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Significado Bíblico

Doença e cansaço do corpo

Para quando o corpo falha, o seu ou o de alguém.

Por mim, no meio de um tratamento

Deus, o meu corpo está cansado de um jeito que dormir não resolve. Tem exame, tem espera, tem gente falando comigo em termos que eu não conheço, e no meio disso eu ainda preciso ser educado e organizado.

Eu peço cura, e digo isso sem rodeio. Também sei que muita gente pediu e não recebeu do jeito que queria, e não vou fingir que entendo por quê.

Então peço junto o que serve para os dois casos: que eu não fique sozinho, que eu tenha coragem no dia do resultado, que quem cuida de mim acerte, e que eu consiga ser gente com as pessoas ao redor mesmo nos dias em que a dor deixa todo mundo insuportável — inclusive eu.

Por alguém que está internado

Senhor, eu estou do lado de fora e não posso fazer quase nada. Trouxe o que me pediram, respondi as mensagens de todo mundo, e agora só resta esperar num corredor.

Cuida de quem está ali dentro. Que a dor seja suportável, que a noite passe, que alguém entre no quarto com paciência mesmo às três da manhã.

E cuida de quem espera. Nós estamos cansados de um jeito que ninguém vê, e às vezes ficamos com raiva de coisas pequenas porque a coisa grande é grande demais.

Se der para eu voltar para casa com boa notícia, eu volto agradecendo. Se não der, que eu não desperdice o tempo que ainda tiver com essa pessoa discutindo o que não importa.

Ao receber o diagnóstico de uma doença crônica

Deus,

Acabei de saber que isso não vai passar. Não é uma fase, não é um tratamento com fim marcado — é algo que vou carregar. Ainda estou tentando entender o tamanho disso, e por enquanto só consigo sentir o susto.

Não sei pedir cura porque não sei se é isso que vai acontecer. Peço para não enfrentar sozinho os dias em que o corpo pesar mais que o normal, e as manhãs em que vou acordar lembrando que essa doença continua aqui.

Lembro que Paulo pediu três vezes para tirarem dele aquilo que o machucava, e a resposta não foi a cura — foi que a força dele ia aparecer justo onde faltava força. Não sei se consigo enxergar isso hoje. Só queria entender que seguir com um corpo limitado não é fracasso meu.

Não peço para sentir uma fé que ainda não tenho. Peço companhia para os exames, para as noites de dúvida, para explicar isso a quem eu amo. Fica perto, mesmo nos dias em que eu não sentir que está.

Quando a dor crônica não passa

Senhor,

hoje é mais um dia com essa dor que não vai embora. Já perdi a conta de quantas manhãs acordei com o corpo cansado antes de sair da cama. Não vim pedir um milagre que nem sei se vai acontecer. Vim só dizer que estou cansado, e que às vezes nem sei se isso chega até você.

Tem um salmo que fala de um homem gasto, dobrado de dor, gemendo sem conseguir explicar o que sente. E diz que esse gemido não fica escondido de Deus. É mais ou menos isso que eu queria fazer agora. Não tenho força pra rezar bonito. Só tenho essa dor que não dá descanso e esse peso de conviver com ela todos os dias.

Não peço pra ela sumir hoje, porque já aprendi a não prometer isso pra mim mesmo. Peço só para não carregar esse cansaço sozinho. Se existir um jeito de aguentar mais um dia, que ele apareça. E se hoje não vier, que eu não me sinta tão só dentro dessa dor.

Por quem cuida de um doente em casa

Estou cansada de um jeito que não passa com uma noite de sono. Cuido dessa pessoa sozinha, em casa, sem pausa e sem ninguém pra revezar comigo, e tem dia que eu nem sei que horas são.

Não é culpa dela eu estar assim. Ela não escolheu ficar doente, e eu não quero guardar raiva de quem só precisa de cuidado. Mas confesso que tem hora que a exaustão fala mais alto, e isso me dá medo de quem eu estou virando.

Lembro que a Bíblia pede pra gente não desanimar de fazer o bem, porque no tempo certo vem a colheita. Eu queria acreditar nisso hoje, mas estou cansada demais pra enxergar esse tempo certo. Só peço força pra hoje, não pra dar conta de todos os dias que ainda vêm.

Se alguém puder me dar uma folga, que apareça. Se não aparecer ainda, pede que eu não me perca nesse cansaço. Fica perto de mim enquanto eu seguro essa casa sozinha.

Antes de uma cirurgia

Deus,

amanhã de manhã vou entrar numa sala e vão me colocar pra dormir sem eu poder decidir mais nada depois disso. É esse ponto que eu não controlo que mais me apavora. Não sei nem rezar direito agora, só sei que estou com medo.

