Aimaás, filho de Sadoque
Quem foi Aimaás, o mensageiro de Davi durante a revolta de Absalão?
Ficha do personagem
Reinado de Davi, c. séc. X a.C.; Jerusalém e arredores
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Resposta curta
Aimaás foi filho do sacerdote Sadoque e, durante a revolta de Absalão, serviu como mensageiro e informante de Davi. Com Jônatas, filho de Abiatar, esperou em En-Rogel para levar ao rei os planos ouvidos em Jerusalém e escapou dos perseguidores graças à ajuda de uma mulher anônima em Baurim. Depois da batalha na floresta de Efraim, insistiu em correr até Davi com a notícia da vitória, ultrapassou o cusita enviado por Joabe e, ao ser perguntado sobre Absalão, calou-se sobre a morte do príncipe. O relato mostra um jovem veloz e leal, ligado à linhagem sacerdotal de Jerusalém, cujo nome aparece grafado tanto como Aimaás quanto como Aimaaz.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO texto não aponta diretamente para Cristo, e não há tipologia reconhecida pelo Novo Testamento em Aimaás. O que se pode notar, no máximo, é o contraste de gênero: o mensageiro que hesita em dizer o custo da vitória lembra, por oposição, o anúncio apostólico, que proclama a boa notícia incluindo a morte e a ressurreição do Filho (). Trata-se de uma comparação de leitura, e não de uma conexão afirmada pelo texto.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Aimaás era filho do sacerdote Sadoque e ajudou o rei Davi quando seu filho Absalão tentou tomar o trono. Ele levou mensagens secretas a Davi e, numa ocasião, foi escondido por uma mulher dentro de um poço. Depois da batalha, correu mais rápido que outro mensageiro para dar a Davi a notícia da vitória. Mas, quando o rei perguntou por Absalão, que havia morrido, Aimaás não quis contar. Foi o outro corredor que deu a notícia triste. Seu nome também é escrito Aimaaz.
O mundo dele
Aimaás viveu em Jerusalém no reinado de Davi, por volta do século X a.C. Era filho de Sadoque, sacerdote que, ao lado de Abiatar, cuidava da arca da aliança (). A genealogia de o coloca na linha sacerdotal, entre Sadoque e Azarias, o que explica por que ele costuma ser classificado entre os sacerdotes, embora os relatos o mostrem agindo como mensageiro, e não como oficiante.
O pano de fundo é a rebelião de Absalão (–18). Davi abandona Jerusalém, atravessa o ribeiro de Cedrom e sobe o monte das Oliveiras chorando. Sadoque e Abiatar aparecem com a arca, mas o rei manda que voltem à cidade, e que seus filhos, Aimaás e Jônatas, sirvam de elo entre eles e ele. Husai, o amigo de Davi, é enviado para se infiltrar no conselho de Absalão e repassar o que ouvir aos sacerdotes, que então despacham os jovens com os recados. Trata-se de uma rede de informação montada em torno do sacerdócio, que tinha acesso natural à corte e podia circular sem levantar suspeitas imediatas. Esse tipo de operação aparece pouco no Antigo Testamento, e por isso a passagem ajuda a entender como o rei se movia durante a crise.
Também importa o contexto da comunicação. Sem qualquer meio rápido de aviso, as notícias de guerra dependiam de corredores, e o texto pressupõe que alguns eram conhecidos pelo estilo: o vigia da muralha reconhece Aimaás pelo modo de correr (). O outro corredor, que o texto hebraico chama apenas de "o cusita", não recebe nome. O termo pode indicar origem em Cuxe, região ao sul do Egito, mas o relato não informa sua procedência exata. Por fim, a grafia do nome varia entre Aimaás e Aimaaz conforme a tradução; em hebraico trata-se do mesmo nome, cujo significado é discutido, e por isso convém desconfiar de etimologias populares que circulam sem respaldo.
A história
A primeira cena de Aimaás como mensageiro está em . Ele e Jônatas esperam em En-Rogel, fora de Jerusalém, para não serem vistos entrando na cidade. Uma serva leva-lhes o recado de Husai, e eles partem para avisar Davi. Um rapaz os vê e conta a Absalão, e os dois se refugiam em Baurim, na casa de um homem que tinha um poço no pátio. A mulher da casa cobre a boca do poço com um pano e espalha grãos por cima; quando os homens de Absalão perguntam por eles, responde que já atravessaram o ribeiro. Os perseguidores se vão, os jovens saem do poço e avisam Davi para atravessar o Jordão sem demora. O texto não dá o nome da mulher e destaca o papel de pessoas anônimas na preservação do rei.
