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Significado Bíblico
Patriarcaintermediária

Issacar, filho de Jacó

Quem foi Issacar na Bíblia e por que seu nascimento envolve mandrágoras?

Ficha do personagem

Patriarcas, cerca de 1900-1800 a.C.

Relações

Resposta curta

Issacar foi o nono filho de Jacó, o quinto nascido de Léia, numa passagem conhecida de Gênesis. Durante a colheita do trigo, Rúben, ainda menino, encontrou mandrágoras no campo e as levou à mãe. Raquel, que ainda não tinha filhos, pediu as plantas a Léia; as duas fecharam um acordo simples: Léia cederia as mandrágoras e, em troca, passaria aquela noite com Jacó. Dessa noite nasceu Issacar ().

Décadas depois, ao abençoar os filhos antes de morrer, Jacó descreveu Issacar como um jumento forte que, vendo que o descanso era bom e a terra agradável, preferiu curvar o ombro ao trabalho e servir sob tributo (). Séculos depois, a tribo colhida desse retrato ganhou outro registro: os homens de Issacar são lembrados em como conhecedores dos tempos, capazes de orientar Israel sobre o que fazer.

Onde ele aparece

O nome

Issacarhá recompensa, ou há salário (de yesh, "há", e sakar, "recompensar, pagar salário")

Significado, origem e variantes →

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

Issacar é um dos doze filhos de Jacó que dão origem às doze tribos de Israel, linhagem que atravessa toda a Escritura como o povo da promessa. retoma essa lista ao descrever os selados de cada tribo, incluindo a tribo de Issacar, num quadro simbólico do povo de Deus reunido diante do Cordeiro. A vida individual de Issacar não recebe destaque profético direto no Novo Testamento, mas seu lugar fixo entre os doze mostra como mesmo figuras discretas integram o desenho maior que a tradição cristã lê como cumprido em Cristo, cabeça de um povo reunido de toda tribo.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Issacar foi um dos doze filhos de Jacó, um dos patriarcas que deram origem às doze tribos de Israel. Ele nasceu de uma situação curiosa: sua mãe, Léia, trocou umas plantas chamadas mandrágoras com a irmã Raquel por uma noite com o marido Jacó, e engravidou dele. Quando ficou velho, Jacó descreveu Issacar como alguém que preferiu trabalhar duro e viver em paz a lutar por liberdade total. Séculos depois, os descendentes de Issacar ficaram conhecidos por entender bem a época em que viviam.

O mundo dele

A história de Issacar está encaixada na disputa doméstica entre as duas esposas de Jacó, Léia e Raquel, e as servas Bila e Zilpa, todas dando à luz filhos que mais tarde formam as doze tribos de Israel. Léia, menos amada pelo marido mas fértil, já havia dado a Jacó quatro filhos — Rúben, Simeão, Levi e Judá; Raquel, a esposa preferida, permanecia sem filhos havia anos e via a irmã acumular herdeiros, o que a levara antes a entregar sua serva Bila a Jacó para gerar filhos em seu nome. É nesse cenário de rivalidade que se passa o episódio de : durante a colheita do trigo, Rúben, ainda criança, encontra no campo mandrágoras (dudaím, no hebraico), planta associada na cultura da época a propriedades ligadas à fertilidade, e as leva a Léia, sua mãe.

Raquel pede as mandrágoras para si. Léia responde com azedume, lembrando que a irmã já lhe tomara o marido — sinal da tensão real entre as duas, que o texto não disfarça nem suaviza. Elas então negociam: Léia entrega as mandrágoras e, em troca, ganha o direito de passar aquela noite com Jacó, que parecia estar sob os cuidados regulares de Raquel naquele período. Léia engravida e dá à luz o quinto filho, a quem chama Issacar, associando o nome à ideia de recompensa por ter dado sua serva Zilpa ao marido tempos antes.

O relato integra o ciclo mais amplo do nascimento dos doze filhos de Jacó, base das tribos que mais tarde herdam a terra de Canaã sob Josué. Issacar aparece depois em listas genealógicas (; ) como pai de quatro filhos — Tola, Puva, Jó e Sinrom —, e sua tribo recebe um território fértil na planície de Jezreel, descrito em . O episódio das mandrágoras não é isolado: caracteriza o modo como Gênesis narra a formação da família patriarcal sem esconder disputas, ciúmes e negociações bem humanas entre suas personagens, deixando ao leitor a tarefa de julgar por si mesmo.