Queria poder dizer que confio inteiro, mas não consigo prometer isso. Só consigo trazer esse medo pra perto de ti, do jeito que ele está, sem fingir que já passou.

Fica comigo enquanto esperam a hora de me chamar, no corredor, na maca, na última luz antes da anestesia. Fica com quem vai operar, com a mão seguindo o bisturi, com quem for cuidar de mim quando eu não estiver mais acordado pra pedir nada.

Não sei o que vai acontecer depois. Só peço pra não estar sozinho nesse tanto de horas que eu não vou lembrar.

Quando a vontade de viver está no chão

Deus,

não sei se ainda tenho força pra rezar direito. Só sei que hoje eu queria deitar debaixo de alguma árvore, como Elias debaixo daquele zimbro, e não levantar mais. Ele chegou a pedir pra morrer, cansado de andar, cansado de tudo, e ninguém na história dele o repreendeu por isso.

Eu não estou pedindo um milagre agora, nem prometendo que amanhã vou estar melhor. Só queria que alguém, alguma coisa, chegasse perto de mim do jeito que aquele anjo chegou perto dele — sem discurso, sem perguntar por que eu cheguei a esse ponto, só tocando de leve e oferecendo pão, água, e o direito de dormir de novo antes de qualquer resposta.

Se existe um caminho daqui pra frente, eu ainda não consigo ver. Não é falta de tentar, é só o tanto que estou cansado.

Fica perto, se puder. Não peço mais que isso hoje — só isso, e talvez amanhã eu peça outra coisa.

Com o corpo envelhecendo

Deus,

meu corpo já não faz o que fazia. Subo escada e preciso parar no meio. Esqueço nomes que sabia de cor. As mãos tremem para coisas simples. Vejo isso acontecendo e não sei bem o que fazer com essa perda.

Ninguém me preparou para esse luto — o luto de um corpo que já foi outro, mais rápido, mais forte, mais certo de si. Não é drama. É só verdade, e dói do jeito que perda dói.

Não peço para voltar no tempo. Mas ouvi dizer que, mesmo quando o de fora vai se desgastando, tem alguma coisa por dentro que pode se renovar dia após dia. Não sei explicar direito o que isso significa pra mim agora, com as pernas mais lentas e a memória falhando. Só queria que fosse verdade também no meu caso, mesmo sem ter certeza disso hoje.

Fica essa oração em aberto, Deus. Não sei o que o senhor vai fazer com ela. Só não queria carregar esse envelhecimento sozinho.

Nas noites maldormidas por causa da dor

Deus,

são tantas horas nesta cama e o corpo não descansa. A dor não deixa. Fico virando de um lado para o outro, olhando pro teto, contando quanto falta pra clarear — Jó também contou as horas assim, numa noite que não acabava, e disse que a noite virou trabalho.

Eu não sei se essa dor vai passar hoje, amanhã, ou se vai ficar mais um tempo comigo. Não vou fingir que confio nisso o tempo todo. Só queria não estar tão sozinho dentro dela.

Se não dá pra tirar a dor agora, fica comigo enquanto ela dura. Fica na hora que o relógio parece parado. Não peço que a noite seja curta — peço só companhia pra atravessar ela.

Quando o corpo cansar de esperar o amanhecer, que eu não me sinta abandonado nele. E quando a luz finalmente entrar pela janela, que eu ainda tenha alguma força sobrando.

Numa recuperação que está demorando

Deus,

meu corpo está andando mais devagar do que eu queria. Cada dia parecido com o outro me cansa de um jeito novo — não é só a dor física, é essa impaciência de quem já queria estar bem de novo e ainda não está.

Existe aquela imagem de gente que espera em ti e ganha força para levantar voo, para correr sem cansar, para andar sem se fatigar. Hoje eu mal consigo andar até a porta sem sentir o peso de cada passo. Não peço para pular direto para a parte da força. Peço companhia nesse tanto que ainda falta, porque essa espera está mais comprida do que eu imaginava.

Não sei quanto tempo essa recuperação vai levar, e confesso que a demora mexe até com o que eu acredito. Mas queria conseguir esperar sem brigar comigo mesmo por ainda estar assim.

Fica perto de mim nesse ritmo que eu não escolhi. Enquanto meu corpo reaprende coisas simples, me ajuda a não perder a cabeça no meio do caminho.

Antes de uma sessão de quimioterapia

Senhor,

hoje é dia de sessão outra vez. Já conheço o caminho até a cadeira, o cheiro da sala, o barulho da bomba de soro — e mesmo assim o medo chega como se fosse a primeira vez.

