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Significado Bíblico
Patriarcaintermediária

Simeão

Quem foi Simeão na Bíblia e o que ele fez?

Ficha do personagem

Patriarcas, cerca de 1900-1800 a.C.

Aparece em

Relações

  • filho de Jacó
  • filho de Lia
  • irmão de Diná
  • irmão de (co-autor da vingança em Siquém) Levi
  • irmão de (que o manteve refém no Egito) José
  • irmão mais velho de Rúben

Resposta curta

Simeão foi o segundo filho de Jacó e Lia, nascido em Padã-Arã enquanto a família ainda servia ao tio Labão. Seu nome liga-se ao verbo hebraico "ouvir": ao anunciá-lo, Lia disse que o Senhor tinha "ouvido" sua rejeição no lar poligâmico de Jacó (). Como um dos doze filhos do patriarca, Simeão daria nome a uma tribo de Israel, mas a Bíblia o lembra sobretudo por um episódio de violência extrema.

Quando Siquém violentou sua irmã Diná, Simeão e o irmão Levi enganaram os homens da cidade — exigindo a circuncisão como condição de aliança — e os mataram enquanto se recuperavam (). Anos depois, José o reteve como refém no Egito (), e Jacó, perto da morte, condenou a ira e a crueldade dos dois irmãos, anunciando que seriam dispersos dentro de Israel ().

Onde ele aparece

O nome

Simeãoo Senhor ouviu (do hebraico shama, "ouvir"), com o texto de Gênesis 29:33 explicando o nome pela fala de Lia: "o Senhor ouviu que eu era desprezada"

Significado, origem e variantes →

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

A tribo de Simeão, condenada por Jacó à dispersão e sem uma herança territorial contínua, poderia parecer riscada do mapa das promessas feitas a Israel. Mas o Novo Testamento não a esquece: no Apocalipse, quando João descreve o povo de Deus selado ao final dos tempos, Simeão volta a aparecer, lado a lado com as outras onze tribos, entre os que pertencem ao Cordeiro. O fio que atravessa a Escritura — de tribos fragmentadas e dispersas por causa do pecado a um povo reunido e completo — encontra em Cristo o ponto em que a fratura da família de Jacó é reparada, e nenhuma das doze linhagens fica de fora.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Simeão foi o segundo filho de Jacó, um dos doze patriarcas que deram origem às tribos de Israel. Ele ficou conhecido principalmente por um ato de violência: junto com o irmão Levi, matou os homens de uma cidade inteira para vingar o estupro da irmã Diná. Anos depois, foi mantido refém no Egito pelo próprio irmão José. No fim da vida, o pai Jacó o repreendeu duramente por sua crueldade, e a tribo que carregou seu nome nunca teve um território de destaque só para si.

O mundo dele

Simeão nasceu no contexto dos patriarcas, período que a cronologia tradicional situa entre 1900 e 1800 a.C., quando Jacó ainda trabalhava para seu tio Labão na região da Mesopotâmia, em Padã-Arã. Era o segundo dos seis filhos que Lia deu a Jacó, entre eles Rúben, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, além da única filha mencionada por nome, Diná. A família de Jacó vivia como pastores seminômades, deslocando-se com rebanhos entre Harã e Canaã, numa época em que essas famílias extensas se relacionavam — por comércio, alianças matrimoniais e, às vezes, conflito aberto — com as cidades-estado cananeias já havia muito tempo estabelecidas na região.

É nesse cenário que se passa o episódio mais marcante da vida de Simeão, registrado em : durante uma parada da família perto da cidade de Siquém, Diná foi violentada pelo jovem que dava nome à cidade. A resposta de Simeão e Levi — o massacre dos homens de Siquém depois de exigir que se circuncidassem como parte de um suposto acordo de paz — colocou toda a família em risco diante das populações vizinhas, algo que o próprio Jacó lamenta de imediato e em voz alta ().