A história

A bênção que Jacó pronuncia sobre Issacar pouco antes de morrer, em , é um dos textos mais debatidos entre as doze bênçãos patriarcais. Jacó descreve Issacar como "jumento de fortes ossos, deitado entre dois fardos" (ou currais, conforme a tradução), que "viu que o descanso era bom e que a terra era agradável", e por isso "abaixou o ombro para acarretar, e serviu debaixo de tributo". A imagem é ambígua: fala de força física associada a uma escolha pragmática — trocar a luta pela independência plena por uma vida estável em terra fértil, mesmo que isso implicasse servidão ou tributo a um poder mais forte. Comentaristas como Keil e Delitzsch leem essa passagem como descrição antecipada do território que a tribo ocuparia: a rica planície de Jezreel (), boa para agricultura, mas também exposta a pressões de povos vizinhos mais fortes, o que teria levado os descendentes de Issacar a aceitar acordos de subordinação em troca de estabilidade.

Essa leitura discreta, quase resignada, contrasta com o registro que aparece bem mais tarde na história de Israel. Em , ao listar os guerreiros que se juntaram a Davi em Hebrom para fazê-lo rei sobre todo o Israel, o cronista destaca duzentos chefes "dos filhos de Issacar, homens entendidos dos tempos, para saber o que Israel devia fazer". É uma das poucas vezes em toda a Bíblia em que uma tribo inteira recebe um elogio tão específico: não força militar, mas discernimento — a capacidade de ler o momento histórico e agir com sabedoria prática. O contraste entre o jumento cansado de e os conselheiros perspicazes de sugere que a narrativa bíblica não trata o caráter de uma tribo como algo fixo: circunstâncias e gerações mudam o que se pode dizer sobre os descendentes de um mesmo patriarca.

Outros registros espalhados pela Escritura reforçam a presença discreta, mas constante, da tribo. O Cântico de Débora, em , menciona os príncipes de Issacar ao lado de Débora e Baraque na luta contra Sísera. O juiz Tola, que governou Israel por vinte e três anos, era da tribo de Issacar (). Mais tarde, o rei Baasa, que reinou sobre o Reino do Norte, também descendia dessa tribo (). Issacar, o homem, nunca protagoniza uma narrativa própria na Bíblia — é citado por nome apenas nos registros de nascimento e nas listas genealógicas —, mas o rastro de sua tribo atravessa a história de Israel, dos patriarcas até os reis.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:As mandrágoras tinham comprovado poder de fertilidade, e foi por isso que Léia engravidou de Issacar.

    O texto bíblico não estabelece esse nexo causal: o versículo seguinte, , atribui a concepção a Deus ('E ouviu Deus a Léia'), não à planta. A crença numa propriedade fértil ou afrodisíaca das mandrágoras era folclore comum no antigo Oriente Médio, não uma afirmação científica do texto.

  • Dizem que:O episódio das mandrágoras mostra Léia 'vendendo' Jacó como propriedade de Raquel.

    O texto mostra Léia negociando com a irmã o acesso conjugal naquela noite específica, dentro do costume da poligamia patriarcal em que as esposas tinham reivindicações reconhecidas sobre o tempo do marido — um arranjo doméstico entre duas mulheres, não uma venda de pessoa.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Tradição Reformada

    Comentaristas reformados, na linha de Matthew Henry, leem como um retrato realista de caráter: um povo trabalhador e pacífico que preferiu a segurança de terra fértil a lutar por independência plena, aceitando tributo em troca de estabilidade — descrição neutra, nem elogio nem condenação total.

  • Tradição Católica

    Leituras católicas tradicionais situam as bênçãos patriarcais de dentro da providência divina que distribui papéis distintos entre as tribos; a Issacar cabe o trabalho da terra e a sabedoria prática, papel que recebe reconhecimento positivo mais tarde em .

