Barrabás
O que significa o nome Barrabás na Bíblia?
Ficha do nome
filho do pai (do aramaico bar, "filho", e abba, "pai")
Βαραββᾶς · Bar-Abba
- Origem
- aramaico
- Gênero
- Masculino
- Uso
- Raro no Brasil
- Variantes
- Barrabás, Barabbas
Resposta curta
Barrabás vem do aramaico bar-abba: bar significa "filho" e abba é a forma carinhosa e também formal de tratar o pai, algo como "papai" ou "senhor pai". Junto, o nome quer dizer "filho do pai". Não era um nome de batismo comum como José ou Simão, e sim uma espécie de sobrenome patronímico, usado para identificar alguém pela figura paterna, real ou de respeito, e não por um nome próprio individual escolhido no nascimento.
O único portador conhecido nas Escrituras é o prisioneiro solto no lugar de Jesus durante a Páscoa, segundo o costume de libertar um preso por ocasião da festa (). Hoje o nome é praticamente inexistente como nome de registro no Brasil, associado quase exclusivamente a essa cena do Evangelho.
O personagem por trás do nome
Barrabás
Jerusalém, julgamento de Jesus, início do séc. I d.C.
Barrabás era um prisioneiro mantido sob custódia romana em Jerusalém, condenado por participar de uma insurreição na qual houve mortes. Marcos e Lucas o chamam explicitamente de assassino e insurgente; João usa o termo grego lestes, "salteador", também aplicado a bandidos armados que se opunham à ocupação de Roma. Ele estava preso justamente quando Jesus foi levado ao julgamento diante de Pôncio Pilatos, na Páscoa judaica, no início do século I.
A história completa de Barrabás →Como isso aponta para Jesus
ContrasteA cena em que Barrabás — homem preso por insurreição e homicídio — é solto enquanto Jesus, reconhecidamente sem culpa, é entregue à morte, monta diante do leitor uma imagem viva de substituição: o culpado caminha livre e o inocente carrega a pena em seu lugar. Os evangelhos não tiram lição teológica explícita desse detalhe, mas a igreja cristã, ao longo da história, viu nele uma ilustração concreta daquilo que o Novo Testamento afirma sobre a obra de Cristo em termos mais amplos — alguém sem culpa ocupando o lugar de quem tinha culpa real. É importante notar que essa leitura é uma aplicação simbólica construída a partir do relato, e não uma afirmação que o próprio texto bíblico faça sobre si mesmo.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Barrabás significa "filho do pai" em aramaico. Não era bem um nome próprio como conhecemos hoje, mas uma forma de chamar alguém pelo pai dele, meio como um sobrenome. Na Bíblia, só existe um Barrabás: o prisioneiro que a multidão pediu para soltar em vez de Jesus, na época da Páscoa em Jerusalém. É um nome muito raro no Brasil hoje, quase ninguém usa, e quando aparece é sempre lembrado por causa dessa história.
De onde vem o nome
Barrabás não é um nome hebraico, mas aramaico, a língua falada no cotidiano da Judeia e da Galileia no século I, enquanto o hebraico permanecia mais restrito ao uso litúrgico e às Escrituras. A palavra é composta de duas partes: "bar", que significa "filho" (equivalente ao hebraico "ben"), e "abba", forma de tratamento para "pai" que podia soar tanto afetuosa quanto respeitosa, dependendo do contexto — é a mesma palavra que Jesus usa para se dirigir a Deus em e que Paulo retoma em e .
Esse tipo de formação, "bar" + um segundo elemento, era um padrão comum de sobrenome ou epíteto na cultura judaica aramaico-falante do período do Segundo Templo, funcionando como identificador de linhagem ou de vínculo com alguém — algo próximo do que hoje chamaríamos de patronímico. Outros exemplos bíblicos do mesmo padrão aparecem em nomes como Bartolomeu ("filho de Tolmai") e Barnabé ("filho da consolação" ou "filho da exortação", conforme ). Isso sugere que "Barrabás" funcionava mais como uma forma de identificar o homem por sua origem familiar do que como um nome pessoal escolhido ao nascer.
O termo chega ao português através do grego do Novo Testamento, Βαραββᾶς (Barabbâs), transliteração da forma aramaica para o alfabeto grego, e depois para o latim da Vulgata como "Barabbas". As diferentes versões bíblicas em português mantêm a forma aportuguesada "Barrabás", com dois erres, seguindo a tradição da Vulgata e das traduções clássicas.
Um detalhe discutido por especialistas em crítica textual é que um pequeno número de manuscritos gregos antigos do Evangelho de Mateus traz a leitura "Jesus Barrabás", dando ao prisioneiro também o nome pessoal "Jesus" (forma grega de Josué, "o Senhor salva"). A maioria das edições críticas do Novo Testamento considera essa leitura possível, mas não a inclui no texto principal, tratando-a como uma variante minoritária relevante para o estudo, e não como consenso estabelecido.
O nome na Bíblia
A leitura mais aceita entre os léxicos e comentaristas é "bar-abba", "filho do pai", mas alguns estudiosos já propuseram uma leitura alternativa: "bar rabban", algo como "filho do mestre" ou "filho do rabino", sugerindo que o prisioneiro pudesse pertencer a uma família de prestígio religioso ou de liderança. Essa hipótese aparece de forma pontual na literatura acadêmica, mas não deslocou o consenso sobre "filho do pai" como a etimologia mais provável, sustentada por Strong's Concordance e pela maioria dos dicionários bíblicos padrão. Vale registrar que, seja qual for a leitura exata, o nome funcionava como identificação de parentesco, e não como um nome pessoal no sentido moderno.