Mais tarde, já no Egito, durante a grande fome que levou os irmãos a buscar grãos junto a José — que eles ainda não reconheciam —, foi Simeão quem José escolheu prender como garantia de que os irmãos voltariam trazendo Benjamim (). O episódio da vingança em Siquém reaparece décadas depois, quando Jacó, no leito de morte, reúne os doze filhos para pronunciar sobre cada um o seu destino: para Simeão e Levi reserva não uma bênção, mas uma condenação de sua ira e crueldade (), sentença que se cumpriria na história posterior da tribo, sem uma herança territorial contínua e unificada dentro de Israel.

A história

A vida de Simeão na narrativa de Gênesis é contada quase inteiramente por meio de um único episódio de violência e suas consequências de longo prazo — a Bíblia não amaciza nem justifica o que ele fez. Em , depois que Diná é violentada por Siquém, os irmãos da moça reagem com indignação. Simeão e Levi, especificamente, tomam a dianteira: propõem a Hamor e a Siquém que os homens da cidade se circuncidem como condição para uma aliança de casamentos entre as duas famílias. É um ardil. Três dias depois, quando os homens ainda estavam debilitados pela cirurgia, os dois irmãos entram na cidade, matam todos os homens, resgatam Diná e saqueiam a cidade — ato que os outros irmãos aproveitam para completar o saque (). A reação imediata de Jacó não é de aprovação, mas de medo: ele teme que os cananeus vizinhos se unam contra sua família pequena e vulnerável ().

O segundo momento em que Simeão aparece isoladamente é no Egito. Durante a fome que leva os filhos de Jacó a comprar grãos, José — já governador, ainda não reconhecido pelos irmãos — os acusa de espionagem e retém Simeão como refém, exigindo que tragam Benjamim como prova de sua honestidade (). O texto não explica por que José escolhe justamente Simeão entre os dez irmãos presentes; tradições judaicas posteriores especulam sobre uma hostilidade particular de Simeão contra José, mas isso não está no texto bíblico em si.

O terceiro e último momento é o mais duro: no julgamento que Jacó pronuncia sobre os doze filhos pouco antes de morrer, Simeão e Levi são tratados juntos e condenados nos mesmos termos — irmãos cujas espadas são instrumentos de violência, cuja ira é chamada de cruel, e que por isso seriam divididos e espalhados dentro de Israel (). Ao contrário da maioria dos irmãos, que recebem promessas de liderança, fertilidade ou força, Simeão só recebe a lembrança de sua brutalidade.

A sentença de Jacó se cumpre de modo concreto na história da tribo: o recenseamento em mostra a tribo de Simeão com uma das menores populações entre as doze, uma queda acentuada em relação ao censo anterior, e o livro de Josué relata que seu território foi demarcado dentro da própria herança de Judá, sem uma extensão contígua e independente () — uma dispersão territorial que ecoa, de forma literal, a sentença pronunciada pelo pai.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:José escolheu Simeão como refém porque ele havia sido o irmão que propôs jogar José no poço ou vendê-lo aos ismaelitas.

    Gênesis não atribui essa proposta a Simeão: o texto liga a ideia de não matá-lo a Rúben () e a venda a Judá (). A ligação de Simeão com uma hostilidade especial contra José vem de tradições rabínicas posteriores, não do texto bíblico.

  • Dizem que:Simeão agiu sozinho ao vingar o estupro de Diná.

    é explícito: foram Simeão e Levi, juntos, que executaram o massacre dos homens de Siquém — a ação é sempre descrita na Bíblia como conjunta dos dois irmãos.

  • Dizem que:A Bíblia apresenta a atitude de Simeão e Levi em Siquém como um ato heroico e justificado.

    O próprio texto registra a reprovação: Jacó reage com medo e censura na hora () e, décadas depois, condena formalmente a ira e a crueldade dos dois na bênção final ().

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Comentaristas como João Calvino e Matthew Henry leem as palavras de Jacó em como uma pronúncia profética inspirada por Deus, e não apenas um desabafo paterno — a dispersão da tribo é apresentada como julgamento divino sobre o pecado da violência, coerente com o caráter de Deus revelado em toda a Escritura.

