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Significado Bíblico
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Barrabás

Quem foi Barrabás na Bíblia e por que ele foi solto no lugar de Jesus?

Ficha do personagem

Jerusalém, julgamento de Jesus, início do séc. I d.C.

Relações

  • libertado no lugar de Jesus Cristo
  • julgado por Pôncio Pilatos

Resposta curta

Barrabás era um prisioneiro mantido sob custódia romana em Jerusalém, condenado por participar de uma insurreição na qual houve mortes. Marcos e Lucas o chamam explicitamente de assassino e insurgente; João usa o termo grego lestes, "salteador", também aplicado a bandidos armados que se opunham à ocupação de Roma. Ele estava preso justamente quando Jesus foi levado ao julgamento diante de Pôncio Pilatos, na Páscoa judaica, no início do século I.

Os quatro evangelhos registram um costume de libertar um preso por ocasião da festa. Pilatos, já convencido da inocência de Jesus, ofereceu à multidão essa escolha, esperando que ela pedisse sua soltura. Instigada pelos principais sacerdotes, porém, a multidão pediu Barrabás livre e Jesus crucificado. Pilatos cedeu: o culpado saiu livre, e o homem que ele mesmo declarara inocente foi enviado à cruz em seu lugar.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Barrabás é um culpado confesso de insurreição e homicídio; Jesus é declarado inocente pelo próprio julgador. Ainda assim, é o culpado que sai livre e o inocente que vai à cruz — uma troca literal e histórica que a tradição cristã lê como ilustração viva daquilo que a cruz realiza de modo definitivo: o inocente ocupando o lugar do culpado. O episódio não é apresentado pelos evangelhos como profecia cumprida nem como tipo formalmente designado, mas como um fato do julgamento que expõe, de forma concreta e visual, a lógica da substituição que o Novo Testamento atribui à morte de Cristo.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Barrabás era um homem preso em Jerusalém por ter participado de uma rebelião violenta em que pessoas morreram. Ele estava na cadeia justamente quando Jesus foi julgado por Pilatos, o governador romano. Havia um costume de soltar um prisioneiro na Páscoa, e o governador deixou o povo escolher entre libertar Barrabás ou Jesus. A multidão, incentivada pelos líderes religiosos, pediu a soltura de Barrabás. Assim, um homem culpado de crimes graves foi libertado, e Jesus, considerado inocente pelo próprio Pilatos, foi condenado à morte em seu lugar.

O mundo dele

A cena de Barrabás acontece durante a Páscoa judaica em Jerusalém, provavelmente por volta do ano 30 d.C., num momento de forte tensão política. A Judeia estava sob ocupação romana direta desde o ano 6 d.C., administrada por um prefeito — no caso, Pôncio Pilatos —, e movimentos de resistência armada contra Roma eram frequentes, alguns de motivação messiânica ou nacionalista. É nesse cenário que os evangelhos situam Barrabás: e dizem que ele fora preso por participar de uma insurreição (stasis, em grego) na qual havia ocorrido homicídio; o chama de lestes, palavra que pode significar tanto "ladrão" quanto "bandido armado" ou "insurgente" — o mesmo termo usado para os dois homens crucificados ao lado de Jesus.

Os evangelhos mencionam um costume segundo o qual o governador romano libertava um prisioneiro escolhido pelo povo por ocasião da festa da Páscoa. Esse "privilégio pascal" não é atestado em nenhuma fonte histórica independente fora dos quatro evangelhos, o que levou historiadores como Raymond E. Brown a discutir se se tratava de uma prática romana formal e recorrente, um costume local específico daquele prefeito, ou um gesto pontual concedido naquele ano de julgamento. De qualquer forma, o relato mostra Pilatos numa posição incômoda: ele já havia interrogado Jesus pessoalmente e não encontrara nele motivo de condenação (; ), mas enfrentava a pressão organizada dos principais sacerdotes e do povo reunido diante do pretório, no meio de uma Jerusalém lotada para a festa.

Ao propor a escolha entre Barrabás e Jesus, Pilatos parece calcular que a multidão preferiria libertar um mestre religioso pacífico a um insurgente violento. e registram que os principais sacerdotes persuadiram a multidão a pedir Barrabás. O resultado inverteu a expectativa: o povo pediu a liberdade do culpado de sangue e a morte do homem que o próprio governador declarara inocente.

A história

Os quatro evangelhos concordam no essencial sobre Barrabás, mas variam nos detalhes, o que é típico de relatos independentes de um mesmo evento. o descreve apenas como "um preso notório", sem detalhar seu crime. e são mais específicos: ele estava preso "com os sediciosos que tinham cometido homicídio na sedição", ligando-o diretamente a um levante armado com mortes. usa o termo lestes — a mesma palavra que Flávio Josefo emprega para descrever bandos de insurgentes que atuavam na Judeia do século I, o que reforça a leitura de Barrabás como uma figura de resistência política armada, e não apenas um criminoso comum.

Um detalhe textual notável: alguns manuscritos antigos de trazem o nome completo "Jesus Barrabás" — ou seja, o prisioneiro também se chamava Jesus, um nome comum na época. O erudito Orígenes, no século III, já comentava essa variante, e ela é discutida por Bruce M. Metzger em seu Comentário Textual do Novo Testamento Grego como provavelmente original, tendo sido depois omitida por escribas por reverência ao nome de Jesus Cristo. Se correta, a cena ganha um contraste ainda mais forte: a multidão escolhe entre dois homens chamados Jesus — um insurgente violento e o Cristo.