Os evangelhos descrevem Barrabás com o termo grego "lēstēs", que as traduções mais antigas em português verteram como "ladrão" ou "salteador". O historiador judeu Flávio Josefo usa a mesma palavra, no mesmo período, para se referir a insurgentes armados envolvidos em confrontos contra a ocupação romana — não a simples assaltantes. Por isso, comentaristas modernos, incluindo N. T. Wright, apontam que Barrabás era provavelmente visto por parte da população como um rebelde político, o que ajuda a explicar por que a multidão poderia preferir sua soltura à de Jesus: ele talvez representasse, aos olhos de alguns, uma resistência mais reconhecível contra Roma do que a mensagem de Jesus.
Por causa dessa associação — um homem preso por insurreição e homicídio, libertado no lugar do Nazareno —, "Barrabás" nunca se firmou como nome de batismo em nenhuma tradição cristã, ao contrário de outros nomes bíblicos de personagens secundários. Não há registro relevante de uso do nome como homenagem afetuosa ao longo da história cristã, nem no Ocidente nem no Oriente; ele sobrevive quase exclusivamente como referência literária e teológica ao episódio da Paixão, presente em obras de arte, peças teatrais sobre a Semana Santa e na tradição oral cristã, sempre ligado a esse momento específico do relato evangélico.
No Brasil, o nome é classificado como raro a ponto de praticamente não aparecer em registros civis, e seu uso no português corrente é quase sempre figurado — chamar alguém de "um Barrabás" pode indicar, informalmente, uma pessoa de conduta violenta ou de má fama, uso que reforça ainda mais seu afastamento como opção de nome próprio. Isso o diferencia de nomes bíblicos igualmente carregados de história, mas que mantiveram alguma popularidade por associação a virtudes ou a personagens centrais e positivos das Escrituras, como João ou Davi.
Os quatro evangelhos mencionam o episódio de forma coerente, com pequenas variações: Mateus o chama de "preso notório" (27:16); Marcos o associa a uma revolta com sangue (15:7); João o chama apenas de "salteador" (18:40).
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Barrabás era um nome próprio comum, escolhido para ele ao nascer, como qualquer outro nome bíblico.
A composição bar ("filho") + abba ("pai") funcionava como um patronímico, uma forma de identificar alguém pela figura paterna, e não como um nome pessoal individual escolhido no nascimento — o mesmo padrão de Bartolomeu e Barnabé.
Dizem que:Barrabás era apenas um ladrão comum, um assaltante qualquer.
O termo grego usado nos evangelhos, lēstēs, era empregado por autores da época, como Flávio Josefo, para designar insurgentes armados envolvidos em confrontos políticos contra Roma, não simples assaltantes de estrada.
Dizem que:É certo, e aceito por todos os estudiosos, que o nome completo de Barrabás também era Jesus.
A leitura "Jesus Barrabás" aparece apenas em um pequeno número de manuscritos gregos antigos de Mateus; a maioria das edições críticas do Novo Testamento a considera uma variante textual relevante para estudo, sem tratá-la como consenso estabelecido.
Vale a pena escolher este nome?
Conhecer a origem de "Barrabás" ajuda a entender como funcionavam os nomes no mundo bíblico: muitos não eram escolhidos como hoje, mas construídos a partir de vínculos familiares, como "filho de" tal pessoa. Isso também explica por que a Bíblia tem vários nomes parecidos, como Bartolomeu e Barnabé. Entender essa lógica evita ler os nomes bíblicos com os mesmos critérios usados para escolher o nome de um filho no Brasil atual.
Fontes consultadas4
- James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
- Bruce M. Metzger. A Textual Commentary on the Greek New Testament, 1994.
- Raymond E. Brown. The Death of the Messiah, 1994.
- N. T. Wright. Jesus and the Victory of God, 1996.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que significa o nome Barrabás?
Vem do aramaico bar-abba, que significa "filho do pai". Bar quer dizer "filho" e abba é uma forma de chamar o pai, tanto carinhosa quanto respeitosa.
Barrabás é um nome próprio ou um sobrenome?
Funcionava mais como um sobrenome patronímico, identificando a pessoa pela figura do pai, e não como um nome individual escolhido ao nascer, no sentido que damos hoje a um nome de batismo.
É verdade que Barrabás também se chamava Jesus?
Um pequeno número de manuscritos gregos antigos de Mateus traz a leitura "Jesus Barrabás". A maioria das edições críticas do Novo Testamento considera essa leitura possível, mas não a inclui no texto principal por ser uma variante minoritária.
Barrabás é um nome comum no Brasil?
Não. É considerado raro a ponto de praticamente não aparecer em registros civis, permanecendo associado quase só ao episódio bíblico da Páscoa em Jerusalém.
Barrabás era realmente um assassino?
Os evangelhos dizem que ele estava preso por participação em uma revolta com derramamento de sangue (; ), o que sugere envolvimento em confronto violento, provavelmente de caráter político contra a ocupação romana.