  • Católica

    Parte da tradição patrística e medieval lê o episódio de Siquém de forma também moral, destacando como o zelo por defender a honra da família, legítimo em sua origem, degenera em crueldade quando não é temperado pela prudência — um alerta sobre os limites entre justiça e vingança.

  • Ortodoxa

    Na tradição oriental, influenciada pela espiritualidade dos padres do deserto, a ira descontrolada de Simeão e Levi é lida como exemplo de paixão que fragmenta a comunhão — tanto entre a família de Jacó e seus vizinhos quanto, mais tarde, dentro da própria unidade das tribos de Israel.

O que fazer com isso

A história de Simeão mostra que a Bíblia não trata a violência como algo neutro, mesmo quando nasce de uma indignação diante de uma injustiça real, como o que aconteceu com Diná. A reação desproporcional de Simeão teve consequências que atravessaram gerações, moldando o destino de toda uma tribo. O relato convida a distinguir entre a dor diante de um mal sofrido e a resposta dada a essa dor — e a reconhecer que atos cometidos em nome da justiça podem, eles mesmos, se tornar injustos.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible (comentário sobre Gênesis), 1706.
  • C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament, vol. Pentateuco (comentário sobre Gênesis), 1864.
  • João Calvino. Commentaries on the Book of Genesis, 1554.
  • Francis Brown, S. R. Driver e Charles Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem foi Simeão na Bíblia?

Simeão foi o segundo filho de Jacó e Lia, um dos doze patriarcas que deram origem às tribos de Israel. Ele é lembrado sobretudo por ter matado, junto com o irmão Levi, os homens da cidade de Siquém para vingar o estupro da irmã Diná ().

Por que Jacó condenou Simeão e Levi?

Na bênção final que faz aos filhos antes de morrer, Jacó lembra a violência dos dois irmãos em Siquém e declara que sua ira foi cruel, anunciando que seriam divididos e dispersos dentro de Israel (). É uma repreensão explícita, não uma aprovação do ato.

Por que José prendeu Simeão no Egito?

Quando os irmãos foram ao Egito comprar grãos durante a fome, José — que eles ainda não reconheciam como o irmão que haviam vendido — reteve Simeão como refém, exigindo que trouxessem Benjamim na volta como prova de que não eram espiões (). O texto não explica por que a escolha recaiu justamente sobre Simeão.

O que aconteceu com a tribo de Simeão?

A tribo teve uma das menores populações registradas no censo de e recebeu, segundo , um território encravado dentro da herança da tribo de Judá, sem uma extensão própria e contínua — um cumprimento concreto da sentença de dispersão pronunciada por Jacó.

Outros personagens

Publicado em 25/08/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

As passagens dele, explicadas

Teologia densaGênesis 32:24

Jacó lutou com Deus e venceu?

O texto chama o adversário de "um homem". Seis versículos depois, Jacó diz "vi a Deus face a face, e minha alma foi salva". Oseias, séculos mais tarde, diz que ele lutou com "o anjo".

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A serpente do Éden era Satanás?

Gênesis não diz. O texto chama a criatura de "serpente", classifica-a entre "os animais do campo que o SENHOR Deus havia feito" e não menciona Satanás em lugar nenhum — nem aqui nem no resto do livro.

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Números simbólicosGênesis 10:1-5

A tábua das nações e o número que reaparece pelo cânon inteiro

Gênesis 10 lista os descendentes de Sem, Cam e Jafé depois do dilúvio, organizando os povos conhecidos do mundo antigo numa única árvore genealógica comum. A tradição rabínica, seguida por boa parte da leitura patrística cristã, conta setenta nomes nessa lista — e é esse número, não setenta e um nem sessenta e nove, que depois ecoa noutros textos: as setenta pessoas da casa de Jacó que descem ao Egito, os setenta anciãos que dividem o Espírito com Moisés, os setenta discípulos enviados por Jesus em Lucas 10.

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