A oração de quem admite não saber o que fazer
A frase encerra uma oração pública feita por um rei diante de uma invasão, e o que ela tem de raro é o que admite: não sabemos o que fazer.
3 passagens difíceis neste capítulo, explicadas com contexto histórico, línguas originais e as leituras cristãs que disputam o sentido.
A frase encerra uma oração pública feita por um rei diante de uma invasão, e o que ela tem de raro é o que admite: não sabemos o que fazer.
Diante de uma coalizão de inimigos avançando contra Judá, Josafá organiza o exército de um jeito que nenhum manual militar convencional recomendaria: coloca o coro levítico, cantando "louvai o SENHOR, porque a sua misericórdia dura para sempre", na frente das tropas, antes de qualquer soldado armado. Não é decoração cerimonial de última hora — é a peça central da estratégia, depois de uma promessa profética de vitória sem necessidade de combate (20:15-17). No momento exato em que o canto começa, o texto relata que Deus faz os exércitos inimigos se voltarem uns contra os outros, e quando Judá chega ao local da batalha, encontra apenas cadáveres e despojo, sem precisar desembainhar uma espada. O louvor funciona, na narrativa, como a própria ação militar decisiva, não como acompanhamento dela.
Depois que os exércitos coligados de Moabe, Amom e do monte Seir se destroem uns aos outros diante de Judá, sem que o povo de Josafá precise desembainhar uma única espada, sobra um despojo tão grande que leva três dias inteiros para ser recolhido — roupas, objetos preciosos e bens diversos, mais do que os israelitas conseguiam carregar. No quarto dia, o povo se reúne num vale para bendizer ao Senhor por aquela vitória extraordinária, e o texto registra que, por esse motivo, aquele vale passou a se chamar Vale de Beraca — literalmente, Vale da Bênção — e que continuava sendo chamado assim até o tempo em que o livro de Crônicas foi escrito. É um exemplo simples e concreto de como a geografia de Israel funcionava como um arquivo vivo da própria história religiosa do povo.