgar, e as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Esses não adoraram a besta nem sua imagem, nem receberam a marca na testa ou na mão. Eles viveram, ou voltaram à vida, e reinaram com Cristo durante mil anos. Os outros mortos não viveram até que os mil anos se completassem. Esta, diz o texto, é a primeira ressurreição. O versículo 6 acrescenta uma bem-aventurança: feliz e santo quem tem parte na primeira ressurreição, sobre esses a segunda morte não tem poder, e serão sacerdotes de Deus e de Cristo, reinando com ele os mil anos. Depois vêm a soltura de Satanás, a batalha final e o juízo diante do grande trono branco (20:7-15). A expressão mil anos, como período de reinado, aparece seis vezes nesse trecho e em nenhum outro lugar do Novo Testamento. Por isso, a discussão não é sobre um ensino espalhado por toda a Bíblia, mas sobre como ler um texto singular dentro de um livro cheio de símbolos e números. O pano de fundo literário é o de , onde tronos são postos, o juízo é dado aos santos do Altíssimo e estes recebem o reino (7:9, 22, 27). A promessa de reinar com Cristo já havia aparecido nas cartas às sete igrejas (2:26-27; 3:21) e na canção do Cordeiro, em que os remidos são feitos reino e sacerdotes (5:10). A segunda morte, mencionada em 2:11 como algo que o vencedor não sofrerá, é explicada em 20:14 como o lago de fogo.
Aprofundamento
As perguntas centrais são quem ocupa os tronos, o que é a primeira ressurreição e quando são os mil anos. O versículo 4 menciona pelo menos dois grupos: os que se assentam nos tronos e as almas dos mártires e dos que recusaram a besta. Muitos entendem que se trata do mesmo grupo, os fiéis de Cristo, e que a promessa de reinar com ele se cumpre neles. Outros leem dois grupos, com os tronos para os santos em geral e os mártires em destaque. Em e em , os santos julgam, o que sustenta a ideia de que os ocupantes dos tronos são o povo de Cristo. Quanto à primeira ressurreição, o verbo grego ezesan, viveram, aparece duas vezes: no versículo 4, sobre os fiéis, e no 5, sobre os demais mortos, que não viveram até se completarem os mil anos. Quem lê o primeiro ezesan como ressurreição corporal sustenta que o mesmo verbo exige o mesmo sentido, e vê aqui o premilenismo histórico, com um reinado literal depois da volta de Cristo, e uma segunda ressurreição para o juízo, em linha com . O amilenismo é a posição de Agostinho, em A Cidade de Deus, livro 20, que via a primeira ressurreição como a renovação espiritual do crente, e de comentaristas como Anthony Hoekema e G. K. Beale, que a ligam à vida dos fiéis com Cristo depois da morte, ficando a segunda ressurreição, a corporal, para o fim dos tempos. Para eles, os mil anos simbolizam a era entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, e a prisão de Satanás significa a limitação do seu poder de enganar as nações pelo evangelho. O pós-milenismo vê o milênio como uma era longa de expansão do cristianismo antes da volta de Cristo. O dispensacionalismo clássico, por sua vez, liga o reinado ao retorno de Cristo depois de um arrebatamento e de uma tribulação, algo que o texto de não menciona. Nenhuma posição elimina todas as dificuldades. A premilenista precisa explicar como o reinado terreno convive com a nova criação de . A amilenista precisa explicar por que o mesmo verbo teria sentidos diferentes. Convém lembrar que a igreja antiga já se dividia: autores como Justino e Irineu foram premilenistas, e Orígenes e depois Agostinho resistiram à leitura literal. Convém aceitar que cristãos sérios discordam aqui, sem tratar o desacordo como teste de fé. Em comum, todos afirmam a vitória de Cristo, a ressurreição dos mortos e o juízo final.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:A Bíblia ensina com clareza, em muitos lugares, um reinado literal de mil anos na terra.
O período de mil anos como reinado aparece só em . As demais passagens usadas para sustentar um milênio são interpretadas de modos diferentes. Cristãos de todas as épocas, inclusive Agostinho, leram o trecho de maneira simbólica, e a discordância existe desde a igreja primitiva.
Dizem que:A primeira ressurreição é o arrebatamento da igreja.
O texto de não menciona arrebatamento. Fala de mártires, de fiéis que recusaram a besta e de uma ressurreição seguida de reinado com Cristo. A ligação com o arrebatamento é uma dedução de certos sistemas, não afirmação do versículo.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Premilenismo (histórico e dispensacional)
Cristo volta antes do milênio, os fiéis ressuscitam corporalmente na primeira ressurreição e reinam com ele mil anos literais; os demais mortos ressuscitam depois, para o juízo. O dispensacionalismo acrescenta um arrebatamento e uma tribulação.
Amilenismo (Agostinho, reformados, católicos)
Os mil anos simbolizam a era da igreja, entre a primeira e a segunda vinda. A primeira ressurreição é a vida espiritual dos fiéis com Cristo, no novo nascimento ou na glória após a morte.
Pós-milenismo
O reino de Cristo avança pelo evangelho até uma longa era de justiça e paz, e depois ele volta. O período dos mil anos é entendido como longo, mas não necessariamente literal.
No original3 termos
ἔζησανezesanG2198
Viveram, voltaram à vida (do verbo zao). O sentido do verbo nos versículos 4 e 5 é decisivo para saber se a primeira ressurreição é corporal.
ἀνάστασιςanastasisG386
Ressurreição, o ato de se levantar dos mortos. O adjetivo primeira a distingue da ressurreição dos demais mortos.
χίλια ἔτηchilia ete
Mil anos. Expressão numérica que pode ser entendida de modo literal ou simbólico, como outros números do livro.
O que fazer com isso
Mais do que montar um calendário, o texto mostra o destino dos que perseveram: quem pareceu perder, até a vida, por não se curvar à besta, aparece reinando com Cristo. Para quem enfrenta perdas por ser fiel, é consolo. Para quem discute o milênio, é um lembrete de manter a humildade e a caridade nas diferenças, mantendo o foco na esperança comum.
Passagens relacionadas5
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas5 obras
- Agostinho de Hipona. A Cidade de Deus (livro 20).
- G. K. Beale. The Book of Revelation (New International Greek Testament Commentary), 1999.
- Anthony A. Hoekema. The Bible and the Future, 1979.
- Darrell L. Bock (org.). Three Views on the Millennium and Beyond, 1999.
- Craig L. Blomberg e Sung Wook Chung (orgs.). A Case for Historic Premillennialism, 2009.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quantas vezes aparece a expressão mil anos no Novo Testamento?
Seis vezes, todas em a 7, e sempre sobre o período do reinado e da prisão de Satanás. É um ponto pelo qual muitos pedem cautela ao construir sistemas completos a partir dela.
O que é a segunda morte?
Segundo , é o lago de fogo, para onde são lançados a morte, o Hades e os que não estão inscritos no livro da vida. Quem tem parte na primeira ressurreição não sofre seu poder.
Todos os cristãos entendem o milênio da mesma forma?
Não. Premilenistas, amilenistas e pós-milenistas leem o texto de maneiras diferentes, e a divergência é antiga. Todos afirmam a volta de Cristo, a ressurreição e o juízo final.
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