O costume da anistia pascal, mencionado nos quatro evangelhos, não tem paralelo comprovado em fontes romanas ou judaicas independentes, o que gerou debate entre historiadores sobre sua exatidão histórica como instituição fixa — pode ter sido um gesto pontual de boa vontade de Pilatos, e não uma lei ou tradição estabelecida. Isso não torna o relato inventado; apenas mostra que se trata de um episódio específico daquele julgamento, não de uma prática documentada fora do Novo Testamento.

O próprio nome do prisioneiro chamou a atenção de comentaristas ao longo dos séculos. "Barrabás" é a transliteração grega do aramaico Bar-Abbá, que significa literalmente "filho do pai". Comentaristas como Matthew Henry já observavam, em seu comentário sobre os evangelhos, o contraste retórico da cena: a multidão pede a liberdade de um "filho do pai" culpado e rejeita Jesus, que os evangelhos apresentam como o Filho por excelência. Vale notar que essa leitura é uma observação literária tradicional, não uma afirmação de que o nome tenha sido escolhido ou alterado propositalmente pela narrativa — trata-se de um nome aramaico comum na época.

Depois de solto, Barrabás desaparece completamente da narrativa bíblica. Os evangelhos não dizem nada sobre o que aconteceu com ele — nem conversão, nem reincidência, nem qualquer reação ao fato de ter sido libertado às custas da condenação de outro homem. Esse silêncio é coerente com o estilo dos evangelhos, que normalmente não acompanham personagens secundários depois que sua função na narrativa termina. Qualquer relato sobre o destino posterior de Barrabás — arrependimento, nova vida, morte violenta — pertence à tradição literária ou popular, como romances e filmes inspirados na cena, e não ao texto bíblico.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Barrabás se converteu e se tornou seguidor de Jesus depois de ser solto.

    Os evangelhos não registram nada sobre o destino de Barrabás após sua libertação. Essa ideia vem de obras literárias posteriores, como o romance Barrabás, de Pär Lagerkvist (1950), e adaptações no cinema, não do texto bíblico.

  • Dizem que:Barrabás era apenas um ladrão comum, sem envolvimento político.

    Marcos e Lucas o associam diretamente a uma insurreição armada com mortes, e o termo grego usado por João (lestes) era aplicado a insurgentes contra Roma, não a ladrões comuns.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Catolicismo

    Vê em Barrabás uma figura de todo pecador: o culpado que caminha livre porque outro, inocente, assume seu lugar diante do tribunal — episódio lido como ilustração concreta da graça oferecida na cruz.

  • Protestantismo reformado

    Destaca o caráter jurídico da troca: um culpado condenado é solto e o inocente é condenado em seu lugar, episódio frequentemente citado como ilustração viva da substituição penal descrita em e .

  • Ortodoxia

    Situa o episódio dentro do mistério pascal como um todo, evitando isolá-lo como prova doutrinária de um mecanismo jurídico específico; a ênfase recai sobre a vitória de Cristo sobre a morte manifestada na Páscoa, da qual a libertação de Barrabás é um sinal entre vários.

  • Tradição evangélica missionária

    Usa Barrabás como exemplo homilético direto e pessoal: cada pessoa ocupa, na história, o lugar do culpado libertado, o que a torna um recurso comum em pregações evangelísticas sobre a Páscoa.

O que fazer com isso

A história de Barrabás lembra que o julgamento de Jesus não foi um evento abstrato: envolveu pessoas reais, escolhas concretas e uma multidão movida por interesses religiosos e políticos do seu tempo. O relato também documenta, com honestidade, que a Bíblia não idealiza a multidão nem os líderes religiosos envolvidos na condenação de Jesus. Barrabás permanece na narrativa como o homem cuja liberdade custou a vida de outro — um fato histórico registrado nos quatro evangelhos, sem qualquer elogio a ele.

Passagens relacionadas4
Fontes consultadas4
  • Raymond E. Brown. The Death of the Messiah, 1994.
  • Bruce M. Metzger. A Textual Commentary on the Greek New Testament, 1994.
  • Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
  • William Barclay. The Gospel of Matthew (Daily Study Bible), 1975.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que o povo escolheu soltar Barrabás em vez de Jesus?

Segundo e , os principais sacerdotes persuadiram a multidão a pedir a libertação de Barrabás. Pilatos parece ter esperado o contrário, mas cedeu à pressão popular.

O que aconteceu com Barrabás depois de ser solto?

A Bíblia não conta. Ele simplesmente desaparece da narrativa após ser libertado; qualquer história sobre sua vida posterior vem de tradições literárias, não do texto bíblico.

O costume de libertar um preso na Páscoa realmente existia?

É mencionado nos quatro evangelhos, mas não há confirmação em fontes romanas ou judaicas independentes. Historiadores debatem se era uma lei formal ou um gesto pontual daquele julgamento específico.

É verdade que o nome completo de Barrabás era Jesus Barrabás?

Alguns manuscritos antigos de trazem essa forma, e estudiosos como Bruce Metzger consideram provável que seja a leitura original, depois suavizada por copistas.

Outros personagens

Publicado em 05/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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