Nenhum vivente será justificado: a confissão radical do Salmo 143
No Salmo 143, Davi ora em angústia extrema, perseguido e com o espírito abatido, e no meio do lamento solta uma frase que ultrapassa o desabafo pessoal: nenhum ser vivo seria considerado justo se Deus o julgasse com todo o rigor. Não é exagero poético nem falsa modéstia; é um diagnóstico sobre a condição humana diante da santidade absoluta de Deus. O salmista não separa os culpados dos inocentes — ele mesmo, rei ungido e favorecido, se inclui nessa sentença sem exceção. Séculos depois, Paulo repete quase a mesma lógica em Romanos, ao argumentar que ninguém é justificado pela lei, porque ninguém a cumpre por completo. Entender essa confissão ajuda a perceber por que a justificação bíblica é apresentada como dádiva, e não como recompensa por mérito religioso acumulado.