A cena principal vem em . Depois da derrota do exército de Absalão, Aimaás pede a Joabe licença para correr e levar a Davi a boa notícia de que o Senhor lhe fez justiça contra os inimigos. Joabe recusa e explica que, naquele dia, ele não seria portador de boas novas, porque o filho do rei estava morto. Joabe sabe que a notícia da vitória traz consigo a da morte de Absalão, de quem foi o executor (18:14-15), e escolhe o cusita. Aimaás insiste, e Joabe cede. Ele toma o caminho da planície e chega antes do outro (18:23). O vigia anuncia o primeiro corredor, e Davi conclui que, sendo homem de bem, ele traz boas novas. Ao chegar, Aimaás diz "Paz!", prostra-se e bendiz o Senhor. Davi faz a única pergunta que lhe importa, se o jovem Absalão está bem, e Aimaás desvia: viu grande tumulto, mas não sabe o que era (18:29). O cusita chega logo depois e dá a notícia sem rodeios.
Comentaristas como Robert Alter observam que a narrativa retarda o desfecho para marcar a distância entre a boa notícia militar e a dor do pai. A hesitação de Aimaás pode ser lida como prudência, como falta de coragem ou como compaixão; o texto não dá o motivo. Há ainda uma confusão frequente com . Ali quem chega ao banquete de Adonias é Jônatas, filho de Abiatar, e não Aimaás, e Adonias o recebe com palavras que lembram o elogio de Davi ao corredor. Aimaás só reaparece em listas: em um Aimaás governa o distrito de Naftali e é genro de Salomão, mas o texto não afirma que seja o filho de Sadoque, e essa identificação é apenas conjectura.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Foi Aimaás quem contou a Davi que Absalão estava morto.
Aimaás chegou primeiro, mas desviou da pergunta de Davi e disse não saber o que era o tumulto (). Quem deu a notícia da morte foi o cusita, que chegou em seguida (18:31-32).
Dizem que:O Aimaás de 1 Samuel 14:50, pai da esposa de Saul, é o mesmo filho de Sadoque.
O nome é o mesmo, mas o texto trata de pessoas diferentes: Ainoã, esposa de Saul, é filha de um Aimaás de uma geração anterior, sem relação indicada com a linhagem de Sadoque.
Dizem que:Aimaás levou a Adonias a notícia de que Salomão fora ungido rei.
Em o mensageiro é Jônatas, filho de Abiatar. Aimaás não é mencionado nessa cena.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Protestante
Os comentários históricos de linha protestante, como os de Matthew Henry e de Keil e Delitzsch, costumam ler a cena como exemplo da providência de Deus, que preserva Davi por meio de gente comum: dois jovens, uma serva e uma mulher anônima. O silêncio de Aimaás é tratado como episódio de prudência humana, sem juízo moral explícito do texto.
Católica
Na leitura católica, o foco costuma recair na continuidade do sacerdócio de Jerusalém, com a linhagem de Sadoque, à qual Aimaás pertence, como a que seguirá no serviço do templo (; ). O mensageiro é visto como parte do grupo que mantém a legitimidade davídica durante a crise.
Judaica
A tradição judaica lê Samuel como parte dos Profetas Anteriores, e a rebelião de Absalão como consequência da sentença de . Aimaás é pouco comentado de forma própria; interessa mais como testemunha da lealdade do círculo sacerdotal e do drama de Davi diante da perda do filho.
O que fazer com isso
A história de Aimaás sugere que lealdade e pressa não bastam quando se carrega uma notícia que dói. O texto não condena nem louva seu silêncio, e deixa em aberto a pergunta sobre como dizer a verdade com coragem, escolher o momento ou deixar que outro fale. Lembra também que decisões importantes dependem de gente discreta, como o jovem que corre e a mulher que cobre o poço, cujo nome ninguém guardou.
Passagens relacionadas8
Fontes consultadas3
- P. Kyle McCarter Jr.. II Samuel: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible), 1984.
- Robert Alter. The David Story: A Translation with Commentary of 1 and 2 Samuel, 1999.
- Robert P. Gordon. I & II Samuel: A Commentary, 1986.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Aimaás era sacerdote?
Era filho do sacerdote Sadoque e consta na genealogia sacerdotal de . Os relatos de Samuel, porém, o mostram agindo como mensageiro, e não como oficiante, de modo que ele é chamado de sacerdote sobretudo pela linhagem.
Por que Joabe não deixou Aimaás levar a notícia?
Joabe disse que Aimaás não seria portador de boas novas naquele dia porque o filho do rei estava morto (). O texto não vai além disso, mas a leitura comum é que Joabe quis poupar o jovem de levar a Davi uma notícia que poderia provocar a ira do rei.
Aimaás e Aimaaz são pessoas diferentes?
Não. Trata-se do mesmo nome hebraico, transcrito de formas diferentes nas traduções em português. A mesma variação afeta outros nomes bíblicos e não indica personagens distintos.
O Aimaás de Naftali, genro de Salomão, é o mesmo filho de Sadoque?
O texto não afirma isso. apenas cita um Aimaás como governador de distrito em Naftali, casado com Basemate, filha de Salomão. Alguns comentaristas consideram a identificação possível, mas ela permanece conjectural.