'Até a nossa água por dinheiro bebemos': o que o cerco de Jerusalém tirou do povo em Lamentações 5?
Lamentações 5 abre com uma lista de perdas que parece administrativa, mas é devastadora: a herança passou a estranhos, as casas ficaram para forasteiros, e até a água e a lenha, antes recursos comuns da terra, agora precisam ser comprados. O versículo 2 fala em herança revertida a estrangeiros; os versículos 3 e 4 descrevem órfãos e viúvas sem apoio familiar, pagando por bens que o direito de nascença garantia gratuitamente. O ângulo aqui é econômico: a perda não é só territorial, é a quebra de um sistema em que a terra da família sustentava a família. Sem terra, sem árvores, sem poços próprios, restava comprar de quem agora controlava esses recursos, num cerco que transformou vizinhos em intermediários cobrados.