  • Tradição Ortodoxa

    A tradição ortodoxa oriental tende a ler as bênçãos de Jacó em como descrições proféticas do destino territorial e do temperamento de cada tribo, entendendo a imagem do jumento entre fardos como referência ao trabalho agrícola pesado na planície de Jezreel, sem conotação moral negativa.

O que fazer com isso

A história de Issacar mostra uma família lidando com ciúme, comparação e negociação — realidades que qualquer leitor reconhece em relações domésticas até hoje. O texto não julga Léia nem Raquel pelo acordo das mandrágoras; apenas relata o que aconteceu. Já a passagem dos séculos, ligando esse nascimento incomum a uma tribo depois lembrada por "entender os tempos", mostra que a trajetória de uma família raramente se resume ao seu começo.

Passagens relacionadas10
Fontes consultadas4
  • C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament (Gênesis), 1866.
  • Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible (Gênesis), 1706.
  • Gordon J. Wenham. Word Biblical Commentary: Genesis 16-50, 1994.
  • Robert Alter. The Five Books of Moses: A Translation with Commentary, 2004.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem foi Issacar na Bíblia?

Issacar foi o nono filho de Jacó e o quinto que ele teve com Léia, nascido no contexto patriarcal narrado em Gênesis. Deu origem a uma das doze tribos de Israel, que recebeu terras na fértil planície de Jezreel.

Por que o nascimento de Issacar envolve mandrágoras?

Segundo , Rúben encontrou mandrágoras no campo e as levou à mãe, Léia. Raquel pediu a planta para si, e as duas irmãs negociaram: Léia cedeu as mandrágoras em troca de passar aquela noite com Jacó, noite em que Issacar foi concebido.

O que significa a bênção de Jacó sobre Issacar em Gênesis 49?

Jacó compara Issacar a um jumento forte que, ao ver que a terra era boa, preferiu curvar o ombro ao trabalho e servir sob tributo a lutar por independência total. Comentaristas leem isso como uma descrição do futuro território agrícola da tribo e de sua relação com povos mais fortes ao redor.

Issacar teve filhos?

Sim. Segundo e , Issacar teve quatro filhos — Tola, Puva, Jó (ou Jasube) e Sinrom —, que se tornaram os clãs fundadores da tribo de Issacar.

O que diz 1 Crônicas 12:32 sobre a tribo de Issacar?

O texto elogia duzentos chefes da tribo de Issacar como homens entendidos dos tempos, capazes de orientar Israel sobre o que fazer — um reconhecimento raro de discernimento coletivo dado a uma tribo inteira, séculos depois do nascimento de Issacar.

Outros personagens

Publicado em 08/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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As passagens dele, explicadas

Expressões hebraicas1 Crônicas 12:32

Homens de Issacar: o que significa 'entendidos dos tempos'

1 Crônicas 12 reúne as tropas de todas as tribos que vieram a Hebrom tornar Davi rei sobre todo o Israel (1Cr 12:23,38). Entre contingentes enormes — cinquenta mil de Zebulom, trinta e sete mil de Naftali —, os duzentos chefes de Issacar chamam atenção por outro motivo: não pelo tamanho, mas por serem chamados "conhecedores dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer". O elogio é concreto: em meio à guerra civil entre Saul e Davi, souberam identificar o momento certo.

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O chamado de Abraão: "sai da tua terra"

Em Gênesis 12:1-3, o Senhor manda Abrão deixar tudo o que lhe dava segurança — a terra, a parentela ampliada e a casa de seu pai — para ir a uma terra que ainda seria mostrada. No mundo antigo, o clã e a casa paterna garantiam proteção, herança e lugar social; abandoná-los rumo a um destino não revelado era um risco real, não um gesto piedoso e confortável.

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Expressões hebraicasGênesis 16:7-14

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Costumes da épocaGênesis 29:18-20

Por que Jacó trabalhou sete anos para casar com Raquel?

Jacó chega fugitivo à casa do tio Labão, sem bens, e se apaixona por Raquel, a filha mais nova. Sem como pagar o preço costumeiro pela noiva em prata ou rebanhos, ele propõe um acordo: "Eu te servirei sete anos por Raquel tua filha mais nova" (Gênesis 29:18). Labão aceita, e o texto observa que os sete anos "pareceram-lhe como poucos dias, porque a amava" (v.20).

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