O cântico de Ana, o rascunho do Magnificat
Depois de anos de esterilidade e humilhação doméstica, Ana entrega Samuel ao serviço do santuário e canta um hino sobre um Deus que derruba poderosos e ergue os necessitados, enche de pão os famintos e deixa os saciados sem nada. Séculos depois, o Evangelho de Lucas registra o cântico de Maria, o Magnificat, com estrutura, temas e até vocabulário que ecoam de forma próxima demais para ser coincidência o cântico de Ana. O paralelo não é plágio nem cópia mecânica: reflete tradição de louvor israelita sobre reversão social que Maria conhecia profundamente e reaplicou, de forma inspirada, ao próprio momento decisivo que vivia.