Não vou fingir que não tenho medo. Tenho. Tenho medo do que esse tratamento faz no corpo, tenho medo de não aguentar mais uma sessão, tenho medo do que vem depois de hoje. Não sei se minha fé é grande o bastante para isso, e acho que nem precisa ser.

Só queria pedir para não atravessar esse vale sozinho. Se essa cadeira, essa agulha, essa espera de horas são um lugar de sombra, eu queria alguém do meu lado enquanto o soro desce, gota por gota.

Não peço para saber como isso termina. Peço para não ficar sozinho enquanto dura — nessa sessão, e na próxima, e na depois dela. Fica perto de mim agora.

Por um filho doente

Senhor,

meu filho está doente e eu não sei o que fazer com esse medo. Jairo caiu aos teus pés e pediu que você fosse até a casa dele, pusesse a mão na filha dele. Eu queria poder fazer isso agora, correr até você e pedir do mesmo jeito, sem rodeio nenhum.

Não sei explicar direito o que sinto. Tem hora que consigo pedir com força, tem hora que só fico olhando ele dormir e não sei rezar coisa nenhuma. Mesmo assim estou aqui, tentando.

Não peço uma promessa de que vai ficar tudo bem, porque eu não teria como confiar nisso do jeito que eu queria. Peço para não ficar sozinho com esse medo. Peço que exista alguma coisa maior do que esse quarto, esse hospital, esse silêncio de médico que ainda não tem resposta.

Fica perto de mim enquanto eu espero. Fica perto do meu filho, do jeito que for possível.

Diante de uma doença sem cura

Senhor,

recebi a notícia e ainda não sei bem o que fazer com ela. Alguém disse uma palavra que eu não queria ouvir, e agora ela fica voltando, sem que eu consiga desligar.

Não vou fingir que já aceitei. Ainda estou tentando entender que o meu corpo vai mudar, que as forças vão diminuindo aos poucos, e que talvez não exista cura, do jeito que eu esperava.

Peço o que o salmista pediu quando sentiu a força se esvaindo: não me desampares agora, não me deixes sozinho enquanto vou entendendo, devagar, o que essa doença significa pros meus dias.

Não sei pedir cura sem saber se é isso que vou receber. Peço companhia mesmo assim — a das pessoas que amo, e a tua, principalmente nos dias em que eu não conseguir nem rezar direito.

Hoje eu só queria respirar essa notícia sem quebrar por dentro. Fica comigo nisso, um dia de cada vez.

Com uma doença que ninguém enxerga de fora

Deus, não sei bem por onde começar a explicar isso pra alguém, então tento explicar pra ti. O corpo dói, cansa, trava, e por fora não aparece nada. As pessoas olham pra mim e não veem o que sinto por dentro, e às vezes eu mesmo duvido se é tão real quanto parece.

No salmo tem um homem dizendo que a força se esvai, que os ossos se consomem, que os olhos se cansam de tanta mágoa — e ele não precisou mostrar prova nenhuma disso a ninguém. Só contou o que sentia, e isso já bastou pra chegar até ti. Eu queria poder contar assim, sem precisar convencer ninguém antes.

Cansei de explicar por que cancelei de novo, por que ontem eu conseguia e hoje não consigo. Cansei de ouvir que não pareço doente, que deve ser estresse.

Não peço uma explicação nem uma cura garantida agora. Peço que essa dor não fique invisível pra ti também, e que eu não precise provar nada pra ter direito de descansar.

Esperando o resultado de um exame que muda tudo

Deus, faz alguns dias que fiz o exame e ainda não saiu o resultado. Não consigo pensar em outra coisa. Toda vez que o celular toca, eu me assusto.

Não sei o que vem depois da ligação do médico. Não vou fingir que não tenho medo. Tenho medo.

Lembro que tem gente que passa a noite esperando o dia clarear, olhando pra janela, contando as horas até a luz aparecer. É assim que eu estou esperando esse resultado, mais do que um vigia espera a manhã. Não sei se a notícia vai ser a que eu quero ouvir. Não peço pra fingir que sei.

Só peço pra não atravessar esses dias sozinho por dentro. Que eu consiga dormir um pouco essa noite, comer alguma coisa, falar com alguém em quem eu confio. Que essa espera não me destrua antes mesmo de eu saber o resultado.

Se você está aí, me ajuda a passar por esses dias.

Nenhuma destas orações promete um resultado. Elas são palavras para dizer quando faltam as suas — e continuam valendo se, depois de dizê-las, nada tiver mudado por fora.